17/02/2010 - 16:21
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Carnaval 2010

Unidos da Tijuca é a campeã no Rio pela primeira vez desde 1936

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(Getty)

A Unidos da Tijuca recebeu na tarde desta quarta-feira o título de Campeã do Carnaval das escolas do Grupo Especial do Rio em 2010. O último título da escola fora conquistado em 1936.

O resultado saiu após uma acirrada apuração de quesitos na qual a Grande Rio e a Beija-Flor de Nilópolis, que acabaram em segundo e terceiro lugares, figuraram como as maiores rivais. A Unidos do Viradouro foi rebaixada e, em 2011, vai ser substituída pela São Clemente, campeã do Acesso.

O desfile - Era segredo, mas funcionou. Intrigou e agradou o público a troca de figurinos em plena Sapucaí, como num passe de mágica. Esse foi o primeiro truque do carnavalesco da Unidos da Tijuca, Paulo Barros, logo na abertura do desfile na noite de domingo.

Conhecido por seu estilo ousado, o carnavalesco contou alguns dos mistérios da humanidade. E já no primeiro truque, agradou. O troca-troca de roupa surpresa das bailarinas da comissão de frente levantou o público e arrancou aplausos à medida que evoluía pela avenida. Um pano usado para encobri-las (num passe de mágica) revelava imediatamente um novo vestido, e depois outro e mais outro.

"Eu não faço enredo para causar polêmica, eu faço enredo para construir alguma coisa, para as pessoas se divertirem", defendeu-se minutos antes do desfile, cujo enredo simplesmente "É mistério".

Logo depois o público foi surpreendido com fumaça e "fogo". Era o incêndio da Biblioteca da Alexandria, representado no carro abre-alas chamado "E assim nasceram muitos segredos...".

A sucessão de mistérios viajou pelo "Fantasma da Ópera" e super-heróis representados por Batmans descendo em esquis e Homens-Aranha escalando uma imensa rampa. Não faltou o astro pop Michael Jackson, morto no ano passado. O cantor, interpretado por um destaque, estava à frente do carro que representava os contatos com alienígenas.

Na bateria, também houve inovação. O carnavalesco utilizou um elemento cenográfico - um carro típico da década de 30-- que atravessava entre os músicos, fantasiados de mafiosos. "Algumas pessoas até articulam, não vale a pena mexer na bateria... Vale, sempre vale para fazer um grande espetáculo", afirmou o carnavalesco, que deixou a avenida entusiasmado com o resultado.

Grávida de quase quatro meses, a apresentadora Adriane Galisteu desfilou como dama da máfia. "Uma mulher dos anos 30", disse Adriane, justificando o maiô que substituiu o tradicional estilo duas peças mais ousado das rainhas de bateria. Sobre os cuidados que deveria tomar ao sambar grávida, a apresentadora afirmou: "Meu médico diz que 'mamãe feliz, bebê feliz'".

Em busca de seu primeiro título e de volta à escola tijucana depois de três anos, o carnavalesco disse não temer julgamentos. "As pessoas me chamam de estrategista. Sou estrategista. Eu libertei, eu deixei sair o que me interessava", afirmou emocionado. Reconheceu, no entanto, que fica "muito triste quando algumas pessoas falam que isso não é Carnaval".

Confira a classificação e as notas:

1º Unidos da Tijuca - 299,90
2º Grande Rio - 299,40
3º Beija-Flor - 299,20
4º Vila Isabel - 298,10
5º Salgueiro - 297,90
6º Mangueira - 297,60
7º Mocidade Independente - 296,10
8º Imperatriz Leopoldinense - 295,80
9º Portela - 295,20
10º Porto da Pedra - 294,00
11º União da Ilha - 293,80
12º Viradouro - 290,50

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