Espaço

Nasa: base da vida na Terra pode ter vindo do espaço

Pesquisa encontra elementos fundamentais do código genético em meteoritos

DNA

Cientistas analisaram o DNA de milhares de pessoas e identificaram diferenças genéticas que fazem alguns indivíduos mais suscetíveis à infecção (Comstock)

Uma nova pesquisa da Nasa mostra que alguns componentes fundamentais do DNA encontrados em uma série de meteoritos não são resultado de contaminação na Terra e sim que surgiram no espaço. O estudo, que será publicado na edição desta semana do periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (Anais da Academia Americana de Ciências), dá força à hipótese de que a vida na Terra tenha vindo do espaço na carona de meteoritos.

Elementos do DNA — as moléculas que carregam as instruções genéticas que são a base da vida — são encontrados em meteoritos desde a década de 1960. Mas os cientistas não tinham certeza se estas bases haviam vindo no espaço ou foram parar nos objetos por contaminação em terra. Por exemplo, cientistas já haviam achado aminoácidos (uma molécula orgânica) em amostras de um cometa e em vários meteoritos ricos em carbono. Os aminoácidos entram na composição das proteínas, espécie de combustível da vida que está presente em diversas estruturas, de células do cabelo às enzimas.

Ao analisar 12 meteoritos, a equipe da Nasa encontrou dessa vez nucleotídeos, partes constituintes da espiral do DNA. São estes blocos que dizem às células quais proteínas devem ser produzidas. Associados aos nucleotídeos, os cientistas encontraram rastros de outras três moléculas, duas das quais quase nunca aparecem na biologia conhecida na Terra.

A concentração destas moléculas também serviu de pista de sua origem extraterrestre. Em amostras de rocha da Antártida, local onde os meteoritos foram encontrados, a concentração dessas substâncias é da ordem de partes por trilhão, enquanto nos meteoritos a quantidade é muito maior: partes por bilhão. Por fim, os pesquisadores descobriram que algumas das bases encontradas nos meteoritos foram produzidas por reações químicas possíveis apenas em laboratório, forte indicação de que não houve contaminação.

Os autores do estudo sugerem no mesmo artigo que existe uma classe de meteorito — CM2 — com características ideais para produzir as moléculas elementares do código genético humano.

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