Água

ONU divulga relatório sobre recursos hídricos em Fórum Mundial da Água

A 4ª edição do documento alerta para a má gestão da água no mundo e aponta pressões do clima, crescimento demográfico e aumento da demanda por energia e alimentos

O presidente do Conselho Mundial de Água, Loïc Fauchon, abriu o Fórum da Água na França

O presidente do Conselho Mundial de Água, Loïc Fauchon, abriu o Fórum Mundial da Água na França (Gerard Julien/AFP/VEJA)

A Organização das Nações Unidas apresentou nesta segunda-feira a 4ª edição de seu relatório sobre o desenvolvimento dos recursos hídricos no mundo, divulgado de três em três anos. O texto resume o trabalho de 28 membros e parceiros da organização UN-Water e alerta para as pressões que serão exercidas pela mudança climática, pelo crescimento demográfico – estimado em de dois a três bilhões de pessoas nos próximos 40 anos – e pelo consequente aumento da demanda de alimentos e energia. A apresentação aconteceu durante a abertura do 6º Fórum Mundial da Água, em Marselha, na França.

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UN-WATER
A UN-Water é um organismo composto por representantes de 28 organizações da ONU, entre elas as agências especializadas, as comissões regionais e outras entidades ligadas à Organização das Nações Unidas. A UN-Water conta ainda com a parceria de outras organizações alheias a ONU.  A finalidade é apoiar os países em seus esforços relacionados à água, além de reforçar a coordenação e cooperação entre as agências da ONU que trabalham em aspectos ligados à água doce e ao saneamento.

A energia hidráulica e os biocombustíveis são pontos essenciais nos planos de desenvolvimento. Isto porque o mundo vai precisar responder a um crescimento de 60% da demanda de energia nos próximos 30 anos, além de investir em energia limpa para reduzir os efeitos da mudança climática. De acordo com dados da Agência Internacional de Energia (AIE), publicados no relatório, pelo menos 5% do transporte mundial será mantido por biocombustíveis em 2030, e sua produção poderia consumir entre 20% e 100% da quantidade total de água atualmente usada pela agricultura no mundo.

Para a produção de um litro de etanol a partir da cana-de-açúcar, são necessários 18,4 litros de água e 1,52 m² de terra. Assim, a quantidade de água que essas plantações demandariam poderia ser devastadora em regiões onde o recurso é escasso, como na África Ocidental. Segundo conclusões divulgadas nesta segunda-feira, se o atual modelo de consumo não mudar, a necessidade de água destinada à produção de energia vai crescer 11,2% até 2050.

Outros setores econômicos vão continuar disputando o acesso aos recursos hídricos. A agricultura utiliza hoje 70% da água doce do mundo. Para 2050, prevê-se um aumento de mais 70% da produção agrícola e 19% de seu consumo mundial de água – número que pode ser ainda maior de acordo com os progressos tecnológicos e decisões políticas adequadas.

O número de pessoas que correm risco de sofrer com inundações também tende a aumentar. Até 2050, dois bilhões de indivíduos no mundo estarão expostas, principalmente devido ao aumento da população em terras inundáveis, às mudanças climáticas, ao desmatamento e à elevação do nível do mar. A ONU calculou em 2011 que 90% dos desastres naturais estão relacionados à água. As 373 catástrofes registradas em 2010 demandaram um custo total de US$ 110 bilhões.

Planeta em risco – Segundo o relatório da ONU, nenhuma região do mundo está livre das pressões sobre os recursos hídricos. Na Europa, por exemplo, 120 milhões de cidadãos não têm acesso à água potável. Em certas partes do continente, os cursos de água podem chegar a perder até 80% de seu volume no verão. Já na África – que carrega uma taxa média de aumento da população de 2,6% por ano, enquanto a média mundial é de apenas 1,2% –, a demanda de água acelera a deterioração de seus recursos hídricos.

A Ásia e o Pacífico abrigam 60% da população do mundo, mas apenas 36% dos recursos hídricos. De acordo com o relatório, cerca de 480 milhões de pessoas não tinham acesso, em 2008, a uma fonte de água de qualidade, e 1,9 bilhão não tinham infraestrutura sanitária adequada.  No Oriente Médio, pelo menos doze países sofrem de escassez completa de água. Já na América Latina e no Caribe, a taxa de extração de água no século XX foi duplicada, devido ao crescimento demográfico e à alta da atividade industrial.

Além de dados específicos para cada região do mundo, o relatório fornece ainda informações globais. Cerca de 80% das águas residuais não são recolhidas nem tratadas, mas vão direto a outros corpos d'água ou se infiltram no subsolo, o que acaba causando problemas de saúde na população e a deterioração do meio ambiente.  O documento da ONU cobra iniciativas de prevenção. Segundo a Organização Mundial de Saúde, se o número de pessoas sem acesso sustentável à água potável e a instalações sanitárias caísse pela metade no mundo, os benefícios econômicos globais decorrentes seriam oito vezes maiores que o custo dos investimentos.

(Com agência EFE)
 

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