Artes Plásticas

Nova galeria em São Paulo mira na democratização da arte

A Carbono, inaugurada nesta terça-feira, oferece obras feitas em edições, ou seja, com mais de uma peça. Ideia é tornar a arte mais acessível

Meire Kusumoto
'Como Imprimir Sombras', obra de Waltercio Caldas em exposição na Carbono Galeria

'Como Imprimir Sombras', obra de Waltercio Caldas em exposição na Carbono Galeria (Pedro Andrada/VEJA)

Oferecer arte contemporânea de qualidade, criada por nomes consagrados, por um preço acessível àqueles que desejam começar ou ampliar uma coleção. Esse é o desejo que levou as colecionadoras Ana Serra e Renata Castro e Silva a abrir a Carbono Galeria, em São Paulo, que abre as portas nesta terça-feira e tem como foco os múltiplos de arte, com peças que não são únicas, o que diminui o valor, mas mantém a essência e a qualidade. Para a curadora Ligia Canongia, responsável pela exposição Múltipla de Múltiplos, que inaugura a casa, as obras feitas em edições cumprem o papel político de ampliar o público que consome arte.

O projeto da Carbono, idealizado e executado em apenas seis meses, foi a forma que as galeristas encontraram de explorar um nicho no mercado brasileiro de arte, o do novo colecionador, em geral jovem, que começa a consumir arte. “Como são feitas em edições, o custo de produção das peças é reduzido e mais acessível a quem ainda não tem um grande acervo”, disse Ana Serra ao site de VEJA. Ligia concorda: “Elas podem penetrar em camadas que a obra única não penetraria, podem acessar camadas menos abastadas da população”.

A diferença de preços é evidente. Uma pintura do paulistano Paulo Pasta, por exemplo, é estimada em 300.000 reais no mercado, já um múltiplo de sua autoria beira os 5.000 reais, na Carbono Galeria.

De acordo com Ana, que faz parte do conselho do Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro, o múltiplo passa longe de ser considerado menor na arte, desde que seja feito com qualidade. “Os artistas que vamos vender são todos consagrados, com trabalhos bem feitos e uma curadoria cuidadosa.” Para ela, é uma maneira também de investir em um mercado que cresce no Brasil, o de arte contemporânea. Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Arte Contemporânea (Abact) feita com 32 galerias brasileiras entre 2011 e 2012 revelou que o volume de negócios do setor cresceu 44% em dois anos, com vendas domésticas e exportações.

Múltipla de Múltiplos – A primeira exposição da galeria está dividida por três salas contíguas na Carbono, sem organização cronológica, por material ou tendência estética. A intenção da curadora Ligia Canongia era apresentar a ideia de multiplicidade já na distribuição das peças, tão diversas entre si. Com 30 obras – 25 inéditas, feitas com exclusividade para a galeria – de 20 artistas contemporâneos brasileiros, há desde uma gravura do artista plástico Paulo Pasta até uma escultura de Waltercio Caldas.

“Quis diversificar ao máximo o número de artistas, linguagens, materiais e suportes para que a exposição acompanhasse o vetor de multiplicidade proposto pelo espaço”, disse a curadora ao site de VEJA. As obras estarão disponíveis na Carbono até o dia 26 de maio, de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h, e aos sábados, das 11h às 15h. A galeria fica na rua Joaquim Antunes, 59, Jardim Paulistano, São Paulo. As peças poderão ser adquiridas também na loja virtual da galeria, com inauguração prevista para abril. 

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