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Gripe suína

Remédio no Brasil sai de farmácias e fica sob controle do governo

30/04/2009 16:27

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Por Luiz de França

O Tamiflu, único remédio eficaz no combate à gripe suína comercializado no Brasil, não estará mais à venda nas farmácias do país, informou o laboratório Roche, fabricante da droga. De acordo com Karina Fontão, diretora médica do laboratório, a decisão de não renovar os estoques das farmácias segue um pedido feito pelo governo federal, na última segunda-feira, para que todo o estoque disponível fosse direcionado para o Ministério da Saúde. "Nossa prioridade será atender os pedidos feitos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelos governos", afirma Karina.

VEJA.com consultou nesta quinta-feira três redes de farmácias - Drogaria São Paulo, Droga Raia e Onofre - e apenas uma, a Onofre, confirmou ainda ter algumas unidades do medicamento em estoque.

Ainda na segunda-feira, uma mensagem do laboratório foi distribuída por e-mail para 65 mil médicos de todo o país avisando que o medicamento não estaria mais disponível nas farmácias e que quem tivesse algum paciente com os sintomas da gripe suína deveria encaminhá-lo para a rede de atendimento do governo. Até agora, 6.250 tratamentos (caixas com dez comprimidos) para adultos e outros 6.250 para uso pediátrico foram repassados para o Ministério da Saúde. "Centralizar o controle de remédios em casos de epidemias é um processo comum e também acaba sendo uma forma de evitar a automedicação por meio da comercialização em farmácias", explicou a diretora médica.

O Tamiflu e o Relenza, produzido pelo pela GlaxoSmithKline, são os únicos remédios até o momento que se mostraram eficazes no combate ao vírus da gripe suína. No Brasil, apenas o Tamiflu é comercializado, apesar de o Relenza ter registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os dois medicamentos foram desenvolvidos para a gripe aviária. Segundo dados da Roche, desde 2006, 85 países compraram cerca de 220 milhões de tratamentos de Tamiflu a fim de criar estoques estratégicos para surtos pandêmicos.
 
No Brasil, o Ministério da Saúde mantém em seu almoxarifado, em Brasília, um estoque estratégico de 9 milhões de tratamentos do Tamiflu, adquiridos em 2007. A matéria-prima está acondicionada a granel e poderá ser transformada em cápsulas pelo laboratório de Biomanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, e por laboratórios da Marinha e do Exército. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde, esse estoque só deverá ser utilizado se houver casos confirmados no Brasil que excedam o atual estoque pronto para consumo. O motivo seria o prazo de validade desse estoque estratégico: uma vez manipulado, sua validade cai de 3 anos para três semanas.
 
O tratamento - O combate ao vírus da gripe suína segue a mesma indicação feita pelos laboratórios para a influenza aviária. Cada caixa do Tamiflu vem com dez comprimidos, que correspondem a um tratamento para uma pessoa. O paciente com suspeita da gripe, conforme os sintomas, deve tomar dois comprimidos por dia durante cinco dias. O tratamento para cada pessoa feito com o Relenza também leva cinco dias, mas, diferentemente do seu concorrente, ele vem em pó que deve ser inalado duas vezes por dia.
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