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Muriqui-do-norte
Macaco muriqui, endêmico da Mata Altântica, pode ser o mascote da Olimpíada de 2016(Reprodução/VEJA)

Seguindo o exemplo do tatu-bola, animal brasileiro ameaçado de extinção, entidades de conservação da natureza querem emplacar o quase desconhecido Muriqui como mascote dos Jogos Olímpicos de 2016, que serão realizados no Rio de Janeiro. No ano passado, a organização EcoAtlântica e a Secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro lançaram o projeto. E, para angariar apoio também fora do País, a campanha firmará, na próxima semana, uma parceria com a Conservation International (CI), entidade de proteção ao meio ambiente sediada nos Estados Unidos e com atuação em diversos países.

O objetivo é divulgar o nome do macaco no exterior. "Vamos levar a campanha para fora do País e fortalecê-la junto ao Comitê Organizador Local (COL), Comitê Olímpico Internacional (COI) e empresas patrocinadoras dos jogos", diz Beto Mesquita, engenheiro florestal e diretor do Programa Mata Atlântica da CI.

A entrada da CI no projeto não visa apenas conseguir que o macaco vire símbolo da Olimpíada do Rio de Janeiro. "Queremos aumentar a proteção e reduzir a ameaça sobre a espécie", diz Mesquita. "Com a campanha, teremos a oportunidade de falar com a sociedade e chamar a atenção para a necessidade de criação de novas reservas e áreas de proteção."

No Brasil, a CI financia pesquisas sobre o primata - ameaçado de extinção, o macaco é dividido em duas espécies (muriquis-do-norte e muriquis-do-sul) - encontrado em áreas de Mata Atlântica na Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. Além do mais, a organização investe na criação e manutenção de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), fundamentais para a sobrevivência do macaco. O investimento anual em projetos para o muriqui gira em torno de 600.000 reais, de acordo com Mesquita.

Preservação - Paula Breves, presidente da EcoAtlântica, espera que internacionalizar a campanha ajude a chamar a atenção, no exterior, para o bioma Mata Atlântica e atraia investimentos para projetos de proteção do muriqui.

A importância de preservação do primata é comprovada pelo escasso número de indivíduos que sobreviveram a séculos de desmatamento e de caça. Hoje, na estimativa do professor de Zoologia da Universidade Federal do Espírito Santo, Sérgio Lucena, existem 2.000 macacos - entre as espécies muriquis-do-norte e muriquis-do-sul. "Realizamos um estudo com base na densidade populacional do muriqui nas reservas atuais e no habitat que ele tinha disponível antigamente", explica o professor. De acordo com ele, a população do primata já foi superior, no início da colonização, a um milhão de indivíduos.

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A situação é mais delicada entre os muriquis-do-norte. Eles vivem em pequenos grupos em reservas esparsas e separadas entre si nos estados do Espírito Santo e de Minas Gerais. A falta de ligação entre as populações, diz Lucena, é uma das razões que fazem do muriqui-do-norte uma espécie considerada em risco crítico de extinção.

Apesar da situação de ameaça, algumas reservas, como a da cidade mineira de Caratinga (leia mais), conseguiram apresentar resultados bastante positivos na recuperação de populações de muriquis-do-norte.

Os muriquis-do-sul, por outro lado, estão espalhados em parques estaduais principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro. Se a maior extensão dos habitats faz com que esta espécie não esteja em risco crítico de desaparecer (ela é considerada em perigo de extinção), também torna mais difícil mapear com precisão o número de indivíduos existentes.

Símbolo - Um dos motes da campanha será apresentar o primata como um símbolo de preservação ambiental. "O muriqui se alimenta de flores, frutas e folhas e precisa de uma certa variedade de alimentos ao longo do ano. Por isso, ele só existe em áreas de florestas que foram pouco perturbadas. A própria existência dele significa condições próximas às florestas originais", diz Mesquita, da CI.

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