20/05/2010 - 17:45
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Exclusivo VEJA.com

Para especialistas, narração constrói a memória e a identidade do país

Maria Carolina Maia
Debate: a antropóloga Lilia Schwarcz, a filósofa Olgária Matos, a mediadora Beatriz Machado e a cineasta Laís Bodanzky, durante encontro internacional de contadores de história, em São Paulo

Debate: a antropóloga Lilia Schwarcz, a filósofa Olgária Matos, a mediadora Beatriz Machado e a cineasta Laís Bodanzky, durante encontro internacional de contadores de história, em São Paulo (Pedro Napolitano Prata)

No Brasil oitocentista, recém-emancipado de Portugal, um novo órgão público - o Instituto Histórico e Geográfico, ancestral do IBGE - lança um concurso: "Como Escrever a História do Brasil". Entre os concorrentes, sagrou-se campeão o naturalista alemão Karl Friedrich Phillipp Von Martius, com a tese de que o Brasil era um grande caldo formado pelo volumoso rio branco (ou português) e seus dois confluentes, os rios negro e indígena. Estava criado o mito das três raças, até hoje constituinte da identidade nacional. "Este é um exemplo gritante de como as nações constroem os seus mitos e inventam uma identidade a partir de um corpo de histórias que se transformam em versões oficiais", explica a historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz.

Para Lilia, contar casos faz parte da condição humana. É o que fazem nossos historiadores - os criadores de mito do ocidente, de acordo com a teoria estruturalista da antropologia - e os narradores espalhados pelos palcos e centros culturais do país. "Os homens sempre tentaram dar conta das contradições do seu destino, criar tradições e fundar famílias de pensamento por meio da narração de histórias."

No caso dos contadores profissionais ou amadores, além de uma criação constante de explicações para os fenômenos da vida cotidiana, há um trabalho de perpetuar a memória do país. É o que diz a cineasta Laís Bodanzky. "Um grande foco dos contadores de história é o público infantil, o que é ótimo. Este é um público que absorve tudo com rapidez, inclusive esse repertório de Brasil que vem de geração em geração e desemboca nas crianças, muitas vezes, através dos contadores de história."


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