Celebridades
Festival do Rio
Em 'O Palhaço', Selton Mello avança no 'projeto Clint Eastwood'
O ator escreveu, dirigiu e estrela - com Paulo José - filme sobre o mundo do circo que estreia em 28 de outubro
Selton Mello e Paulo José no longa-metragem O Palhaço, que abre o festival de Gramado: homenagem (Edison Vara/Photopress/Divulgação)
Em 2009, Selton Mello decidiu que não queria mais ser apenas ator. E investiu no que chamou de “projeto Clint Eastwood” – com objetivo de, assim como o astro americano, dominar a maior parte do processo de produção de seus filmes. O Palhaço foi concebido nessa época. Selton pretendia, e concretizou seu plano dois anos depois, escrever o roteiro, atuar e dirigir um filme sobre o universo do circo. "O protagonista é um palhaço em crise com a profissão. OU seja, sou eu", adiantava o ator, recém-saído de um período difícil e depressivo, depois de viver o protagonista de Meu Nome não é Johnny.
Segunda incursão do ator Selton Mello na direção, O Palhaço, road movie circense que integra a Prèmiere Brasil do Festival do Rio e tem estreia nacional marcada para o dia 28 de outubro, é bem diferente de Feliz Natal, de 2008, seu filme de estreia como diretor. Selton queria – e realizou – “um filme claro, legível, sem afetações estéticas. Um filme que chegasse ao público pela via mais calorosa, o caminho do coração”, em sua própria definição.
Com roteiro do próprio ator e diretor ao lado de Marcelo Vindicatto, O Palhaço evoca o cinema de Federico Fellini ao acompanhar o cotidiano de uma trupe circense comandada por Valdemar e Benjamim, pai e filho interpretados por Paulo José e Selton Mello, em grande forma. Juntos, eles formam a atração principal do Circo Esperança - e do filme - dando vida aos palhaços Puro-Sangue e Pangaré. A vocação do pai permite que ele transite com a mesma desenvoltura tanto pelo picadeiro quanto pela administração do negócio, mas o mesmo não acontece com o filho. Benjamim é um palhaço triste.
A escolha do elenco coadjuvante e de participações especiais é outro acerto. Moacyr Franco, em sua estreia no cinema, é responsável pelo melhor momento do longa, na sequência em que seu personagem, o delegado Justo, repreende parte da trupe na delegacia após uma briga de bar, respaldado por um texto particularmente inspirado e divertido. Conhecida por seus papeis no humorístico Zorra Total, Fabiana Karla também defende bem sua pequena participação, como a mulher para quem Benjamim abre seu coração despedaçado. Tonico Pereira, Ferrugem, Jorge Loredo (lembrado pelo personagem Zé Bonitinho), e Teuda Bara, do Grupo Galpão, são outros nomes que brilham em pequenas participações.
Leia também
Temas
Cinema Brasileiro
Cinema


Mais informações







Comentários