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Porta dos Fundos faz humor 'a sério' em seriado sobre aids

Websérie produzida por Fábio Porchat e companhia, ‘Viral’, pretende quebrar tabus em relação aos portadores do vírus HIV

Rafael Costa
  • Cena da minissérie 'Viral' do Porta dos Fundos

    Gustavo Chagas/Divulgação

  • Cena da minissérie 'Viral' do Porta dos Fundos

    Gustavo Chagas/Divulgação

  • Cena da minissérie 'Viral' do Porta dos Fundos

    Reprodução / YouTube

  • Cena da minissérie 'Viral' do Porta dos Fundos

    Gustavo Chagas/Divulgação

  • Cena da minissérie 'Viral' do Porta dos Fundos

    Gustavo Chagas/Divulgação

  • Bastidores da minissérie 'Viral' do Porta dos Fundos

    Gustavo Chagas/Divulgação

  • Bastidores da minissérie 'Viral' do Porta dos Fundos

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  • Bastidores da minissérie 'Viral' do Porta dos Fundos

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    Gustavo Chagas/Divulgação

  • Bastidores da minissérie 'Viral' do Porta dos Fundos

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Fazer humor com tema sério não é tarefa fácil, bem o sabem os integrantes do grupo Porta dos Fundos: a trupe divide opiniões na mesma velocidade em que acumula milhões de visualizações em seu canal do Youtube. E o grupo já se prepara para possíveis controvérsias em relação à websérie Viral, que será lançada próximo sábado, dia 5, às 19 horas, em seu canal oficial. O tema dos quatro episódios da série, cada um com quinze minutos de duração, será a aids. Lançados semanalmente, os episódios narrarão a história de Beto, interpretado por Gregório Duvivier. Após descobrir que é portador do vírus HIV, o protagonista decide procurar as últimas oito mulheres com quem teve relações sexuais para dar a notícia e tentar descobrir quem é a possível transmissora. Em entrevista ao site de VEJA, o humorista Fábio Porchat avisa: o roteiro da série não vai debochar do doente, mas sim do preconceito e da ignorância que o tema ainda provoca.  

Para não cometer erros, a equipe fez uma longa pesquisa e procurou especialistas na doença. “Consultei uma médica, que leu os textos e os aprovou, disse que não viu nada de desrespeitoso”, conta Porchat. “O humor é para ser levado a sério. Quando a pessoa ofende e diz: ‘É só uma piada’, eu acho que é tirar um pouco o corpo fora”, completa. A iniciativa também acabou por integrar uma parceria com o Grupo Abril na campanha Atitude Abril- Aids, cujo lema é "Desinformação tem cura". "Foi incrível descobrir que o Porta dos Fundos também estava se engajando na luta contra a aids. Vimos que tínhamoscomo juntar forças, pois embora com focos diferentes, temos o mesmo objetivo: Chamar a atenção das pessoas para o tema de uma forma séria, porém leve e, porque não, divertida", afirma o o assessor da presidência executiva e membro do comitê do projeto, João Ricardo de Abrahão. 

O processo de pesquisa faz parte do cotidiano do roteirista, que, por exemplo, estuda a Bíblia antes de fazer um texto com temática religiosa. Dessa vez, porém, o cuidado foi redobrado. Mesmo assim, o grupo espera críticas. “Como qualquer vídeo nosso, seja sobre aids, sobre política, sobre término de namoro, vai ter gente que vai gostar e gente que não vai gostar”, diz Porchat.

O primeiro ponto levantado no texto foi o distanciamento dos clichês que rondam a doença, como o fato do personagem principal não ser caracterizado pela magreza extrema e saúde debilitada. Na série, o personagem de Gregório é barbudo e visivelmente saudável. “Hoje em dia a pessoa com aids vive normalmente, diferentemente do que acontecia há vinte anos, quando você estava praticamente condenado à morte”, diz Porchat. Para se preparar para viver o protagonista, Gregório conversou com portadores do vírus e assistiu a filmes com o tema, como o indicado ao Oscar Clube de Compras Dallas, em que o ator Matthew McConaughey faz o papel de um soropositivo na década de 1980.

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Críticas – Há mais de um ano na internet, o grupo já foi alvo de críticas variadas. Entre elas estão a de grupos religiosos, caso do deputado Marco Feliciano, que ameaçou entrar com uma ação judicial após a divulgação do vídeo Especial de Natal.  

Em um episódio mais dramático, Porchat chegou a ser ameaçado de morte após satirizar uma abordagem policial no vídeo Dura, mas minimizou o caso que, segundo ele, teve uma repercussão maior do que realmente deveria. “Um cara escreveu um texto em um blog fazendo apologia ao crime e, uma semana depois, esse blog já tinha saído do ar”, afirma o humorista. “Acho que só quem não gostou do vídeo foram os policiais corruptos. De resto, todo mundo se divertiu.”

Os percalços, no entanto, não alteraram a produção do canal, que lança vídeos inéditos em seu canal todas as segundas e quintas-feiras, nem os projetos pessoais de seus integrantes, que são presença constante no cinema, na TV, na música e na publicidade.

Próximos projetos – Viral servirá como experiência para o Porta dos Fundos, que planeja lançar mais três webséries a partir de agosto. Os temas, no entanto, não foram revelados. Para a Copa do Mundo, Porchat, Gregório e companhia planejam esquetes semanais sobre futebol, que vão ao ar a partir do primeiro sábado do evento esportivo. Já no período de eleições, os políticos devem se preparar para encarar a acidez dos cariocas, que prometem uma cobertura um tanto quanto irônica e, claro, do tipo que segue a máxima: rir de coisas sérias, para não chorar.

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