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A febre dos esmaltes enche o caixa das fabricantes e muda comportamentos
Os esmaltes ganham novas cores e unhas (Divulgação)
Dá para imaginar uma coleção de 700 esmaltes? E uma garota que pinta as unhas três vezes por semana? Ou uma loja de cosméticos que vende 19.000 unidades de esmaltes em apenas dois dias? O fenômeno dos esmaltes parece ter conquistado definitivamente espaço no país.
"Comprei um gaveteiro para guardar meus esmaltes e por enquanto acomodou todos os meus vidrinhos. Mas sei que, com os últimos lançamentos, daqui um mês já não vai mais ter espaço. Eu separo por marca e por ordem alfabética. Meio neurótico, eu sei, mas tenho certeza que não vai durar muito tempo, porque dá muito trabalho", diz Bianca Fischer, 23 anos, estudante de Maringá (PR) e uma das autoras do blog loucasporesmalte.com.br, ao lado das amigas Fernanda Degan, 22 anos, publicitária e Camila Zatz, 25 anos, bióloga, todas "esmaltólatras". Para ela, o boom dos esmaltes no Brasil é reflexo do atual aumento dessa tendência em outros países.
Mônica Araujo, do site www.9ml.com.br, volta mais no calendário. Acha que o despertar para as novas cores aconteceu em 2006/07, quando a Chanel lançou o Black Satin e muitas celebridades - como Mary-Kate Olsen e Victoria Beckham - se renderam ao esmalte preto. "Depois, em 2008, veio o sucesso do Blue Satin e as outras grifes acordaram para este acessório de beleza", analisa Mônica, que é arte-educadora, arte-terapeuta e mora em São Gonçalo (RJ).
Patrícia Porta, da coordenação de promoção e merchandising da Impala, garante que o esmalte, aos poucos, foi entrando na moda. "Nós, desde 2003, fazemos desfiles e parcerias com vários estilistas e sempre acreditamos que os esmaltes fossem um acessório de moda. Antes, a mulher fazia aquela unha branquinha, tradicional, só para ficar com ela em ordem. Hoje, ela pinta as unhas para mostrar e procura uma cor diferente." Para ela, a brasileira entendeu que o esmalte é um acessório importante e muito barato para compor o visual.
Números - O boom dos esmaltes é visivelmente sentido no setor. Na Impala, a produção aumentou 70% de fevereiro pra cá. O aumento também foi sentido na Órion Cosméticos, empresa de Mauá (SP) que fabrica a marca Big Universo. "Nossa produção cresceu 100% nos últimos três meses. Tem lojas de perfumaria que só estão vendendo esmaltes e pedem as cores mais inusitadas", conta Clarissa Ezaki, gerente comercial e de marketing da empresa.
Para o inverno, as aficionadas em esmalte apostam nas cores escuras e de tons nudes, cinza, marrons, verde exército e azuis, do cobalto ao petróleo.
Batismo de fogo - Inveja Boa, Paparazzi, Turmalina, Pipa, Jackie, Sereia. Mas afinal, como são criadas as coleções de esmaltes? Mel Girão, diretora executiva de marketing consumo e porta voz da Risqué, explica. "A elaboração dos esmaltes é de responsabilidade da equipe de marketing da divisão de Beleza e Higiene Pessoal. Nos inspiramos tanto no que é tendência da moda internacional quanto em palpites de nossas consumidoras. Para esse trabalho, temos como parceiro o estilista Reinaldo Lourenço há cinco anos."
Em 2009, a Risqué se inspirou nos sete pecados capitais para lançar uma gama de vermelhos de nomes divertidos: Doce Orgulho, Inveja Boa, Possessão Rosa, Preguicinha, Pura Luxúria, Santa Gula e Toque de Ira. Em outra coleção, os tons vieram do universo do café: Grão de Café, Expresso, Menta, Arábia e Cappuccino.
(Com Agência Estado)


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