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'A Guerra dos Tronos'

Legião de fãs se rende ao poder dos Sete Reinos

Lançada há apenas sete meses no Brasil, a saga criada pelo americano George R. R. Martin já reúne levas de aficionados no país

Aretha Yarak
  • Daenerys Targaryen (Emilia Clarke, Doctors) e seu irmão mais velho, Viserys, são os últimos sobreviventes da dinastia que governava Westeros antes da Rebelião de Robert derrubá-la do trono

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  • Sean Bean (Senhor dos Anéis) é o austero Eddard "Ned" Stark, patriarca de uma tradicional família do gelado norte de Westeros, o continente imaginário onde acontece a série

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  • O bastardo de Ned Stark, Jon Snow (Kit Harington, estreante), ensina o meio-irmão, Brandon Stark (Isaac Hempstead-Wright, também estreante), a atirar com o arco e flecha em Winterfell, no norte do continente de Westeros

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  • Há 17 anos, Robert Baratheon (Mark Addy, Robin Hood) foi o líder da implacável rebelião que derrubou a dinastia Targaryen, depois de 300 anos no poder. O rei é amigo de infância de Ned Star, os dois foram criados juntos

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  • Cersei Lannister (Lena Headey, 300) é a maquiavélica e bela esposa de Robert Baratheon. Calculista, Cersei não mede esforços para se manter no poder

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  • Jaime Lannister (Nikolaj Coster-Waldau, Cruzada), irmão gêmeo da rainha, Cersei, é membro da guarda real, responsável por proteger o rei Robert Baratheon. Jaime é chamado de 'regicida' por ter matado o antigo monarca da dinastia Targaryen

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  • O astuto Tyrion (Peter Dinklage, As Crônicas de Nárnia - Príncipe Caspian) é o caçula dos Lannisters. O anão teve que se intelectualizar por não ter os mesmos dotes físicos do irmão mais velho, Jaime. Por causa disso, sua sagacidade serve para deixá-lo em uma posição favorável do 'jogo dos tronos'

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  • O Trono de Ferro, conquistado há 17 anos pelo rei Robert Baratheon, é feito de espadas retorcidas e foi construído durante a dinastia do antigo monarca Aegis Targaryen, morto na Rebelião de Robert

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“Não existia livro voltado especificamente para o público adulto. Esse foi um grande acerto de Martin, ele preencheu a lacuna ao escrever um livro voltado para adultos”

Mariana Rolier, editora executiva do Grupo Leya

Três dias inteiros dentro de um caminhão no meio de um canteiro de obras. Foi assim, driblando a jornada de trabalho pesada, que o engenheiro de obras Samir Libos, de 30 anos, conseguiu mergulhar de uma só vez nas 656 páginas de A Fúria dos Reis (Leya, tradução Jorge Candeias, 656 págs., R$ 49,90), segundo volume da coleção As Crônicas de Gelo e Fogo, do americano George R. R. Martin. O fascínio de Libos é característico de um público dado a gastar tempo e dinheiro na adoração de séries como O Senhor dos Anéis e Guerra nas Estrelas.

Sucesso de vendas no exterior, os quatro volumes de As Crônicas de Gelo e Fogo – o primeiro lançando em 1996 - já venderam juntos mais de 15 milhões de exemplares no mundo. Há apenas sete meses no Brasil, a saga  trilha o mesmo caminho e vem abocanhando um número cada vez maior de fanáticos –  70.000 exemplares vendidos. A procura foi tamanha que o primeiro volume já está em sua quinta edição. De acordo com especialistas ouvidos por VEJA, o sucesso da saga de Martin está calcado em dois fatores principais: primeiro, nos traços humanistas dos personagens, que são movidos por interesses concretos. Segundo, no vácuo existente do mercado editorial. Para Mariana Rolier, editora executiva do Grupo Leya e responsável por trazer a coleção para o Brasil, hoje, o adulto que foi um jovem apaixonado por literatura fantástica dificilmente encontra o que ler. “Não existia livro voltado especificamente para esse público, que acabava lendo os que foram escritos para os jovem. Esse foi um grande acerto de Martin, ele preencheu a lacuna ao escrever um livro para adultos”, diz. 

O fascínio desse nicho, formado por adultos com idades entre 20 e 50 anos, vem se consolidando dentro dos fóruns de discussão na internet, em podcasts e  em reuniões “nerds”, como grupos de RPG, encontros para partidas de videogame e de jogos de tabuleiro. Esse marketing de guerrilha acontece espontaneamente e sem interferência das editoras por um motivo bastante simples: para esse público, o boca-a-boca é fundamental. “Eles confiam muito mais no que o grupo de amigos, que tem os mesmos gostos e as mesmas referências, está lendo, do que o que aparece em comerciais, por exemplo”, diz Mariana.

O novo seriado da HBO baseado nos livros, Game of Thrones, que estreou domingo (dia 8) no Brasil, é um dos principais catalisadores do sucesso das obras de Martin. Prova disso é a nova leva de admiradores da série que ainda patina entre comprar o livro ou acompanhar a história apenas pela televisão. O designer gráfico Bruno P. Albuquerque, de 28 anos, é um deles. Mesmo depois de assistir aos primeiros episódios, ele ainda não encontrou fôlego para embarcar na leitura dos livros. “Mas o seriado, com certeza, é sensacional. Finalmente algo que me fez voltar a gostar de fantasia medieval”, diz .

Rotina de fã – Para os já aficionados pelo universo de Westeros (continente fictício onde se desenvolve a história), manter a rotina com horário de sono e de trabalho é quase irrelevante. Assim como o catarinense Samir Libos, que praticamente perdeu três dias de trabalho para ler A Fúria dos Reis no horário em que deveria estar supervisionando algumas obras, centenas de fãs se prendem à leitura dos livros de Martin de tal forma que tendem a esquecer de outros compromissos.

É o caso do doutorando em sociologia política pela Universidade Federal de Santa Catarina, Daniel Lopes Bretas, de 28 anos, que leu os quatros primeiros livros (todos em inglês) em um mês. Para isso, ele precisou passar noites a fio e desordenar seu horário biológico. “Eu não cheguei a esquecer de comer, mas esqueci de comprar coisas para fazer comida porque perdia a noção da hora”, diz. Apaixonada por livros com desenlaces narrativos inesperados, a administradora de empresas Eliane Zanrosso, de 34 anos, abriu mão de horas de sono para acompanhar as reviravoltas da saga. “Martin nos dá aquilo que a gente não espera. Quando eu iria imaginar que ele mataria um personagem tão importante já no primeiro livro?”, diz.

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