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Relançamento da discografia mantém Legião Urbana no posto de maior banda do rock brasileiro
25 anos depois de lançar o primeiro disco, grupo de Brasília ainda vende 250.000 cópias por ano
Dado Villa-Lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá, da Legião Urbana (Divulgação)
Carisma, talento e a atemporalidade de sentimentos juvenis como revolta, melancolia e busca de referenciais intelectuais garantem a permanência das músicas da Legião Urbana nos mp3 players e toca-discos, numa época caracterizada pela efemeridade
Outubro de 2010 marca os 25 anos do lançamento do primeiro disco da Legião Urbana e 14 anos da morte de Renato Russo, seu vocalista e líder. Neste mesmo mês, chegou às lojas a discografia da banda, relançada em três formatos: boxset, digipack e LP. É a embalagem mais caprichada que a Legião já teve, desde sua estreia, em 1985.
Existem dois pontos curiosos na efeméride. Primeiro, o relançamento de oito discos em versões tão luxuosas quanto dispendiosas – o box de CDs sai por 350 reais –, quando a indústria fonográfica está pelas tabelas, com vendas em queda por causa da concorrência da pirataria e da troca de músicas pela internet. Segundo, a aposta na banda, que acabou em 1996 e desde então lançou apenas sobras. Mas, em se tratando de Legião, isso tudo faz sentido.
Desde a morte de Renato Russo, vítima de complicações em decorrência da aids, em 11 de outubro de 1996, 4 milhões de discos da banda já foram vendidos, 250.000 deles só em 2009. Somando os dois discos solo do cantor, The Stonewall Concert Celebration (1994) e Equilíbrio Distante (1995), chega-se a 15 milhões de discos em 25 anos. A demanda acresceuntou um novo capítulo à história do grupo, cujos membros remanescentes, o guitarrista Dado Villa-Lobos e o baterista Marcelo Bonfá, se apresentaram em meia dúzia de shows-homenagem à banda.
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Nos três anos seguintes ao desaparecimento de Renato Russo, aos 36 anos, a média anual de discos vendidos da banda manteve-se em 500.000 cópias. O montante justificava-se em parte pelo clima de ‘religião’ que normalmente se segue à morte de nomes significativos da música pop. Foi assim com Kurt Cobain, para ficar entre contemporâneos – em 1994, aos 27 anos, ele deu um tiro na cabeça e alçou o Nirvana a um patamar acima do que havia atingido em vida: criou-se um culto em torno da banda.
A devoção ao Legião arrefeceu, como é normal com o passar do tempo. Mas a banda curiosamente permaneceu viva e, mais: consolidou-se aos poucos como um clássico do rock brasileiro, infiltrando-se nas gerações seguintes.
O que garante a permanência das músicas da Legião Urbana nos mp3 players e toca-discos, numa época caracterizada pela efemeridade de bandas e da informação, é algo sobre o qual as explicações se pulverizam. Críticos de música, vendedores de discos, produtores e executivos do mercado fonográfico apontam, entre os fatores, carisma, talento, algumas – apenas algumas – lufadas de genialidade e a atemporalidade de sentimentos típicos da juventude como revolta, melancolia e busca de referenciais intelectuais.
Amor e política - “Eu faço música para ser compreendido na Vila Rica do século 18 e em Nagoia, no século 21”. A frase é pretensiosa, mas não desprovida de sentido. Dita pelo vocalista Renato Russo ao jornalista Arthur Dapieve, numa das dezenas de conversas que mantiveram ao longo dos anos 1990, e que resultou na biografia Renato Russo – O Trovador Solitário, a sentença dá uma ideia do que distingue a Legião Urbana das demais bandas do rock brasileiro dos anos 1980.
Entoando versos baseados em dilemas juvenis imortais, que alternam protesto político e desilusões amorosas, Russo criou a senha para uma comunicação duradoura com jovens e adolescentes, o público que consome e alimenta o rock.
Opine: qual foi o melhor disco de rock brasileiro dos anos 1980?
“A juventude é um período conturbado para a maioria das pessoas. Você se sente feio, desajustado. Está procurando a ética que vai guiar a sua vida. A Legião falou de tudo isso como ninguém, pegou o jovem pela mão e deu conforto, abrigo”, teoriza Dapieve, para quem desde 1996, com o fim do grupo, apenas duas outras bandas se aproximaram da brasiliense: O Rappa, pelo viés político, e Los Hermanos, que cantaram o amor. Não havendo quem unisse as duas coisas, a vaga da Legião não foi preenchida.
A tese de Dapieve corrobora as impressões de Luiz Calanca, dono da Baratos e Afins, a loja de discos mais longeva de São Paulo, criada em 1978 na Galeria do Rock. “O perfil do jovem que comprava os discos da Legião nos anos 1980 não é muito diferente do que o que compra hoje. Ele tem maior carga intelectual. O que mudou foi o modo como o público conheceu a banda. Antigamente você via o show; hoje ouve pelo irmão mais velho ou sugerido pelo pai que viveu aquela época”, conta.
Não é tão exagerado falar em “carga intelectual”, mesmo que ela seja mais rasa do que se propõe. Se as pretensões artísticas da Legião, sobretudo de Renato Russo como compositor, eram demasiadas, dá-se um desconto e o que resta ainda é superior ao que foi produzido por seus pares – a analogia com emos e multicoloridos, que dominam a cena musical atual, é impossível.
Sem fazer concessões ao didatismo, Russo se divertia em obrigar o público a buscar compreender as suas músicas. Mencionou a embarcação nazista Andrea Doria, o destacamento de extrema-esquerda Baadar-Meinhof e a carta do Apóstolo Paulo aos Coríntios, cujos versos foram copiados em Monte Castelo, música do disco As Quatro Estações. Esmerado, Renato Russo não se deteve nas dores do amor e tratou também de política (nas favelas / no senado / sujeira pra todo lado, de Que País é Esse?), homossexualidade (teu corpo é meu espelho / em ti navego, Daniel Na Cova dos Leões) e alcoolismo (me embriaguei morrendo vinte e nove vezes, Vinte e Nove).
Carisma - “Depois daquele show em Brasília a chave virou. Ali eu percebi que a Legião era uma entidade, um negócio muito maior do que a gente havia planejado”, conta o guitarrista Dado Villa-Lobos, ao falar do fatídico show da banda em 1988 no estádio Mané Garrincha, com capacidade para 40.000 pessoas, e que no concerto abarrotou-se com pelo menos 10.000 a mais.
Provocada por Renato Russo, que vivia um período conturbado de envolvimento com drogas e consumo excessivo de álcool, a plateia sucumbiu ao tumulto. Pessoas se feriram e por pouco uma tragédia não encerrou a carreira da banda. “No dia seguinte, a gente só concordava com uma coisa: era preciso parar. Tudo tinha ido longe demais”, diz Marcelo Bonfá, o baterista.
Russo gostava de falar no palco – falava de política, chamava Xuxa de alienada, insinuava o homossexualismo em uma época em que isso não era assunto permitido. A capacidade de inflamar plateias garantiu que, em vida, ele mantivesse a Legião Urbana como a maior banda do rock brasileiro, se abstendo inclusive de bater ponto em programas de auditório na TV, roteiro comum a todas as demais bandas, que iam ao Chacrinha sem pudor.
O único grupo que suplantou a histeria de seus fãs foi o RPM, mas credite-se isso à liderança do galã de voz rouca Paulo Ricardo, diametralmente oposto a Russo, um desajustado melancólico, excêntrico e provocador.
Em vendas, porém, ninguém bateu os brasilienses. No início dos anos 1990, as quatro bandas da EMI que mais vendiam no mundo eram Beatles, Pink Floyd, Queen e a Legião Urbana. "Ninguém vê onde chegamos", cantaram eles em O Teatro dos Vampiros, do disco V. Chegaram longe demais, ao contrário do que diz a letra.


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Comentários
Everaldo
Legião é incomparavel. gostaria de saber como eu faso para completar a minha coleção, pois so falta o 14 eo 15 para terminar, porfavor respondam.
26.01.2012
rafael
Legião ta no sangue!
16.01.2012
Priscila
por favor, preciso de uma informação, faltou o vol. 10 desta coleção para mim, não consegui comprar em nenhuma banca da minha cidade. Como faço para conseguir compra-la? Obrigada
18.12.2011
Daniel lima
As minhas coleções de tudo que eu concegui da Legião esta bem guardada e aos poucos "tô" apresentando a minha filha de 6 anos que ja curti e canta " é preciso amar as pessoas como se não houvesse... " força sempre!
14.12.2011
suzana caspary
maravilhoso lançamento da editora , porém IMPOSSÍVEL de se comprar, pois não consigo encontrar os exemplares em nenhum jornaleiro...FRUSTRANTE.....só consegui após muito andar , o 1,2 e3....uma pena...
23.11.2011
André
Dizer que Sarcófago, Sepultura e Angra são bons concordo, mas afirmar que Legião é mediocre é de uma falta de conhecimento em Rock imensa, a começar que são estilos completamente diferente. Legião é, foi e será a maior banda de Rock que o Brasil já teve, assim como Raul é, foi e será o maios contor roqueiro que o Brasil já t(..)
14.11.2011
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Jose Flavio
Uma boa crítica, apesar de ser superficial e equivocada em alguns momentos, provavelmente porque quem a escreveu não entende plenamente o que é Legião Urbana ou fazer parte dela. Ela não chegou longe demais, chegou exatamente onde o talento desse gênio que era o Renato tornou possível e durou até o momento em que Deus o quis(..)
12.11.2011
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Andréa
Tenho 40 anos e um filho de 14 anos... o que eu e ele falamos é o mesmo: LEGIÃO NA VEIA!!!!!! Amo Legião Urbana. Cresci ouvindo suas músicas e chorei quando vi Bonfá e o Dado no Rock in Rio... achei que show foi curto demais, tinham que ter ficado mais tempo... Foi lindo mesmo!
17.10.2011
Marciel
Tenho 21 anos e dou graças a Deus por essa banda ter existido naum me vejo escutando essas porcarias de hj só me arrependo de não ter tido a oportunidade de ter acompanhado um show deles mas valew afinal ainda posso sentir como era um show deles e isso já é d++ mesmo valew
01.03.2011
Rafael R
Que falta faz o verdadeiro rock dos anos 80... hoje é tudo porcaria do showbizz... VIVA A LEGIÃO! Não deixemos morrer essa grande obra!
20.11.2010
Haly
Urbana Legio Omnia Vincit!
19.11.2010
Franklin
Eu acho incrível e absurdo alguém comparar o Rappa e os Los hermanos com a Legião. Só pode ser brincadeira ou provocação para gerar polêmica. A Legião é, e sempre será lembrada não pelo o que as pessoas ouviam esim pelo o que elas sentiam e sentem até hoje ao ouvir as suas músicas. Legio omna vinc (eu acho que é assim que se(..)
10.11.2010
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Eduardo da Silva
Está comprovado que tudo o que tem qualidade é atemporal. A legião teve muita destreza para expressar em letras e canções tudo o que a juventude sentia, mas não consguia demonstrar com palavras. Espero que os trabalhos desta magnífica banda sejam uma herança passada de geração para geração, pois é raro no cenário musical enc(..)
07.11.2010
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Eduardo
Nossa, realmente Legião foi e continua sendo muito bom! Uma inspiração à todos os jovens do mundo! Nunca vou parar de escutar as músicas desses que eu considero verdadeiros artistas!
05.11.2010
Junior Henrique
O sucesso no Brasil continua incomodando muita gente, como já constatara Tom Jobim, também vítima desta inveja despeitada. Depois de mostrar que a Legião continua vendendo muito, mesmo após seu fim, o jornalista tenta justificar o culto à Legião como algo vazio, sem razão de ser, para isto cometendo comparações absurdas com (..)
05.11.2010
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Bruno Uchôa
É uma pena que apenas nomes medíocres como Legião Urbana sejam lembrados como ícones do rock brasileiro. Bandas como Sepultura, Sarcófago e Angra são esquecidas pelo povo brasileiro e amadas no exterior.
02.11.2010
batista
EU AMO ESSA BANDA, EFALO PARA TODOS DO MEU AMOR.LEGIÃO URBANA SEMPRE......
01.11.2010
adergilsonf monte
alegiâo urbana e uma banda muito emcrivel
01.11.2010
Tarciso Antonio Silva
Tenho 52 anos, sou fã do Legião Urbana desde seu surgimento, o forte da banda está nas letras do Renato, elas serão atuais até daqui a 100 anos. Legião Urbana é infinito.
01.11.2010
Franciele Mara Ramalho
Ao contrário dessas bandinhas multicoloridas que não querem dizer nada com nada, apenas de como seria o mundo sem suas calças do Tiririca, Renato Russo nos faz refletir e procurar entender o que está acontecendo, nos faz querer manifestar e dizer que tudo está errado! tenho 17 anos e ouço Renato, desde... Bom, acho que desd(..)
01.11.2010
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Pablo
Parabens pelos excelentes comentátios!!!
01.11.2010
Maria Luisa F
Tenho 17 anos, e escuto legião urbana, desde o meus 10, na verdade tive o meu primeiro contato aos 7, quando um vizinho chegou na nossa rodinha de amigas, e cantou a música Faroeste Caboclo, acredite eu me arrepiava! achei aquele letra o máximo e achei até que era dele,não tinha noção que existia a Legião Urbana, anos após e(..)
01.11.2010
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@FelixZiul
Comecei a escutar legião em 98 quando tinha 11 anos e desde lá ñ parei mais... o q + me impressiona na Legião é a indentificação com as letras das musicas, muitas vezes melancolicas, agresivas, romanticas... atuais Quantas bandas dizem: "Parece cocaina, mas é só tristeza" divago
01.11.2010
Rosileide dos santos
na minha opnião legião urbana continua sendo a maior banda de todos os temppos ela me faz lembhrar de fases conturbadas em minha vida.
01.11.2010
Allan Couto
Quando se quer ilustrar a politica do país com uma música se toca "Que país é esse". Qual outro cantor tem uma música assim em sua discografia? Nenhum. Ninguém sai do marasmo e da mesmice do "eu te amo você quando você não me quer". Enquanto os pequenos cantores cantam músicas "amorosas cornalescas", Renato cantava sobre tod(..)
01.11.2010
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claudio
LEGIAO CONTINUA MAIS ATUAL QUE NUNCA,ELES AINDA FALAM O QUE PENSAMOS E SENTIMOS.
31.10.2010
euclides
o país precisa de mais uma "legião urbana", renovando o talento, genialidade e coragem na expressão musical quando fala diretamente ao público jovem e assim, quem sabe, desperta-los para as questões tema da banda: amor e política
31.10.2010
Renato Meneses
São fenomenais. Minha geração é grata à Legião Urbana. Renato Russo o GRANDE!
31.10.2010
Lutemberg
Esses caras eram fora de série. Pena que a juventude alienada de hoje curte essas bandas sem conteúdo, tipo cine, restart, etc., quando poderiam estar ouvindo um rock de qualidade sonora e literal. Omnis vincit
31.10.2010
César Pinheiro
Sempre amei Legião Urbana, todos os discos, as fitas piratas negociadas de todo o país, enfim...minha religião urbana. Agora, espero meu filho completar uma idade em que ele compreenda o sentido disso tudo e compartilhe com ele tudo o que tenho e compre essas caixas lindíssimas. Legião pra sempre. Urbana Legio Omnia Vincit
31.10.2010
Adriano Zuba Braga
Lendo um livro sobre R. Russo, e me informando mais sobre a trajetória da banda, vejo que ela permanece universal em muitos aspectos.
31.10.2010
francisco solano da silva
legião urbana é a maior banda de todos os tempos,hoje não tem uma banda com letras que falam de politica amor juventude,legião é sem dúvida a maior banda.
31.10.2010
Edson Magoolin
Assim como em vendas, a Legião Urbana será eternizada por fãs de boa melodias, rimas e poesia. Urbana Legio Omnia Vincit
31.10.2010
Bruno Peralva
Eu não sou do tempo dessa banda, mas só de ouvir as músicas dela posso sentir o som libertador que elas tem.
31.10.2010
werner m. a.
Contraditório, no mínimo,comparando-se os números da Legião e a superficialidade da resenha apresentada.Sugiro ao jornalísta que ouça no volume máximo as canções do poeta R.Russo,deixe a arte te tocar,reflita,sofra,aperfeiçoe e busque mais espaço para expressar os frutos gerados pela experiência.É uma questão de experimentaç(..)
31.10.2010
| Ler Mais
renato luiz soares
eu nasci em 1982 ano em que a legião urbana começou, não fui em nenhum show, mas me identifiquei muito com as letras das musicas. sinceramente é a maior banda de rock que o Brasil ja teve
31.10.2010
Danilo
Viva a Legião!!!
31.10.2010
livia
da-lhe Legiaaaaaaaaao ! os melhor de todos os tempoooos!
31.10.2010
Derico
E saber que o bastão do rock brasileiro está atualmente nas mãos de bandas como o Restart e Cine... Cruz, credo!
30.10.2010
Fábio Battistoni
Renato Russo não era perfeito, mas quem é? Porém ele fez algo que poucos fazem hoje, desafiou a indústria do entretenimento pop por acreditar no que fazia. Salve Legião.
30.10.2010
Nilson Nunes
Uma banda primorosa, pena que como Renato disse em uma de suas músicas "É tão estranho, os bons morrem jovens..." Ele era bom na música, até demais se comparado com as porcarias atuais, mas era alto destrutivo, por isso se esvaiu...
30.10.2010
Rafael Lima
Renato é e sempre será único, à frente do seu tempo e eterno na sua voz.
30.10.2010