Economia
Aposentadoria
Previdência privada: risco ainda é baixo no Brasil
Em setembro de 2008 foi instaurada no mundo uma crise financeira. Com ela, algumas seguradoras, como a japonesa Yamato Life Insurance, se afundaram em dívidas, foram à falência e deixaram na mão milhares de pessoas. Os episódios trouxeram à tona uma dúvida que sopra no ouvido de cada profissional que pensa em investir daqui para a frente, de olho na aposentadoria: é seguro fazer um plano de previdência privada, confiar um grande montante a uma seguradora por décadas, esperando que ela o devolva corrigido lá na frente?
VEJA.com apresentou essas mesmas indagações a quatro especialistas da área de seguro e previdência. A resposta foi positiva. Sim, temos de investir na previdência privada. Mas eles também fizeram uma ressalva: a crise mostrou que é preciso ser mais cuidadoso, investigar a saúde financeira das seguradoras e acompanhar seu desempenho. Confira a orientação dos especialistas a seguir.
Be-a-bá da previdência privada segura
- Pesquise o passado das seguradoras antes de contratar um plano
- Analise as taxas de administração
- Antes de iniciar o plano, poupe o equivalente a três salários
- Diversifique o investimento, colocando dinheiro em diferentes fundos de pensão
- Fique sempre de olho no dinheiro aplicado: jamais se esqueça dele
Por que 'sim'? - Uma boa razão para seguir confiante são os mecanismos prudenciais brasileiros, restrições legais que impedem que as empresas se exponham excessivamente em operações de alto risco com o dinheiro do segurado. "São várias restrições, que fazem com que as seguradoras sejam conservadoras", avalia Liao Yu Chieh, professor de finanças do Insper - Instituto de Ensino e Pesquisa (ex-Ibemec), de São Paulo. "Por exemplo, os ativos só podem ser aplicados no mercado local", diz.
Essas restrições legais são vigiadas pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda responsável pelo controle e fiscalização dos mercados de seguros. "Nós acompanhamos as provisões técnicas, a autorização dos produtos e as fiscalizações", diz Alexandre Penner, diretor da Susep. Ele é claro, porém, ao lembrar que há riscos implícitos nesse tipo de investimento. "O consumidor tem que ter em mente que nenhum investimento possui probabilidade zero de insucesso: ou seja, todos trazem algum risco".
Cuidados - Para diminuir os riscos inerentes a esse tipo de investimento, é fundamental dar atenção aos detalhes. O primordial é conhecer a seguradora que está por trás do banco contratado para o plano de previdência privada. Afinal, é ela que vai honrar sua aposentadoria no futuro. "Você vai entregar dinheiro para uma seguradora durante 30, 40 anos da sua vida: é preciso estudar as probabilidades de ela ainda existir quando precisar dela", explica Fábio Gallo, professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Outra orientação para quem pretende investir no futuro é diversificar, dispersando os recursos em diferentes fundos de pensão. "Se a seguradora quebrar, você não perde todo o seu dinheiro", acrescenta.
Aos 60 anos, com 500.000 reais
Quanto é preciso poupar para se aposentar com a bolada: o investimento pesa menos no bolso de quem começa mais cedo e varia de acordo com a taxa de juros da aplicação
taxa: 1,20% ao mês | taxa: 1% ao mês | taxa: 0,80% ao mês | taxa: 0,60% ao mês | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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Uma antiga dica continua valendo: antes de fazer uma plano na previdência, é preciso ter uma reserva de emergência. "A pessoa tem que construir um fundo ou uma poupança para suprir uma possível fase de desemprego", diz o professor Liao Yu Chieh. Ele recomenda poupar ao menos o valor correspondente a três salários antes de iniciar o investimento.
Observadas todas essas orientações, a previdência privada se torna um bom investimento, avaliam os especialistas, sobretudo para aquelas pessoas que não têm disciplina para aplicar regularmente. "É como ter uma aplicação mensal que debita automaticamente um valor da sua conta. Ou seja, não tem como esquecer ou deixar para o próximo mês", comenta Chieh. Uma última dica: quanto mais cedo se começa a pensar na aposentadoria, melhor ela vai ser, pois isso torna mais branda a tarefa de mensalmente retirar uma reserva de seus rendimentos de olho no futuro.



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