Ciência
Nanotecnologia
Comunicação entre nanopartículas aumenta eficácia de terapia contra câncer
Nova estratégia desenvolvida nos Estados Unidos pode aumentar em até quarenta vezes o potencial de medicamentos no combate a tumores
Depois do ataque da "linha de frente", nanopartículas que estão no sangue se grudam a fibrinas para chegar ao tumor e descarregar medicamentos. (Thinkstock)
Em 1987, o filme Viagem Insólita ilustrou o sonho de explorar lugares pouco acessíveis do corpo humano com a atrapalhada aventura de um oficial da Marinha que navega a bordo de um submarino miniaturizado pela corrente sanguínea. Mais de duas décadas depois, a nanotecnologia saiu definitivamente das telas com a promessa de realizar as mais variadas "missões". Na medicina, partículas muito menores do que o diâmetro de um fio de cabelo poderiam levar medicamentos potentes a lugares específicos do corpo, como tumores. Um dos grandes desafios dos pesquisadores é fazer com que as drogas atinjam o alvo em cheio. Em um novo estudo, cientistas norte-americanos afirmam ter encontrado uma estratégia promissora que pode aumentar a eficácia do tratamento contra o câncer.
Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Instituto de Pesquisa Médica Sanford-Burnham e Universidade da Califórnia em San Diego, nos EUA, desenvolveram uma abordagem baseada na “comunicação de nanopartículas”, tendo como exemplo os próprios processos de coagulação do corpo humano. A estratégia pode aumentar em até quarenta vezes a eficácia do transporte de drogas até os tumores.
De acordo com a estratégia proposta, o ataque ao tumor seria planejado como em uma guerra. Algumas nanopartículas cumpririam a função de estabelecer a linha de frente da invasão. Estes "soldados" atravessariam minúsculos orifícios de vasos sanguíneos para chegar ao tumor. Lá, aumentariam a temperatura do local ou se grudariam a proteínas encarregadas de desencadear processos de coagulação.
O corpo entenderia que tais processos indicam a presença de um machucado. Então, fibrinas (proteínas que agem com plaquetas para conter hemorragias e selar cortes) passariam a se movimentar rumo à lesão. Neste ponto, a segunda linha de nanopartículas entraria em ação: usando armaduras especiais, estes soldados grudariam nas fibrinas – pegando “carona” até o local da batalha. Uma vez no destino, entregariam as drogas para combater o tumor.
A abordagem da equipe é baseada nas séries de reações do organismo que ocorrem durante a coagulação. Primeiro, o corpo detecta a presença de um ferimento em algum vaso. Depois, proteínas presentes no sangue passam a interagir em diferentes processos para formar cadeias de fibrina. “Há bons exemplos na biologia em que comportamentos complexos emergem como resultado da interação, cooperação e comunicação entre componentes individuais simples”, afirma Geoffrey von Maltzahn, principal autor do estudo publicado na Nature Materials.



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