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As celebridades redivivas do Twitter

Maria Carolina Maia
Tuítes de celebridades fantasmas do Twitter: seguidores aprovam brincadeira.

Tuítes de celebridades fantasmas do Twitter: seguidores aprovam brincadeira. (Reprodução)

A estudante Tarima Nistal, 19, tem amigos do além na internet. Na rede de microblogs Twitter, em busca de risadas, ela segue, por exemplo, o humorista Mussum, dos Trapalhões, falecido em 1994. O perfil de Mussum - falso, evidentemente - não é sério. É uma caricatura do humorista, que resulta num personagem melhor que o original, segundo a estudante.

"Se estivesse vivo, Mussum não tuitaria tantas coisas inteligentes e engraçadas. Provavelmente escreveria sobre o que comeu no almoço", diz. Esta parece ser a mesma aposta que fazem os milhares de seguidores de perfis fakes de sucesso, como os de Nair Bello e Dercy Gonçalves - algumas das celebridades redivivas da web.

A receita tem êxito garantido. "Resolvi criar o perfil do Mussum depois de constatar o sucesso de perfis falsos no Twitter", diz o dono do @MussumAlive, o técnico mecânico Leandro Santos, 27, de São Paulo.

Para o professor de pós-graduação em Comunicação Interativa da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Pedro Waengertner, os perfis falsos de personalidades já falecidas ganham seguidores à medida que transcendem os personagens originais e se tornam piadas virtuais, ganhando transmissão viral na internet.

"O humor, a sátira, a paródia, é o que move a internet, ainda mais no Brasil. O brasileiro, além de bem humorado, é muito social. O país é um dos campeões em tempo de navegação e em número de usuários em várias redes sociais."

De posse de avatares fantasmas, usuários aproveitam para arriscar piadas, nem sempre suaves, para ridicularizar seus personagens e até para usá-los em ataques à classe política. "Fazer as pessoas rir é um ofício que atravessa as mais incríveis fronteiras", brinca o tuiteiro responsável pelo perfil da atriz Nair Bello, que prefere não se identificar.

Brincadeira é crime - Vale lembrar, porém, que a brincadeira é crime. De acordo com o advogado especializado em novas tecnologias Alexandre Atheniense, a prática configura falsidade ideológica, punível com multa ou mesmo detenção de três meses a um ano. E, em caso de ofensa - que pode ser detectada pela família do "homenageado" -, tem-se um crime contra a honra, como calúnia, injúria e difamação.

Aí, a punição pode ser multa ou detenção de três meses a dois anos, de acordo com o limite ultrapassado. "Eu tenho consciência de que estou usando a imagem de outra pessoa, mas faço com o intuito de divertir e não de denegri-la", defende-se o "Mussum". "Espero que todos entendam que tudo não passa de brincadeira."

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