Evolução

Listras das zebras afastam insetos, afirma pesquisa

Pela primeira vez, um estudo mostra evidências concretas da vantagem evolutiva do corpo listrado das zebras

Reflexão da luz nas listras das zebras afasta insetos, afirma pesquisa

Reflexão da luz nas listras das zebras afasta insetos, afirma pesquisa (Marius Becker/AFP)

Estudo publicado na última edição da revista especializada Journal of Experimental Biology mostra pela primeira vez evidências concretas da vantagem evolutiva das listras das zebras. Segundo a pesquisa, as faixas pretas e brancas protegem o animal das doloridas e potencialmente infecciosas picadas de insetos africanos.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Polarotactic tabanids find striped patterns with brightness and/or polarization modulation least attractive: an advantage of zebra stripes

Onde foi divulgada: revista Journal of Experimental Biology.

Quem fez: Ádám Egri, Miklós Blahó1, György Kriska, Róbert Farkas, Mónika Gyurkovszky, Susanne Åkesson e Gábor Horváth

Instituição: Universidade de Lund, na Suécia

Dados de amostragem: Bonecos de plásticos de cavalos com várias cores e insetos tabanídeos

Resultado: O padrão de listras pretas e brancas afasta os insetos e protege as zebras

O estilo espalhafatoso da espécie sempre despertou a curiosidade dos cientistas. As possibilidades de que o padrão de listras servisse para confundir predadores ou se camuflar nas pastagens sempre foram consideradas, mas nunca confirmadas por estudos. Agora, pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, sugerem que as listras brancas (o animal tem o pelo todo preto no estágio embrionário) servem para despistar insetos da família dos tabanídeos, conhecidos por serem grandes e terem a picada muito dolorida, além de transmitirem doenças. As moscas tsé tsé, conhecidas por transmitir a doença do sono, e enormes mutucas são exemplos de tabanídeos.

O experimento que motivou o artigo científico, curiosamente, não contou com a participação das zebras. Em um haras infestado de tabanídeos perto de Budapeste, na Hungria, os pesquisadores colocaram bonecos de cavalos de plástico lado a lado. Havia cavalos pretos, brancos, marrons e listrados. Em seus corpos, uma cola líquida incolor e inodora prendia os insetos que pousavam.

Pesquisas anteriores já haviam mostrado que esses insetos preferem animais de pelo escuro, fenômeno explicado pelos diferentes padrões de reflexão e polarização das ondas de luz. Por isso, os cientistas esperavam que as moscas preferissem o cavalo preto e evitassem o branco, com o listrado ficando em uma posição intermediária.

Foi uma surpresa, então, quando quase nenhum inseto pousou no cavalo com listras pretas e brancas. E quanto mais fina a listra preta, menor a incidência. Os pesquisadores concluíram que os múltiplos padrões de reflexão da luz no corpo das zebras confundem e afastam os chupadores de sangue.

"É a primeira evidência realmente convincente em 120 anos de estudo sobre esse assunto", comentou, em entrevista ao site da revista Science, Tim Caro, biólogo da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, que não participou do estudo.

Mesmo assim, a pesquisa não confirma que as outras teorias estão erradas. Para confirmar as conclusões, testes precisam ser feitos com zebras de verdade em seu habitat natural na África.


 

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