Música

Livro e disco recuperam a história do punk rock

Uma autobiografia e um álbum, ambos póstumos, revivem a força dos Ramones

Carol Nogueira
Da esquerda para a direita, Johnny Ramone (1948 - 2004) Tommy Ramone, Joey Ramone (1951 - 2001) e Dee Dee Ramone (1952 - 2002) em foto de 1976

Da esquerda para a direita, Johnny Ramone (1948 - 2004) Tommy Ramone, Joey Ramone (1951 - 2001) e Dee Dee Ramone (1952 - 2002) em foto de 1976 (Getty Images)

O punk rock está de volta. Pelo menos, às prateleiras. Dois lançamentos do mês passado, um livro e um disco, reavivam a memória de uma das bandas mais icônicas do movimento, os Ramones. São eles: o livro Commando, autobiografia do guitarrista Johnny Ramone, responsável pelos característicos riffs do grupo, e o álbum Ya Know?, do vocalista Joey Ramone. Embora sejam póstumos, categoria que sempre costuma receber críticas, ambos os trabalhos (que ainda não têm data para chegar ao Brasil) trazem um olhar definitivo sobre a história do grupo. 

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Capa do livro Commando, autobiografia de Johnny Ramone


Commando
é a única autobiografia lançada por um integrante da banda. Os oito anos que separam a morte do autor e o lançamento da publicação tem uma explicação: é exatamente o tempo que levou até que a viúva, Linda, conseguisse se recuperar da morte do marido e juntasse os textos que ele escreveu a vida inteira. No livro, a obsessão do músico por anotações fica óbvia – ele gostava de escrever sobre tudo, desde os cachês dos Ramones até listas das coisas que ele mais gostava, como filmes e jogadores de beisebol. O comportamento controlador foi, muitas vezes, a causa de brigas com Joey, com quem ele mal falava - isso porque Joey namorava Linda antes de Johnny.

Metódico, Johnny só entrou para os Ramones aos 27 anos, quando considerava que havia juntado um bom pé de meia que não o deixaria na mão caso a banda desse errado. Ao contrário de Joey, nunca se esforçou muito para que o grupo estourasse, apenas fez o seu trabalho. Foi levando. E esse jeitão descompromissado está nas páginas da biografia. São anotações rápidas, furiosas, e repletas de informações, em uma linguagem quase coloquial.

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Capa do disco póstumo de Joey Ramone, Ya Know?


Música - Esse toque de autenticidade, revelador de uma maneira de levar a vida, também dá o tom no álbum Ya Know?. O título foi escolhido porque Joey usava o tempo todo a expressão (que em português equivalente a "sabe?"). "É uma maneira fácil de se expressar, e assim como sua música, é simples e eficiente", disse ao site de VEJA Mickey Leigh, irmão de Joey e responsável por reunir as músicas que deram origem ao novo disco. 

Leigh conta que o processo de compliar as faixas levou cerca de dez anos. “Eu não pensava muito nisso. Ia fazendo aos poucos, perguntando a amigos nossos se por acaso eles não tinham alguma demo (gravação amadora) com eles”, disse ele, que também é músico e tocou com os Ramones por um curto período. Deu certo: ele reuniu quinze sons, sendo treze inéditos, e muitos deles ótimos (destaque para I Couldn’t Sleep e Rock ‘n Roll is the Answer). 

Para sobreviventes do punk rock como Leigh, que cresceu no bairro nova-iorquino do Queens ao lado do irmão e de seus amigos, é difícil ver o ritmo praticamente desaparecer. “Eu não sei, talvez esteja escondido em algum lugar. A cada geração, sempre houve quem aparecia e mudava tudo. Estou esperando a pessoa dessa geração que vai fazer isso. Deve ter alguém”, diz, esperançoso.

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Fachada do CBGB

Mas ele não coloca tanta esperança assim em outra tentativa de ressuscitar o estilo. No mês que vem, acontece em Nova York o festival CBGB, realizado pelos atuais donos do bar que ajudou o punk a se estabelecer nos anos 1970. A ideia é colocar algumas das bandas da época para tocar com novos nomes – muitos deles não relacionados ao punk. A história do CBGB também deve virar filme no ano que vem. “É uma ideia estranha, mas acho que faz sentido”, diz Leigh.

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