Novelas
 
12/02/2012 - 00:20
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Televisão

Novelas: mocinhas alfa X machos beta

Elas mandam e desmandam nos relacionamentos, evitam a linha dramática e deixam os homens desnorteados. Elas são as heroínas românticas, mas autossuficientes. Eles, os mocinhos acuados diante de tanto poder

Mariana Zylberkan
Ana (Fernanda Vasconcellos) em A Vida da Gente

Ana (Fernanda Vasconcellos) em A Vida da Gente (Divulgação)

A cadeia evolutiva da teledramaturgia deu origem a um novo tipo de par amoroso. Num ecossistema em que as mocinhas eram, por definição, as presas, elas têm se tornado predadoras devido a uma mutação comportamental que, em contraponto, gerou uma nova espécie de mocinho. Mulheres alfa e machos beta inverteram os papéis no habitat natural da conquista. Enquanto elas exercitam a sua independência sentimental, eles, no lado oposto, ficam acuados diante de tanta determinação e autossuficiência. 

Atualmente, se encaixam no perfil das mocinhas alfa as heroínas românticas Griselda (Lília Cabral), Patrícia (Adriana Birolli) e Amália (Sophie Charlotte), de Fina Estampa, assim como em Ana (Fernanda Vasconcellos) e Manu (Marjorie Estiano), da também global A Vida da Gente. Personagens de horários e autores diferentes, as cinco têm em comum uma atitude independente em relação aos homens. Elas mandam e desmandam nos relacionamentos, colocam suas vontades em primeiro lugar e fazem dos parceiros figuras distantes daquele ideal de masculinidade dos contos de fada. Elas são as mocinhas alfa da teledramaturgia.

Como consequência dessa atuação decidida das personagens femininas, os mocinhos têm parecido verdadeiros bananões. Guaracy (Paulo Rocha), por exemplo, é quase uma moça em apuros perto de Griselda, sem saber o que fazer com as negativas da amada. O português nunca conseguiu convencê-la a deixar um pouco de lado a dedicação aos filhos e viver um romance a seu lado. Mesmo depois de rica, a mocinha de Fina Estampa só abriu mão da solidão porque quis, quando se deixou envolver por René (Dalton Vigh). Porque quis e quando teve certeza de que não havia dor-de-cabeça pelo caminho: René já estava separado de Tereza Cristina (Christiane Torloni).

“Guaracy sempre amou Griselda, mas ela, por ter renunciado à vida amorosa para criar os filhos, nunca o considerou mais que um amigo”, diz o autor de Fina Estampa, Aguinaldo Silva, que adianta o possível final da trama. “Essa ‘amizade’ criou uma cumplicidade entre os dois que, na verdade, é amor. Para mim, se o telespectador não se manifestar, Griselda acaba a novela com Guaracy.”

Patrícia e Amália, outras mocinhas da novela das nove, tinham tudo para entrar na linha das personagens insuportáveis que só choram e miam a novela toda, mas se tornaram destemidas integrantes do time das mocinhas-alfa. Toda a docilidade de Amália desapareceu quando ela descobriu que o namorado Rafael (Marco Pigossi) havia mentido e escondido o seu caso com Zuleika (Juliana Knust), bem como o hábito de roubar peças da oficina em que trabalhava. Ela sofreu, mas se manteve fria, mesmo tendo certeza de que ainda o amava. “Amália é uma moça muito correta. Ela jamais aceitaria Rafael de volta, se ele não mudasse. Havia um limite entre amor e valores”, diz a atriz Sophie Charlotte.

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Griselda, Fina Estampa

Griselda (Lília Cabral) sempre recusou engatar um romance com Guaracy (Paulo Rocha) em nome dos filhos. Ela assumiu uma vida solitária até ficar rica e cair de encantos por René (Dalton Vigh). Mesmo apaixonada, ela segurou a onda até o chef terminar de vez o casamento com Tereza Cristina (Christiane Torloni). Ela não se deixou sacudir nem mesmo quando René lhe deu um fora. Griselda ficou arrasada, mas não cogitou nem por um instante se arrastar aos pés do ex em busca de perdão.

Patrícia também não se rendeu aos apelos do coração e seguiu firme em sua decisão de manter distância de Antenor (Caio Castro), que bolou uma farsa tipicamente folhetinesca, fingindo ser rico para se casar com ela. “Ela não aceitava certas atitudes do Antenor, por isso relutou tanto tempo em voltar com ele”, diz a atriz Adriana Birolli.

Machos beta – Até reconquistar as suas respectivas, Rafael e Antenor perderam as estribeiras. Rafael, por exemplo, ficou desempregado, foi preso e só assumiu o equilíbrio novamente quando voltou para o lado de Amália.

Outra vítima das mocinhas alfa foi Rodrigo (Rafael Cardoso), de A Vida da Gente. Ele sofre logo na mão de duas, coitado: as irmãs Ana (Fernanda Vasconcellos) e Manu (Marjorie Estiano). Chega a dar dó das caras feitas pelo ator Rafael Cardoso na novela. Parece que ele está sempre doente, suando frio. Numa cena recente, Rodrigo amanheceu de ressaca na casa da irmã após afogar a sua fragilidade numa noitada etílica. A bebedeira foi consequência da descoberta de que Ana, seu amor de infância e mãe de sua filha Júlia, vai se casar com Lúcio (Thiago Lacerda). Para piorar, no mesmo dia, ele conheceu Gabriel (Eriberto Leão), namorado de Manu, com quem se casou quando Ana estava em coma, devido a um grave acidente de carro. “As duas lá, tocando suas vidas, e parece que eu fiquei aqui, num quarto sem porta”, lamentou o personagem no capítulo da última quarta.

Girl power – Mulheres determinadas são recorrentes em novelas desde a década de 1970, quando a emancipação feminina era uma nova bandeira social. A diferença é que, hoje, elas não sobressaem apenas por assumir uma atitude  independente. É como se seu poder já fosse visto de maneira natural. “As mocinhas conquistaram mais poder de escolha, sem que isso seja considerado uma transgressão”, diz Mauro Alencar, doutor em teledramaturgia brasileira e latino-americana pela Universidade de São Paulo (USP) e Academia de Artes e Ciências da Televisão de Nova York.

A proliferação das mocinhas-alfa no horário nobre é indício também de uma nova postura do público diante das heroínas românticas. “A heroína frágil, chorosa e hesitante está caindo em desuso. O galã impoluto, aquele acima de qualquer suspeita, também está praticamente em extinção. A rejeição a este tipo de personagem, maniqueísta ao extremo e desprovido de nuances, costuma ser grande nos grupos de discussão promovidos pela TV Globo. Daí, a relutância de alguns autores em continuar apostando neles”, diz André Bernardo, autor do livro A Seguir, Cenas do Próximo Capítulo.

Mocinhas que assumem as rédeas da vida amorosa, além de ser tendência nas novelas, também refletem uma realidade sociial. Livres de barreiras externas, como o preconceito social diante da solteirice ou da separação, e com caminhos abertos no mercado de trabalho, as mulheres tomam decisões pautadas pela razão - e não por fantasias - em seus relacionamentos.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a mulher é quem toma a iniciativa de terminar o casamento em dois terços dos casos de separações litigiosas. “Para a mulher, é mais danoso permanecer em um mau relacionamento. Elas sofrem reações físicas e psicológicas, enquanto os homens conseguem empurrar com a barriga. Eles tendem a agregar parceiras em suas vidas em vez de subtrair”, diz o psicólogo Ailton Amélio da Silva, autor dos livros Relacionamento Amoroso, Para Viver um Grande Amor e O Mapa do Amor.
 

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eduardo andrade cyrino nogueira

antigamente nás novela de epoca que mandava era os pais e os homens prometidos a ele e fazia e defazia dela traia tratava feito judas nas novela como escrava isaura e sinha moça nás novelas modernas de agora as mocinha e heroinas de agora ela tomão o poder da situação como nanda ,ana,manu de a vida da gente e griselda ,amal(..)

25.02.2012

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Arilda

Fala serio. Vivo no exterior e estive recentemente no Brasil. Nao vou entrar em detalhes sobre o fato que aparentemente a populacao em geral perdeu muito a educacao. E'excecao encontrar pessoas que sabem dizer "muito obrigada", "por favor", "desculpe", etc. O que eu acho disso? As novelas no Brasil ditam comportamentos. Sao(..)

12.02.2012

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Petra Ramos Guarinon

Na verdade, o homem tem tido sempre um papel de coadjuvante, pelo menos na literatura. Vejam só os contos de fadas, as histórias giram em torno das princesas, e aí, no final o príncipe chega pra "salvar a coitadinha". Salvar do que? Uai, de ficar solteira. Tá, e as novas princesinhas, na atualidade, se casam, tem filhos, um (..)

12.02.2012

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joana

É interessante ver que as mocinhas das telenovelas atuais têm mais atitudes que suas antecessoras. A novela, a princípio é um reflexo da realidade, hoje em dia o número de casas onde a mulher é chefe de família aumenta significativamente. A mulher reagiu aos acontecimentos ao seu redor e tomou as redeas de sua vida. Particu(..)

12.02.2012

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JulioK

Tivemos uma década de crise(anos 80) e isto gerou menor nascimento de homens e menor número de filhos. Muitos casais tiveram apenas um filho e a maioria mulher (vide censo). criaram essas meninas para assumirem responsabilidades e isto explica, em muitos casos, o que acontece hoje no Brasil que já aconteceu em outros países(..)

12.02.2012

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Lämarão

As novelas são assim: Mulheres: fortes Homens: fracos Ricos: do mal Pobres: do bem Liberais: do bem Conservadores: demônio

12.02.2012

marco mion

Porque será que a Ana da novela Vida da Gente aparece de vermelho na novela inteira, em todos os capítulos desde o primeiro!!!

12.02.2012

Tomas Bottel

No Brasil apenas 3% da população vive só. Nos países desenvolvidos, de 30% a 50%. Resultado dessa "liberação feminina na mídia" que esta apenas começando por aqui.Pra mim isso é ótimo, não to querendo casar e tenho imóveis alugados. Futuro com festinhas e grana garantido. Melhor estraga...

12.02.2012

Alexd

O último parágrafo contradisse tudo o que foi dito anteriormente na matéria: "Elas sofrem reações físicas e psicológicas, enquanto os homens conseguem empurrar com a barriga".

12.02.2012

 

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