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18/02/2012 - 17:42
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Cinema

Urso de Ouro em Berlim vai para 'César Deve Morrer', dos irmãos Taviani

O prêmio Alfred Bauer, de filme inovador, foi para 'Tabu', de Miguel Gomes, uma coprodução entre Portugal, Brasil e França rodada em preto e branco

Carlos Helí de Almeida
Cena do filme 'César Deve Morrer', dos irmãos Taviani, vencedor do Ouro de Ouro em Berlim

Cena do filme 'César Deve Morrer', dos irmãos Taviani, vencedor do Ouro de Ouro em Berlim (Divulgação)

O drama semi documental Cesare Deve Morire, dos irmãos Paolo e Vittorio Taviani, foi o grande vencedor do Urso de Ouro de melhor filme da 62ª edição do Festival de Berlim, encerrado no início da noite deste sábado. Rodado no interior de um presídio de segurança máxima de Roma, o filme acompanha um grupo de internos, alguns cumprindo pena perpétua, durante os ensaios e a execução da peça Júlio César, de William Shakespeare.

Outros filmes de temática social ganharam prêmios importantes, como Just The Wind, do húngaro Bence Fliegauf, sobre o massacre de ciganos no interior do país, que levou o Grande Prêmio do Júri, e Rebelle, de Kim Nguyen, sobre uma menina-soldado de 12 anos, que ficou com o troféu de interpretação feminina (Rachel Mwanza).

Presidido pelo cineasta britânico Mike Leigh, que faz um cinema de inclinação político-social, o júri deste ano contou ainda com o diretor iraniano Asghard Farhadi, a atriz e cantora francesa Charlotte Gainsbourg, o fotógrafo e desinger holandês Anton Corbijn, o realizador francês François Ozon, o escritor argelino Boualem Sansal, a atriz alemã Barbara Sukowa e o ator americano Jake Gyllenhaal.

A produção franco-suíça L’Enfant d’En Haut, de Ursula Meyer, sobre um menino que pratica pequenos furtos numa estação de esqui dos Alpes para sustentar a irmã, ganhou uma menção especial e um Urso de Prata especial. “Às vezes, há tantos filmes bons e tão poucos prêmios que alguns correm o risco de ficar fora da lista final. Foi por isso que criamos essa menção especial”, argumentou Mike Leigh.

O Urso de Prata de direção foi para Christian Petzold, autor de Barbara, sobre uma enfermeira vigiada pelo governo da Alemanha Oriental, nos anos 80. O Urso de Prata de interpretação masculina foi para o ator dinarmarquês Mikkel Bos Fosgaard, pelo drama de época Royal Affair. Dirigido por Nicolja Arcel, o filme também ganhou o prêmio de melhor roteito. O épico Bai Lu Yuan, do chinês Wang Quan’an, que recria os principais movimentos sociais do país no século 20 sob o ponto de vista de duas famílias, levou o prêmio de contribuição artística.

O prêmio Alfred Bauer, de filme inovador, foi para Tabu, de Miguel Gomes, uma coprodução entre Portugal, Brasil e França rodada em preto e branco. “Pensava que esta categoria premissa filmes inovadores, e não um um filme antiquado como o meu. Desculpem, o engano foi meu”, disse o diretor, fazendo piada.

Na categoria curta-metragem, o brasileiro Licuri Surf, de Guile Martins, sobre a relação de um íncio pataxó com o surf, ganhou uma menção especial. A disputa foi vencida por Rafa, do diretor português João Salaviza. “Esse prêmio é muito importante para nós, em Portugal, porque neste momento difícil que estavamos passando não sabemos qual o destino do nosso cinema”, disse o jovem diretor.


OS VENCEDORES

Filme: Cesare Deve Morire, de Paolo e Vittorio Taviani
Grande Prêmio do Júri: Just the Wind, de Bence Fliegauf
Direção: Christian Petzold, por Barbara
Atriz: Rachel Mwanza, por Rebelle
Ator: Mikkel Boe Fosgaard, por Royal Affair
Contribuição artística: Bai Lu Yuan, de Wang Quan’an, pela fotografia
Prêmio Alfred Bauer de filme inovador: Tabu, de Miguel Gomes
Roteiro: The Royal Affair, de Nicolaj Arcel
Menção especial: L’Enfant d’En Haut, de Ursula Meyer

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