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07/02/2012 - 23:48
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Artes plásticas

Obra de Candido Portinari é encoberta em exposição

Para montagem da exposição dos painéis 'Guerra e Paz', de Candido Portinari, o mural 'Tiradentes', feito pelo artista em 1948, fica escondido atrás de tapumes

Mariana Zylberkan
 

Exposições

Painéis 'Guerra e Paz' de Candido Portinari são expostos após restauração

Pela primeira vez, os painéis do pintor brasileiro estão em São Paulo, no Memorial da América Latina

Pela primeira vez, os painéis Guerra e Paz, considerados, literalmente, a obra-prima de Cândido Portinari, são expostos em São Paulo. Os murais de 14 metros de largura e 10 metros de altura estão expostos à visitação pública no Memorial da América Latina, após permanecerem mais de 50 anos no hall de entrada da Assembleia Geral da ONU, ao qual têm acesso apenas pessoas autorizadas. A exposição, embora seja motivo de comemoração, teve um gostinho de decepção para os fãs mais apaixonados de Portinari na abertura, nesta terça. O motivo? Os tapumes e refletores de luz montados para compor a cenografia da exposição acabaram por esconder o painel Tiradentes, criado por Portinari em 1948.

A representação de cenas e personagens da Inconfidência Mineira inspirou Oscar Niemeyer a projetar o Salão de Atos Tiradentes, no Memorial, espaço dedicado exclusivamente a abrigar o painel. Por causa desse espaço, João Candido Portinari, filho do pintor e curador da exposição, preferiu levar Guerra e Paz para o Memorial da América Latina e não para a Oca, no Parque do Ibirapuera. Na busca de mais espaço para o público, porém, Tiradentes acabou relegado a segundo plano. “Tiradentes está aqui permanentemente, o público pode contemplá-la quando quiser", explicou João Candido. "A configuração da sala foi pensada dessa forma para abrir mais espaço aos visitantes, porque a lotação é de 150 pessoas. Além disso, fomos obrigados a esconder obras de Caribé e Poty, amigos do meu pai, então achei justo também tapar uma obra de Portinari", completa o curador. 

A decisão pareceu não incomodar o público que foi ao Memorial nesta terça. “Fiquei muito surpresa com o tamanho dos painéis e também muito agradecida por poder vê-los”, diz a empresária Simone Schapira Wajman, de 47 anos, acompanhada da filha Delane, de 21 anos.

O gesto de agradecimento da visitante se deve à verdadeira batalha enfrentada por João Candido Portinari em trazer Guerra e Paz para o Brasil. O filho do pintor conta tenta mostrar os painéis ao público brasileiro desde 2002, quando foi comemorado o centenário de Candido Portinari. O que parecia impossível se tornou viável quando Portinari ficou sabendo que o prédio da Onu passaria por uma grande reforma, em 2010. “Os painéis são um grito brasileiro que estava invisível”, diz o filho do pintor.

Em contrapartida ao empréstimo, a Onu exigiu a restauração dos painéis, que foi realizada entre fevereiro e maio de 2011 no Rio de Janeiro. Após passar por São Paulo, Guerra e Paz deve seguir para Oslo, Tokyo, Pequim e Argentina. 

Sofrimento e plenitude nos painéis 'Guerra e Paz'

Infância do pintor e dor de uma mãe que perde o filho serviram de inspiração para Portinari 

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Infância

O garoto entretido com seu brinquedo é uma das imagens da infância de Portinari que integra o painel Paz. Tons pastéis e lembranças de criança representam a plenitude para o pintor.


Público diverso - A sala onde estão expostos os painéis Guerra e Paz, no Memorial da América Latina, não chegou a lotar no primeiro dia de abertura ao público, que se mostrou bem diversificado. Crianças, jovens, casais, estudantes de artes plásticas e idosos se  misturavam às equipes de TV no espaço entre as obras. "Trouxemos as crianças pela singularidade do evento. Eles logo identificaram o painel da paz e o da guerra", diz a psicóloga Flavia Ribeiro Meneghini, de 44 anos, ao lado da amiga Lilian Lambert que levou os filhos com idades entre 4 e 11 anos.

O mesmo impacto diante da obra foi sentido pela pedagoga Lucilene Bergamo, de 40 anos, que veio de Brodowski, cidade-natal de Portinari, para ver os painéis. "Eu me arrepiei toda. É incrível. Achei que nunca veria isso", diz ao lado do marido, Luiz Antônio Bergamo, diretor administrativo da Associação Cultural de Apoio ao Museu Portinari.  

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Manoel Claudio Vieira

Brasil é mesmo um pais maravilhoso pelas pessoas nascidas em seu leito; apesar de ter uma educação aos trancos e barrancos, Portinari mostrou a força do 'berço' e como os grandes genios mostrou o quanto foi capaz de progredir aprimorando a arte que tinha em si. Volta e meia me pergunto porque certas pessoas progridem tanto (..)

08.02.2012

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