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Festival de Berlim põe em cena levantes sociais contemporâneos
Debate sobre os movimentos derivados da Primavera Árabe e sobre o exercício do poder dão a tônica da Berlinale, que abre nesta quinta-feira
Ambientado nos dias que antecederam a Revolução Francesa (1789) e contado sob o ponto de vista dos serviçais do castelo de Versailles, a produção franco-espanhola Les Adieux a la Reine ("Adeus à Rainha", em tradução livre) abre nesta quinta-feira, dia 9, a competição do 62º Festival de Berlim. Dirigido pelo francês Benoit Jacquot e estrelado pela alemã Diane Krüger no papel de Maria Antonieta, a última monarca francesa, o filme também dá o tom da seleção deste ano, que exibirá em suas diferentes mostras uma série de produções que remetem, direta ou indiretamente, aos levantes sociais que sacudiram o mundo nos últimos meses.
“O debate sobre os movimentos sociais alimentados pela chamada Primavera Árabe ou as grandes tragédias humanas, como o tsunami do Japão, surgem inclusive nos títulos da competição principal”, explicou Dieter Kosslick, diretor artístico da maratona alemã, durante o anúncio da programação. “Temas como o exercício do poder estão em Cesare deve morire, o novo filme dos italianos Paolo e Vittorio Taviani, por exemplo. As consequências do radicalismo dos governos de extrema direita surgem em Just the wind, do húngaro Benedek Fliegauf”.
Dezoito produções disputam o Urso de Ouro de melhor filme, incluindo o drama Captive, de Brillante Mendoza, com a francesa Isabelle Huppert, inspirado em um caso real envolvendo o sequestro de um grupo de turistas por terroristas nas Filipinas. O ator americano Billy Bob Thornton concorre com Jane Mansfield’s car, o seu quarto longa-metragem como diretor, sobre o choque cultural entre duas famílias de diferentes países, nos anos 60. Os vencedores, a serem revelados na noite do dia 19, serão escolhidos pelo júri encabeçado pelo realizador britânico Mike Leigh (Segredos e mentiras).
A produção brasileira bate ponto da seção Panorama, a paralela mais importante do evento, com o drama Xingu, de Cao Hamburger, que recria a saga dos irmãos Villas-Boas na reserva indígena no interior do país, e o documentário Olhe para mim de novo, de Kiko Goifman e Cláudia Priscilla, sobre um transexual masculino que busca uma solução para ter um filho legítimo. O Brasil também tem uma participação modesta, como um dos coprodutores, do drama português Tabu, de Miguel Gomes, o mesmo diretor de Aquele querido mês de agosto (2008).
Presença escassa na competição pelo Urso de Ouro, Hollywood comparece em peso na seleção de filmes hors concours e em projeções especiais. Angelina Jolie, por exemplo, apresentará In the Land of Blood and Honey (Na Terra do Sange e do Mel), drama ambientado durante a Guerra da Bósnia, no anos 90, que marca a estreia da atriz como diretora. Berlim também assistirá a A toda prova, de novo thriller de Steven Soderbergh, com Ewan McGregor , Antonio Banderas e Michael Douglas, e a A Dama de Ferro, de Phyllida Lloyd, no qual Meryl Streep, que será homenageada com um Urso de Ouro honorário, interpreta a ex-primeira ministra Margareth Tatcher, papel com qual a atriz concorre ao Oscar deste ano.
Os filmes da competição:
Les adieux a la reine (França/Espanha), de Benoit Jacquot
Barbara (Alemanha), de Christian Petzold
Cesare deve morire (Itália), de Paolo e Vittorio Taviani
Captive (Filipinas/França/Alemanha), de Brillante Mendoza
Dictado (Espanha), de Antonio Chavarrias
A moi sole (França), de Frederic Videau
Home for the weekend (Alemanha), de Hans-Christian Schmid
Jayne Mansfield’s car (Rússia/EUA), de Billy Bob Thorton
Just the wind (Hungria/Alemanha/França), de Benedek Fliegauf
Mercy (Alemanha/Noruega), de Matthias Glasner
Meteora (Alemanha/Grécia), de Spiros Stathoulopoulos
Postcards from the zoo (Indonésia/Alemanha/Hong Kong), de Edwin
A royal affair (Dinamarca/República Tcheca), de Nikolaj Arcel
L’enfant d’em haut (Suíça/França), de Ursula Meier
Tabu (Portugal/Alemanha/Brasil), de Miguel Gomes
Aujourd’hui (França/Senegal), de Alan Gomis
Rebelle (Canadá), de Kim Nguyen
White deer plain (China), de Wang Quan’an
Hors concours:
Tão forte e tão perto (EUA), de Stephen Daldry
Bel Ami (Grã-Bretanha), de Declan Donnellan e Nick Ormerod
Flores da guerra (China), de Zhang Yimou
Flying swords of dragon gate (Hong Kong/China), de Hark Tsui
Shadow dancer (Grã-Bretanha), de James Marsh



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