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Plano sobre mudança climática é baseado em dados ultrapassados

11/12/2008 06:11

O Plano Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), apresentado pelo governo federal na semana passada, traça metas ambiciosas, que incluem a redução de 72% do desmatamento da Amazônia nos próximos nove anos. Conforme o documento, o desflorestamento corresponde a 70% do total de emissões de gases do efeito estufa do Brasil. Esses números, no entanto, podem estar ultrapassados, conforme reconhece a secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Suzana Kahn.

O plano é baseado em dados de emissão de 1994. O Ministério da Ciência e Tecnologia agora trabalha com as novas tabelas de emissões, que deverão ser divulgadas em 2009. "Acredito que mesmo com os números novos o desmatamento continuará sendo o grande responsável pelas emissões, apesar de se esperar por uma redução por conta do crescimento do setor industrial da última década", afirma a secretária.

Entre outras metas estabelecidas pelo PNMC estão a redução de emissões associadas ao maior uso do etanol e do biocombustível em substituição à gasolina e ao diesel e a implementação do Plano Nacional de Agro-Energia. Na opinião do coordenador geral do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Luiz Pinguelli Rosa, as metas e os prazos estabelecidos pelo plano que ele ajudou a formular são "completamente exeqüíveis". "Vai depender da vontade do governo", destaca ele.

Segundo Pinguelli, o plano é baseado no conceito de metodologia em que as metas estabelecidas podem ser medidas, informadas e visualmente verificáveis. "Isso é o que concede credibilidade ao plano", explica. Mas nem todos acreditam que as metas possam ser cumpridas dentro do prazo. "Eu, particularmente, acho um pouco difícil", diz José Antonio Marengo, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC).

Apesar de não haver previsão de novas contratações para a tarefa de policiar as áreas de florestas, o governo espera conseguir monitorar a regressão das queimadas e dos desflorestamento via satélite. "O Brasil é pioneiro nessa área de monitoramento por satélite e agora estamos ampliando essa tecnologia para vigiar a região do cerrado central do país", afirmou a secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente.

(Por Luiz de França)

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