08/02/2012 - 14:26
  • compartilharCOMPARTILHAR
  • imprimirIMPRIMIR
 

Antártida

Expedição russa confirma chegada à superfície de lago isolado há milhões de anos na Antártida

De acordo com o chefe da missão, tudo indica que lago não foi contaminado. Estudos com a água começam em dezembro

Marco Túlio Pires
Base da plataforma de perfuração utilizada pela equipe de pesquisa russa no lago Vostok, Antártida

Base da plataforma de perfuração utilizada pela equipe de pesquisa russa no lago Vostok, Antártida (Pavel Teterev/Reuters)

Depois de 20 anos de perfuração, cientistas e engenheiros russos alcançaram a superfície do lago Vostok, localizado quase 4.000 metros abaixo do manto de gelo da Antártida. A informação foi finalmente confirmada pelo chefe da expedição, Valery Lukin, por meio de comunicado no site do Instituto Russo de Pesquisa Antártica. O lago Vostok é o maior lago subglacial — ou seja, abaixo de uma geleira — do mundo, com 250 quilômetros de extensão e 50 quilômetros de largura. O corpo de água está isolado pelo gelo há 15 milhões de anos e pode abrigar organismos vivos nunca antes estudados pela ciência. O lago também guarda segredos sobre o clima da Antártida de milhões de anos atrás.

Saiba mais

LAGO VOSTOK
O Lago Vostok é o maior lago subglacial do mundo, ou seja, é um lago que se encontra sob uma geleira. Ele está localizado a quase 4 quilômetros abaixo do manto de gelo da Antártida, abaixo de uma estação russa de mesmo nome. O lago tem uma forma elíptica com 250 quilômetros de comprimento e 50 quilômetros de largura. Estima-se que o Lago Vostok tenha um volume de água doce equivalente a 5.400 quilômetros cúbicos. Isso equivale a três vezes o volume do Lago Ontário, um dos cinco grandes lagos americanos. Os cientistas acreditam que a água é mantida líquida pelo calor de uma fonte geotermal abaixo do lago e pela pressão 400 vezes superior à da superfície no nível do mar.

Esclarecimento - A notícia foi divulgada um dia depois de Lukin ter afirmado à revista britânica Nature que seria "muito cedo" para confirmar a chegada da broca à superfície do lago subglacial. Por meio de nota enviada ao site do instituto russo, Lukin explicou que dados preliminares, obtidos no dia 4 de fevereiro, apontavam o contato da broca com água líquida, mas não houve confirmação visual. "Esse contato foi erroneamente noticiado por alguns veículos de comunicação como a confirmação de que tínhamos alcançado a superfície do lago", disse Lukin.

Na ocasião, a equipe percebeu que não havia mais gelo no caminho da broca. O canal foi preenchido por cerca de 40 litros de água, que se congelou enquanto os cientistas tentavam recuperá-la. "As amostras de água congelada que coletamos eram frescas", disse Lukin, indicando que o líquido teria vindo do lago. Contudo, isso não quer dizer que os especialistas tinham alcançado o gigantesco corpo de água subglacial. A perfuração continuou por mais um dia e, no dia 5 de fevereiro, a 3.769 metros de profundidade, a broca fez o primeiro contato com o lago. "Percebemos uma mudança brusca nos sensores do equipamento e um sinal de alerta foi enviado à superfície", disse o chefe da expedição. (continue lendo a matéria)

Arte VEJA

Lago Vostok

 

Sem contaminação - De acordo com o comunicado, tudo indica que não houve contaminação do lago Vostok. "Como previsto em teoria há 11 anos, os resultados foram provados na prática", disse Lukin. O cientista se referiu à ideia de que, quando a broca chegasse à superfície do lago, a pressão da água faria com que o líquido inundasse o tubo de perfuração, empurrando o querosene usado para mantê-lo aberto em direção à superfície. Isso manteria o lago livre de contaminação. "Menos denso que a água, o fluido de perfuração subiu rapidamente pelo tubo", disse. "500 litros do líquido jorraram pela superfície e foram coletados por um sistema de bandejas até um barril". A declaração, contudo, não descarta a possibilidade de contaminação do lago.

Lukin finalizou o comunicado em tom de celebração: "A conquista dos pesquisadores e engenheiros russos foi um grande presente para o dia da ciência russa, celebrada pelo país no dia 8 de fevereiro", disse. Agora, a expedição retornará à Rússia. A próxima visita ao Vostok será em dezembro, durante o verão polar. Só então eles vão iniciar os estudos científicos com a água do Lago Vostok.
 

Comentários


comentar

Aprovamos comentários em que o leitor expressa suas opiniões. Comentários que contenham termos vulgares e palavrões, ofensas, dados pessoais(e-mail, telefone, RG etc.) e links externos, ou que sejam ininteligíveis, serão excluídos. Erros de português não impedirão a publicação de um comentário.

» Conheça as regras para aprovação de comentários no site de VEJA
 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados