Mundo animal

Pesquisa derruba teoria do "lobo mau"

Animais de criação, como vacas e ovelhas, compõem menos de 1% de sua dieta

Os cientistas coletaram mais de 3 mil amostras de fezes de lobo para identificar suas presas

Os cientistas coletaram mais de 3 mil amostras de fezes de lobo para identificar suas presas (Copyright Stefan Seidel/VEJA)

A alimentação do lobo (Canis lupus) é tema de muitas lendas e fábulas, que pintam o bicho como uma grande ameaça a animais domésticos ou seres humanos. De fato, os lobos são ótimos predadores. O perigo que a espécie representa a humanos e animais domésticos é, no entanto, superestimado, segundo cientistas do Instituto de Pesquisa Senckenberg, na Alemanha. Após anos estudando os hábitos alimentares do animal selvagem, a teoria do 'lobo mau' foi colocada abaixo.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Wolf (Canis lupus) feeding habits during the first eight years of its occurrence in Germany

Onde foi divulgada: revista Mammalian Biology

Quem fez: Carina Wagner, Maika Holzapfel, Gesa Kluth, Ilka Reinhardt e Hermann Ansorge

Instituição: Instituto de Pesquisa Senckenberg, Alemanha

Dados de amostragem: 3.000 amostras de fezes de lobos

Resultado: A maior parte da alimentação dos lobos são espécies de cervídeos; animais de criação, como vacas e ovelhas, respondem por menos de 1% da dieta, o que mostra que os lobos não são uma ameaça para fazendas ou humanos.

Os pesquisadores coletaram mais de 3 mil amostras de fezes de lobos que vivem na Alemanha e procuraram evidências de suas presas, como pelos, ossos, cascos e dentes não digeridos. Com esses dados, os zoólogos puderam detalhar a dieta do carnívoro e chegaram a resultados tranquilizadores. Apenas 0,6% da biomassa encontrada era de animais de criação, como vacas e ovelhas, e não foi encontrado nenhum vestígio humano.

O estudo descobriu que 96% das presas dos lobos são animais ungulados selvagens – mamíferos cujos dedos são providos de cascos. A maioria são corças (Capreolus capreolus), que somam 55,3%, seguidas pelos veados-vermelhos (Cervus elaphus), que são 20,8%, pelos javalis (Sus scrofa), que representam 17,7% da alimentação dos lobos, e pelas lebres, cerca de apenas 3%.

Além de analisar o que esses animais selvagens comem atualmente, a pesquisa também investigou como os hábitos alimentares mudaram ao longo dos últimos oito anos. Durante os primeiros anos, a proporção de veados vermelhos que eram consumidos pelo bicho era consideravelmente maior, enquanto a de corças era muito menor. Segundo a pesquisa, a mudança de padrões de alimentação está ligada a alterações nas condições ambientais. Nos últimos cinco anos, porém, a variedade da dieta se manteve constante.

Por fim, os cientistas concluíram que o perigo de lobos para os humanos é praticamente nulo. O estudo foi publicado no periódico Mammalian Biology.
 

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