Entrevista

Em 'O Palhaço', Selton Mello busca o grande público

Filme que o ator dirige, produz e protagoniza estreia no dia 28 de outubro em 200 salas de todo o Brasil

André Gomes, do Rio de Janeiro
Selton Mello, a rigor em cena de seu filme 'O Palhaço'

Selton Mello, a rigor em cena de seu filme 'O Palhaço' (Divulgação)

"Tornar-me diretor foi um processo natural. Veio do desejo de começar a contar histórias do meu ponto de vista. Poder alargar minha criatividade. A direção tem me dado um imenso prazer, e foi algo que veio pra ficar"

Feliz Natal, o primeiro filme dirigido por Selton Mello, foi visto por menos de 30 mil pagantes. Agora, com O Palhaço, Selton quer ser visto por muito mais gente. O filme será lançado em 200 salas no próximo dia 28, e aposta numa linguagem menos rebuscada, mais acessível ao grande público.

Selton, 38 anos, acumula as funções de ator, diretor e roteirista (esta última ao lado de Marcelo Vindicatto) para narrar a trajetória de Benjamim, rapaz tímido e ingênuo que divide com o pai, vivido por Paulo José, o picadeiro e a administração do Circo Esperança. É entre uma e outra peraltice dos palhaços Puro-Sangue e Pangaré, vividos por pai e filho, por estradas de chão pelo interior do Brasil, que o rapaz passa a questionar sua real vocação. Para enfeitar a trajetória de Benjamim em busca de um sentido na vida, Selton escalou um elenco repleto de boas surpresas, entre elas Moacyr Franco, que brilha em pequena participação na pele de um delegado.

Depois de algumas exibições no Festival do Rio com sucesso de público, o filme ganha lançamento nacional, já com quatro prêmios na bagagem, conquistados na última edição do Festival de Paulínia (direção/ roteiro/ ator coadjuvante para Moacyr Franco e figurino para Kika Lopes).

O Palhaço retrata a busca de um homem por sua identidade. Essa tem sido sua busca nos últimos tempos. Ter se tornado diretor tem servido para amenizar seus conflitos?
Acho que, em qualquer profissão, estar em conflito significa estar vivo, estar produtivo. São nossos questionamentos que fazem com que a gente avance. Me tornar diretor foi um processo natural. Veio do desejo de começar a contar histórias do meu ponto de vista. Poder alargar minha criatividade. A direção tem me dado um imenso prazer, e foi algo que veio pra ficar.

Edison Vara/Pressphoto/Divulgação

Festival de Gramado: O Palhaço, de Selton Mello, com Paulo José

Paulo José em 'O Palhaço': Valdemar, nome de seu personagem, é homenagem a Arrelia

Qual foi o aprendizado com os palhaços que serviram como instrutores para você no filme?
O trabalho de pesquisa com a Alessandra Brantes, ex-artista de circo, foi fundamental. Ficamos um ano dedicados à pesquisa. Com o palhaço Kuxixo, nosso “personal palhaceitor”, aprendi gags físicas e a linguagem do picadeiro. Quem é de circo vai assistir ao filme e saber que ali houve uma pesquisa e reconhecer as referências. E quem não conhece o oficio, vai se divertir e compreender um pouco desse universo. As referências já começam na escolha dos nomes dos personagens centrais. O nome do meu personagem, Benjamim, é uma homenagem a Benjamin de Oliveira, nome importante do circo brasileiro, e Valdemar, personagem do Paulo José, é um tributo a Valdemar Seyssel, o grande Arrelia.

Que lugar O Palhaço ocupa no conjunto da produção brasileira de cinema atual?
O que tem causado grande encantamento na plateia é o fato de ser um filme muito engraçado e que também emociona. Uma história que faz o espectador sair de alma lavada. Em tempos violentos, O Palhaço faz bem para o espírito. Faz pensar e te devolve leve na saída do cinema. Gostaria de ver mais filmes assim por aqui.

Feliz Natal teve um público bastante pequeno. A expectativa para O Palhaço parece ser bem maior. Poderia ilustrá-la em números?
Difícil dizer. O filme será lançado com muitas cópias, em muitas salas. Serão 200 cópias/salas, estreia nacional. Sem duvida, é um filme mais popular que Feliz Natal. Mas é popular, sem ser popularesco. É um filme simples, sem ser simplório. É um filme que respeita a inteligência e a sensibilidade do espectador. E a nossa expectativa é a melhor possível. Eu, a produtora Vania Catani e a distribuidora Imagem Filmes acreditamos no potencial do filme mas seria leviano eu querer ilustrar nossa expectativa em números.

Acredita que o filme tenha potencial para uma carreira internacional?
O filme tem um potencial enorme de comunicação. De chegar ao coração das pessoas. Esse é meu objetivo principal e pela recepção do público por onde o filme já passou, vejo que estou conseguindo atingir esse objetivo. O que me deixa profundamente contente. Meu maior desejo é que ele aconteça em meu país.

Divulgação

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Já tem engatilhado um próximo projeto como diretor?
No momento só tenho olhos para o lançamento de O Palhaço. Além de Rio e São Paulo, faremos pré-estreias em várias capitais (BH, Salvador, Recife e Brasília) e quero estar presente em todas, sentindo de perto a reação do público. Ao mesmo tempo, retomei as gravações de A Mulher Invisível para a TV. Em dezembro, tem o lançamento do filme Billi Pig, de José Eduardo Belmonte, comigo e com a Grazi Massafera no elenco. Já é bastante coisa para me ocupar por um bom tempo.

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