23/06/2010 - 08:51
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Cinema

Liya Kebede, uma top model engajada

João Marcello Erthal
Liya Kebede interpreta Waris Dirie em 'Flor do Deserto'

Liya Kebede interpreta Waris Dirie em 'Flor do Deserto' (Divulgação)

Liya Kebede conheceu tanto as dores da África quanto o brilho das passarelas. Ninguém mais indicada do que a top model para viver, no cinema, a comovente história de superação da somaliana Waris Dirie - que em 1997 chocou o mundo da moda com a revelação de que, quando criança, havia sofrido mutilação genital por ordem da própria mãe, em uma aldeia muçulmana na Somália.

Também negra, também modelo internacional, a etíope Liya interpreta Waris em Flor do Deserto, com estreia no Rio e em São Paulo na próxima sexta-feira. O filme merece ser assistido pela simples razão de contar uma história que, por mais que possa chegar com distorções à tela, arranca lágrimas e indignação da plateia.

A despeito dos clichês de "gata borralheira" que a trama adquire nas telas, Liya encarna a personagem com facilidade e sem excessos que poderiam empurrar o filme para a pieguice. Liya, no entanto, tem uma atuação na vida real bem mais notável do que em suas três incursões pelo cinema. Ela está, por exemplo, na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2010, elaborada pela revista Time.

À frente da Fundação Liya Kebede, a modelo se dedica, no momento, a peitar os líderes do G8 a destinar e especificar em seus programas de ajuda aos países subdesenvolvidos mais recursos para a saúde de gestantes e recém-nascidos. "Não estamos falando de mortes por doenças desconhecidas. Mulheres e crianças estão morrendo por causas como infecção, problemas de parto que uma visita a um médico resolveria. Isso é inaceitável no mundo de hoje", protesta, apoiada, em seu site, por uma lista de estrelas, como Annie Lennox, Celine Dion, Naomi Campbell, Scarlett Johansson, Minnie Driver e Judi Dench.

Repercussão - As credenciais que acumula como filantropa levam Liya a acreditar no poder que Flor do Deserto terá para conscientizar o público sobre a atrocidade das mutilações genitais. Apesar de reconhecer que a população mais pobre dos países muçulmanos pode não ter oportunidade de ver o filme, a atriz descreve uma première improvisada em praça pública no Jibuti - país pobre no nordeste da África onde persistem as mutilações. "Gravamos num lugarejo no Jibuti, onde as pessoas sequer sabiam o que era uma câmera. Quando mostramos o filme, muitas mulheres mutiladas ficaram felizes de saber que alguém está falando sobre isso. Entre os homens, havia os que não davam importância ao assunto porque as extirpações acontecem apenas entre mulheres", conta.

Liya fez uma visita relâmpago ao Brasil. Durante três dias, deu entrevistas e lançou o filme em São Paulo e no Rio de Janeiro. Na tarde de terça-feira, diante do mar revolto e de uma chuva fina e fria que caía no Leme, na zona sul, a modelo lamentou não ter tido tempo de conhecer a cidade num dia de sol. Apesar dos elogios às duas maiores cidades brasileiras - São Paulo, pelos restaurantes, e Rio, "pelo que vi quando pousei" -, a modelo leva do Brasil uma decepção. "Imaginei que, por ter tantas pessoas bonitas de diferentes tipos, o cenário na moda pudesse expressar a diversidade. Em vez disso, o que vi por aqui foi a mesma repetição de padrões de beleza, com poucos modelos negros. Fiquei desapontada."

O filme - Só por ter fugido da família aos 13 anos, atravessado o deserto a pé, morado na rua em Londres e conquistado o mundo da moda como modelo internacional, Waris Dirie mereceria um filme. Mas, em 1997, no auge da carreira, a somaliana cujo rosto já se tornara conhecido em capas de revistas e em campanhas de grifes famosas resolveu expor o lado mais doloroso de sua história: aos 3 anos, ela havia sofrido mutilação genital por ordem da própria mãe - prática para "preservar as mulheres decentes" para os maridos na aldeia onde vivia, no interior da Somália.

Flor do Deserto - significado de Waris - conta a trajetória da modelo, intercalando períodos da infância na Somália, de onde fugiu a pé para chegar à capital, Mogadishu, com a vida adulta em Londres. Quando limpava o chão de uma lanchonete, Waris despertou a atenção do fotógrafo de moda Terence Donavan, que registrou a beleza exótica do rosto da jovem e catapultou uma carreira pontuada por capas de revistas de moda e campanhas de grifes famosas.
A revelação sobre a mutilação foi feita à jornalista Laura Ziv, mas por iniciativa da própria Waris, que mudou o curso de uma entrevista agendada para falar de sua carreira pelo mundo da moda.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 100 milhões e 140 milhões de mulheres no mundo tenham sofrido um dos quatro tipos conhecidos de mutilação genital - que variam da remoção do clitóris até a sutura de quase todo o órgão. Em países da África, por tradição muçulmana ou discriminação, existem atualmente cerca de 3 milhões de mutilações por ano.

Confira o trailer do filme:

 

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Comentários


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juliana m do nascimento

ela é d+,como atriz e como modelo,desejo tudo de bom pra ela e sua linda filha

26.03.2011

fatima

Assisti o filme ontem e é realmente impactante!!!! A princípio fiquei com uma sensação de impotência diante de tanta crueldade, mas depois mandei e-mails para muitas amigas numa espécie de divulgação "boca a boca" do filme e tbm entrei no site da Fundação Waris Dirie, o que me confortou um pouco.

28.06.2010

 

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