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Editoras estudam como melhor explorar o livro digital
As editoras brasileiras não querem ser pegas de surpresa quando o livro digital for uma realidade, assim como aconteceu com a indústria fonográfica em relação ao formato MP3. Até meados de outubro, três grupos de trabalhos formados a pedido da Câmara Brasileira do Livro (CBL) deverão apresentar o resultado de um estudo que deverá dimensionar o mercado do livro digital no Brasil, os modelos de negócios que mais condizem com as tecnologias disponíveis e os aspectos legais que o substituto papel trará aos autores e outros envolvidos na cadeia de negócios. Henrique Farinha, diretor-geral da Editora Gente, coordenador dos grupos, revelou quais as expectativas do setor.
O que faz esse grupo de trabalho?
A Câmara Brasileira do Livro sentiu a necessidade de obter respostas para algumas questões que serão vitais para a sobrevivência dos negócios em pouco tempo. Nossa função será fazer um levantamento de todas as possibilidades tecnológicas para a distribuição de conteúdo e ferramentas que sirvam para o mercado melhor se preparar para a vinda do livro eletrônico, mesmo sabendo que a internet tem várias áreas exploráveis e que não dá para cobrir tudo.
O futuro do livro é mesmo digital?
Que o futuro é digital, ninguém tem dúvida. A questão é quanto tempo isso vai levar. As limitações das plataformas ainda é grande. O Kindle, vendido pela Amazon, é preto e branco, não é agradável, é pesado e não substitui o livro. Eu vejo muita gente carregando quando vai viajar. Por enquanto, acho que essa é a vantagem deles, em vez de carregar cinco ou mais livros, carrega-se apenas um e-book.
O que as editoras temem?
As editoras não querem ser pegas de surpresa como a industria da música, que foi engolfada pela pirataria e a distribuição gratuita de música pela web.
Mas hoje a indústria fonográfica parece ter reagido.
Graças a iniciativas como o iTunes, da Apple. Uma vantagem da web é que o consumidor exerce com muito mais força sua vontade. Quem compra a música não é obrigado a comprar o CD inteiro. Passa-se de um conceito uno para fragmentado.
Isso deverá acontecer com o livro digital?
Sem dúvida. Não para romances, mas para conteúdo de referência, como já acontece nos materiais acadêmicos para universidades. Um aluno não precisa comprar um livro todo se o professor não vai usá-lo inteiro.
Tem alguém que já faz isso no Brasil?
O portal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Caps) é um exemplo. Ele disponibiliza conteúdo digital de referência com artigos acadêmicos com as mais variadas fontes e áreas de conhecimento e gasta algumas dezenas de milhões de dólares.
O livro digital já é vendido no Brasil, não?
É, mas não há números oficiais sobre a venda de conteúdo digital. Eu diria que é desprezível, não é mensurável.
O que exatamente o grupo deverá definir?
Vamos decidir os tipos de acesso de conteúdo e quais as plataformas de leitura e mídias que o mercado brasileiro deverá adotar. Existe no mercado alguns leitores de livros eletrônicos, como o Feedbooks, Sony, Kindle, Bookeen e Irex iLiad book. Mas sabemos também que já é possível acessar o conteúdo por celular.
E como funcionaria o sistema, as pessoas vão baixar o livro nesses aparelhos?
O cliente terá uma assinatura que dará direito a acessar uma série de conteúdo, sem baixá-lo. Ele não vai ter mais o direito à posse. Aliás, esse conceito muda também, assim como a questão da remuneração dos autores.
E já se sabe qual o potencial desse mercado?
Nos Estados Unidos, a venda do e-book pulou de 67 milhões para 113 milhões de dólares em 2008, em um mercado que vale 25 bilhões de dólares. Ou seja, ainda é algo muito pequeno. O mercado brasileiro de livro movimenta 3 bilhões de reais. A estimativa para o Brasil seria de 0,5%, o que representaria 15 milhões de reais.
Será o fim das livrarias?
Não vejo a razão de substituir os livreiros. Eles podem perfeitamente ter um papel de distribuição de conteúdo, até porque eles são quem melhor conhecem os hábitos dos consumidores.


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Comentários
Bia Willcox
As etapas do processo editorial terão que mudar. As relações comerciais também. As livrarias terão que se reinventar. Não há dúvida de que esse futuro aparentemente longínquo vem chegando com força total. Alguns adolescentes brasileiros, por exemplo, carregam suas vidas em seus smartphones e o que quer que assimilem de novos(..)
17.12.2010
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Frank Oddermayer
Estamos apenas engatinhando na Era da Tecnologia. Durante muito tempo ainda o convívio do livro de papel com o livro digital irá existir. Mas não se iludam. As crianças do século 22 não terão tanto acesso aos livros de papel como as do século 21. Em primeiro lugar, o processo ambientalista é inexorável. Cada vez mais a defes(..)
04.11.2010
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Roberto
Não acho que o livro eletrônico vá substituir totalmente o livro de papel.Assim como as pinturas e as peças de teatro não foram extintas pelo fato de inventarem a fotografia,o cinema e a TV. O livro digital será só mais uma opção.
22.08.2010