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Sem sexo e álcool, o Big Brother perde força

Produção limita bebida e participantes se afastam do edredom. Resultado é um reality show pacato e com audiência em queda

Cecília Ritto
Yuri festeja o presente para os 'brotheres': com a festa desanimada, produção liberou mais garrafas - sem sucesso

Yuri festeja o presente para os 'brotheres': com a festa desanimada, produção liberou mais garrafas - sem sucesso (Reprodução)

Normalmente as festas têm doses de álcool capazes de embalar um pequeno bloco de carnaval. Mas desta vez a produção foi mais contida

Depois da polêmica da suspeita de abuso sexual dentro da casa do BBB, os participantes da casa e a produção vivem uma espécie de ressaca moral. E o resultado na audiência é imediato. Depois de alcançar um pico de audiência na semana em que Daniel foi expulso, considerado culpado pela Rede Globo no episódio do edredom com Monique, o Big Brother perdeu força – despencou da casa dos 30 pontos de audiência para 16, uma de suas marcas mais baixas. O que mudou na casa? Quem acompanha o pay-per-view, com direito a devassar as festas e as noites dos ‘brothers’, já sabe: os participantes estão mais cautelosos, mantêm distância do edredom e a produção fornece menos bebida – não necessariamente nessa ordem.

Desde o dia seguinte à expulsão de Daniel, o programa sente o baque. Os participantes se comportaram como se nada tivesse acontecido na casa, apesar da saída repentina do modelo. O clima das conversas ficou estranho, os BBBs amuados e a casa se comportava como uma eterna Quarta-Feira de Cinzas.

A prova de que os BBBs perceberam o problema foi a aversão ao edredom que se criou na casa. A festa burlesca armada pela produção para a noite de sábado bem que tentou. Mas os confinados não se animaram e quem estava em casa ficou com aquela sensação de “ainda bem que não fui convidado”.

Pouco depois da 1h, Renata, a loura que se envolveu com o bonitão Jonas, chorava pelos cantos. Jonas é um dos participantes que fez vídeos eróticos – o outro é Yuri – e faz sucesso com o público gay. Diante da ausência de cenas melhores, o chororô ganhou atenção das câmeras, e em vez de gente animada, quem pagou pelo pay-per-view foi obrigado a se divertir com João Carvalho, Rafa e Monique consolando a pobre moça.

Normalmente as festas têm doses de álcool capazes de embalar um pequeno bloco de carnaval. Mas desta vez a produção foi mais contida, deixou apenas um ‘cooler’ de bebidas para os 14 reféns do Projac. Mais uma vez, o Twitter entrou em ação, com telespectadores pedindo reforço na bebida. E mais uma vez a produção cedeu, mandando uma carga de garrafas às 2h.

O estrago já estava feito. Yuri, uma exceção no desânimo da casa, apareceu de cueca carregando a bebida. Ele e Laisa ainda conseguiram aproveitar, mas o resto da casa começou a se recolher nesse momento: às 2h30 os brothers já estavam de pijama, e caminhando para o edredom – desacompanhados.

A freada de arrumação no BBB sinaliza o que podem ser mudanças na forma que a Globo enxerga o programa. A exploração das insinuações de sexo e o clima de “liberou geral” estimulado nas festas tornaram-se, ao longo das 12 edições, em característica central do programa. Depois que a polícia bateu à porta do Projac e o público, nas redes sociais, repudiou os excessos do BBB, caiu a ficha: o reality show criou uma estranha dependência do apelo sexual. Se o diretor Boninho sabe como mantê-lo no topo da audiência sem a bebedeira e as cenas quentes do edredom, ainda não mostrou.

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