17/11/2010 - 19:42
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Literatura

Livros de José Eduardo Agualusa serão adaptados para o cinema no Brasil

O autor angolano que virou celebridade no país acredita que filmes podem formar novos leitores, assim como a internet

Leo Pinheiro
José Eduardo Agualusa e Camila Pitanga no lançamento de "Milagrário Pessoal"

José Eduardo Agualusa e Camila Pitanga no lançamento de "Milagrário Pessoal" (AgNews)

“Sempre que um novo veículo chega se anuncia a morte do anterior, mas não é isso que acontece. Já não se escreviam mais cartas, mas hoje as pessoas escrevem muito mais para os amigos através dos e-mails”

O escritor angolano José Eduardo Agualusa tem profunda ligação com o Brasil. Morou no Rio de Janeiro por dois anos, fez inúmeros amigos e uma editora – a Língua Geral, dedicada a autores lusófonos -- e tornou-se estrela dos eventos literários de que participa. Agora, seus laços com o país começam a se estender ao cinema. O diretor Andrucha Waddington está negociando os direitos de Nação Crioula, de 1998; e Lula Buarque de Holanda começará a rodar, já em 2011, O Vendedor de Passados, de 2004, com Lázaro Ramos e Alice Braga como casal protagonista. Na noite de terça-feira, Agualusa participou de uma concorridíssima noite de autógrafos para lançar no Rio seu 22º livro, Milagrário Pessoal. E falou ao site de VEJA sobre sua satisfação com essa nova frente de divulgação de seu trabalho. “O que mais me seduz na literatura é formar platéias. E acho um filme pode fazer gente que não tem o hábito da leitura interessar-se por um autor e começar a ler sua obra”.

Com pinta de galã cinquentão de novela das oito, Agualusa costuma protagonizar noites de autógrafos compatíveis com essa aparência. Em filas intermináveis, misturam-se leitores, amigos e curiosos atraídos por ele próprio e pelos famosos presentes. O evento de terça-feira seguiu a tradição. Camila Pitanga fez leitura dramatizada de trechos do novo livro para o público durante a noite. Ela interpretou a protagonista Iara, uma linguista que trabalha com neologismos, separando entre as 300 novas palavras que chegam anualmente aos dicionários aquelas que acrescentam efetivamente algum novo conteúdo à língua. Maitê Proença, mesmo não podendo ficar, fez questão de passar rapidamente. “Nós somos amigos, ele fez o prefácio do meu livro Uma Vida Inventada. Hoje passei para dar um alô. Não posso ficar porque estou indo para o estúdio gravar até as quatro da manhã. Mas sei que nos reencontraremos, porque ele volta no dia 29”, antecipou.

Agualusa se diverte com esse lado celebridade de suas passagens pelo Brasil. Mas, principalmente, vê nele um motivo de otimismo, de renovação do público leitor – algo que enxerga, também, na internet. Ao contrário de muitos escritores, Agualusa acredita que a as novas tecnologias de difusão de informação aumentam o número de leitores e de escritores. “Sempre que um novo veículo chega se anuncia a morte do anterior, mas não é isso que acontece. Já não se escreviam mais cartas, mas hoje as pessoas escrevem muito mais para os amigos através dos e-mails”, comemora.

As novas tecnologias são também, em sua avaliação, poderosos instrumentos de democratização da informação. Nos anos 80, ele teve que bancar os seus próprios jornais: o Caminho Longe e o Angolando. Hoje, diz que teria um blog, que lhe pouparia tempo e dinheiro, e amplificaria a sua voz para milhões de expectadores. “Naquela época era muito difícil alguém de Huambo, onde nasci, se fazer ouvir. Hoje qualquer pessoa da África ou do interior do Brasil pode ser ouvida, lida por milhões de pessoas e em todo mundo. Ela poderá ter tanta atenção quanto um americano de Nova York. Desde que tenha qualidade terá audiência”.

 

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