14/07/2009 - 13:57
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Exclusivo VEJA.com | Internet

Literatura no Twitter: o romance sobre Santos Dumont

Cecília Araújo

Nesta segunda-feira, dia em que é lembrado o nascimento de Alberto Santos Dumont (1873-1932), os fãs do inventor brasileiro poderão se divertir com uma homenagem inusitada. Está no Twitter, rede social de mensagens de até 140 caracteres, uma adaptação da obra Santos-Dumont Número 8: O Livro das Superstições, biografia romanceada que chegou originalmente às livrarias em 2006. Confira o resultado: @sd8.

O autor do projeto, o carioca Claudio Soares, é o primeiro brasileiro a encarar o desafio de adaptar um texto tão longo (são 464 páginas) para a ferramenta. O resultado foi positivo: o livro voltou a vender nas lojas e, no Twitter, o projeto já tem cerca de 1.500 seguidores. Por isso, o autor decidiu continuar por tempo indefinido a postagem, que seria encerrada nesta segunda, com o desfecho da história.

140 caracteres - O ambiente propício a textos curtos do Twitter tem atraído a atenção de outros escritores e afins. Recentemente, dois estudantes americanos de literatura, ambos de apenas 19 anos, anunciaram a publicação de versões de clássicos literários. Os alunos da Universidade de Chicago prometem adaptar textos de autores como Shakespeare e Dante para no máximo 20 postagens. Isso significa reduzir os originais a 2.800 caracteres, considerando o limite de 140 proposto pela rede social. A previsão é de que as compilações fiquem prontas até o fim do ano.

"Estamos diante de uma explosão de aparelhos celulares e outros itens tecnológicos cujas telas limitam os espaços de leitura: isso vem transformando a percepção das pessoas, que buscam informações e textos cada vez mais sintéticos", explica Monica Martinez, pós-doutoranda em comunicação da Universidade Metodista de São Paulo e estudiosa das relações entre interatividade e criatividade. "É preciso conhecer de tudo um pouco, de clássicos da literatura até bulas de remédios, para nos expressarmos no mundo contemporâneo."

Divulgação literária - Seja no caso do projeto dos dois jovens americanos, seja na versão do romance sobre Santos Dumont, o objetivo é o mesmo: usar a tecnologia para cooperar na divulgação literária. "Há mais de dois anos, participo de discussões a respeito do impacto da tecnologia nos processos de leitura e escrita. No início de 2009, comecei a me questionar sobre a publicação de narrativas em redes sociais", conta Soares, que, além de autor do livro sobre Santos Dumont, é analista de sistemas.

Segundo ele, cooperou para a transposição do livro para o Twitter uma característica do texto original. "Incorporei na obra vários trechos de autores que faziam parte da vida de Santos Dumont, tanto para ajudar a ambientar a época, quanto para chamar a atenção de jovens para os clássicos", explica. No Twitter, ele ampliou essa possibilidade, abusando de links que ajudam a contextualizar a história: "Tento usufruir de outras redes sociais, como o Blip.fm, por exemplo. Por meio dele, associo músicas que fazem referência ao texto."

Além de "twittar" a nova versão do livro, o autor criou oito perfis, um para cada personagem da obra, que ajudam a contar a história. "Eles narram os fatos sob seus próprios pontos de vista e até interagem com o público. Muitos usuários do Twitter replicam as mensagens, das formas mais inesperadas."

Leia a seguir trecho que trata do suicídio de Santos Dumont na versão no Twitter

E a seguir, o mesmo trecho do original em livro (link para o texto integral):

Da rede para o livro - Soares admite que, na rede, não é fácil a tarefa de manter o leitor concentrado na trama. Mas acrescenta que o importante é tentar fisgá-lo de alguma forma. "Se o leitor chega ao texto, já é uma vitória; se ele se interessa pela história, melhor ainda. Mais do que ler o texto inteiro, o que vale é a experiência que ele vai ter", diz.

O autor garante já ter colhido um fruto da experiência. "Minha editora disse que o livro voltou a vender depois dessa ação pelo Twitter", comemora. "Isso prova que a ferramenta também pode ser usada como forma de divulgar o produto impresso", garante. O plano agora é inverter os papéis: a publicação do próximo romance será feita primeiro na rede, antes de a versão impressa chegar às livrarias. "O objetivo é receber sugestões dos leitores e evitar republicações desnecessárias."

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