Paleontologia

Cientistas descobrem espécie de crocodilo que viveu há 130 milhões de anos

Crânio em ótimo estado de conservação foi encontrado na Inglaterra em 2009 e descrito agora como pertencente a um antepassado de répteis marinhos

Fóssil de um metro de comprimento, pertencente à espécie nomeada de 'Goniopholis kiplingi'

Fóssil de um metro de comprimento, pertencente à espécie nomeada de 'Goniopholis kiplingi' (University of Bristol/VEJA)

Pesquisadores da Universidade de Bristol, na Inglaterra, identificaram uma nova espécie de crocodilo que teria vivido há 130 milhões de anos. A descoberta, publicada nesta quinta-feira no periódico Zoological Journal of the Linnean Society, se baseia em um crânio encontrado em 2009 nos arredores dos pântanos de Swanage, um vilarejo litorâneo no sul da Inglaterra.

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GONIOPHOLIS
A nova espécie foi descrita como membro do gênero Goniopholis, pertencente à classe dos répteis. Fazem parte desse gênero espécies extintas de crocodilos que viveram na América do Norte, na Europa e na Ásia, entre os períodos Jurássico e Cretáceo, mais precisamente entre 100 e 160 milhões de anos atrás. Esses animais semiaquáticos eram bastante semelhantes aos crocodilos modernos. Mediam entre 2 e 4 metros de comprimento.

O fóssil, com 1 metro de comprimento e ótimo estado de conservação, passou por uma tomografia computadorizada, para que as estruturas no interior do crânio pudessem ser estudadas. Assim, concluíram que se tratava de uma nova espécie, nomeada de Goniopholis kiplingi, em homenagem a Rudyard Kipling, autor de O Livro da Selva e grande entusiasta das ciências naturais.

"Este novo crocodilo se parecia muito com os atuais quanto à forma e dentição. Era um animal muito grande, embora não gigante", disse o paleontólogo Mike Benton, coautor do estudo. Segundo o pesquisador, o réptil deveria medir entre quatro e cinco metros de comprimento e se alimentar de peixes, tartarugas e até mesmo de pequenos dinossauros que viviam em pântanos e lagos de florestas tropicais.

"O crânio é uma amostra bastante notável. Encontra-se em bom estado e não está esmagado, algo bastante incomum porque, na maioria dos casos, os fósseis são danificados pelas rochas", explica Benton. A amostra ficou exposta após um deslizamento de pedras em uma praia de Dorset, que faz parte da região conhecida como Costa Jurássica, devido ao grande número de fósseis deste período. A área foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco.


(Com agência EFE)
 

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