Entrevista - Will Smith
"Precisávamos de uma ideia completamente nova"
Ator de 'Homens de Preto 3' afirma que equipe "fez besteira" na segunda edição da franquia e explica seu período de quatro anos sem filmar
O ator Will Smith durante divulgação do filme "Homens de Preto 3", no Rio de Janeiro (Sergio Moraes/Reuters)
Dez anos depois de vestir pela última vez o paletó e os óculos escuros do agente J, membro da ultrassecreta organização que monitora as atividades de alienígenas na Terra, Will Smith volta ao personagem em Homens de Preto 3 (MIB 3), que chega aos cinemas brasileiros nesta sexta-feira (25) com cópias também em 3D. Neste terceiro episódio, o elenco da milionária franquia ganha a contribuição do ator Josh Broslin, que interpreta uma versão mais jovem do agente K, o vetusto parceiro de aventuras de J, encarnado nos filmes anteriores pelo veterano Tommy Lee Jones.
Novamente sob a direção de Barry Sonnenfeld, o filme chega às salas disposto a reconquistar os fãs da série, que deixaram o capítulo anterior naufragar nas bilheterias. A trama abre com o assassinato do agente K por uma criatura extraterrestre ainda em 1969, alterando o futuro da agência e colocando a humanidade em risco. J descobre um meio de voltar no tempo, ganhar a confiança do jovem K e assim evitar a morte do futuro amigo. “Precisávamos de algo novo, que desse um novo impulso à série, e colocar a história em uma era tão marcante foi o melhor jeito para isso”, contou Smith durante sua passagem pelo Rio, em março, quando veio promover Homens de Preto 3 no Brasil, acompanhado por Broslin.
Homens de Preto 3 é o seu primeiro filme em quatro anos. Por que esse hiato?
Estava desenvolvendo outros projetos meus e da minha família. Produzi Karatê Kid, que foi coestrelado pelo meu filho mais velho Jaden, ajudei minha Willow a iniciar-se no mundo da música, e apoiei minha mulher Jada quando ela entrou para a série de TV Hawthorne. Como os filmes do papai aqui sempre engoliram a família, no passado, foi um período em que pude priorizá-los dessa vez, ajudando-os a desenvolver suas próprias vidas artísticas. Foi um momento de expansão e crescimento. Mas agora voltei para meu momento de vingança (risos).
O segundo filme da franquia foi lançado em 2002. Por que o retorno à série tanto tempo depois?
Fizemos besteira com Homens de Preto 2... Ninguém estava ansioso por um terceiro filme da série. Para isso, precisávamos de uma ideia completamente nova e fresca. E ela só me surgiu há uns quatro anos, como num sonho. Havia um pouco de arrogância de nossa parte em Homens de Preto 2, daí o seu relativo fracasso. O primeiro, ao contrário, foi revolucionário. Ele era um exemplo de experiência vitoriosa, e serviu de inspiração para criarmos algo igualmente revolucionário em Homens de Preto 3.
Em que momento uma viagem no tempo entrou no conceito do novo Homens de Preto?
Inicialmente, apresentei ao estúdio a ideia de uma nova aventura com uma versão 15 anos mais jovem dos agentes J, vivido por mim, e K (Tommy Lee Jones). Era uma forma de rejuvenescer os dois personagens, vê-los como uma situação completamente nova e diferente. Mas, assim que começamos a desenvolver esse argumento, chegamos à conclusão que seria mais legal ainda colocá-los em um período de tempo mais marcante, e aí chegamos à ideia de uma viagem no tempo até o ano de 1969.
Que critérios vocês levaram em consideração na escolha de Josh Brolin para o papel do Tommy Lee Jones mais jovem?
Josh fez muitos filmes com Tommy e, durante todos esses anos em que trabalharam juntos, Josh fazia imitações de Tommy pelas costas dele (risos). Josh trabalhou na caracterização de Tommy por anos! O público deve estar tão ansioso pelo primeiro momento em que Josh aparecerá na tela como o jovem Tommy Lee Jones... E aposto que essas pessoas ficarão maravilhadas com a rapidez com que Josh se apropria do personagem K. Depois dos quatro primeiros minutos de Josh em cena, ninguém duvida que ele não seja Tommy Lee Jones!
Por que Hollywood tem apostado mais em sequências de filmes de sucesso do que em projetos inteiramente novos?
Nesse universo específico, o dos filmes de fantasia cômicos, é muito difícil fazer algo revolucionário. E como a vida de muita gente envolvida em cinema depende do sucesso ou não de um filme na bilheteria, é quase impossível conseguir sinal verde para um projeto que custa em média 150 milhões de dólares sem que haja algum tipo de feedback sobre a receptividade do mercado em relação a ele. Deve haver alguma ligação com o público, um título facilmente reconhecido, um videogame ou um livro de sucesso. É por isso que está cada vez mais difícil levantar financiamento para algo absolutamente novo.
Acredita que alienígenas possam estar vivendo entre nós?
Crer que nós, seres humanos, somos a única forma de vida inteligente nesse universo é um pouco arrogância de nossa parte. E mostra que não somos tão inteligentes assim (risos).
Assista ao trailer de 'Homens de Preto 3':