Festival do Rio

Camila Pitanga vive triângulo com um pastor e um fotógrafo

Atriz é a prostituta Lavínia no filme de Beto Brant, que tem como pano de fundo a luta pela demarcação das terras indígenas e o desmatamento da Amazônia

Carlos Helí de Almeida, do Rio de Janeiro
A atriz Camila Pitanga no Festival do Rio

A atriz Camila Pitanga no Festival do Rio (Anderson Borde/AgNews)

"As pessoas não param de comparar a Lavínia com a Bebel (a prostituta de 'Paraíso Tropical'), mas não percebem que são personagens de temperamentos completamente diferentes, sem falar nas origens e motivações deles"

Camila Pitanga

Camila Pitanga passou com louvor na entrevista com os diretores Beto Brant e Renato Ciasca para o principal papel feminino de Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios, que ganhou première de gala na noite de terça-feira (11) no 13º Festival do Rio. Mas quando instigada a ler o livro de Marçal Aquino que inspirou a dupla de realizadores paulistas, sobre um triângulo amoroso no meio da região amazônica formado por um fotógrafo, um pastor evantélico e uma ex-prostituta de saúde mental instável, a atriz carioca confessa que "bateu um certo pânico".

"Percebi que a Lavínia era uma personagem muito complexa e díficil, são várias mulheres numa só", contou Camila ao site da VEJA, deixando em segundo plano as cenas de nudez que protagoniza ora com o ator Gustavo Machado, que intepreta o fotógrafo Cauby, ora com Zecarlos Machado, que vive o pastor Ernani, que a tirou das ruas, antes de se tornar seu marido. "Mas nas minhas conversas com o Beto e com o Renato, eles deixaram claro que eu teria uma rede de apoio para me jogar. Eles falaram do quanto era importante a preparação para um filme como esse".

A ardente e tensa história de amor de Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios, que tem sessões nesta quinta-feira, às 17h50 e às 22h10 no Estação Vivo Gávea 2, acontece no interior do Pará, numa paisagem marcada por luta pela demarcações de terras para os índios e o desmatamento da floresta, que resultam em derramamento de sangue. Temas de foro íntimo e político andam lado a lado no novo longa-metragem de Brant e Ciasca o que, aos olhos da atriz de 34 anos, tornou o projeto ainda mais atraente. "É muito bom quando você encontra um trabalho que tem afinidades com o seu engajamento político, sua visão de mundo. É gratificante poder acrescentar elementos à luta de seres humanos por uma vida mais digna", observa a atriz.

Embora não fosse a única opção, Camila era a atriz que mais poderia contribuir para o papel, segundo Brant. Ela apenas preencheu as expectativas dos diretores. "A gente pensou na Camila por ela ter um quê de cabocla, não só na aparência como também no comportamento, e também por seu repertório de vida pessoal", conta Brant, referindo-se ao histórico familiar da atriz - a mãe, a atriz Vera Manhães, e uma tia, também enfrentaram problemas psiquiátricos. "Sempre fazemos entrevistas com atores na fase de construção do elenco de nossos filmes e, na primeira conversa com a Camila tivemos a certeza que ela poderia contribuir para o filme com o carisma, o engajamento e a vivência dela".

"Depois que a Camila leu o livro do Marçal, ela se sentiu muito provocada pela história da Lavínia, e pelo ambiente social onde a personagem transita", complementa Ciasca, amigo e parceiro profissional de Brant há 25 anos. "Ela se sentiu instigada não só pela complexidade da personalidade de Lavínia e do cenário social em que aquele triângulo amoroso está inserido, mas também por nossas propostas artísticas como cineastas", explica o diretor, coautor dos roteiros de Ação Entre Amigos (1998), O Invasor (2002), dirigidos por Brant, e coautor e codiretor de Cão Sem Dono (2007).

Camila confirma que Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios chegou em momento em que busca "sair da zona de conforto". "Fiquei surpresa comigo mesma. O filme vai para uma região em que ninguém me viu antes, totalmente fora do meu universo", justifica a atriz, intéprete de um dos personagens mais populares da TV brasileira dos últimos anos, a prostituta Bebel da novela Paraíso Tropical (2007). "As pessoas não param de comparar a Lavínia com a Bebel, mas não percebem que são personagens de temperamentos completamente diferentes, sem falar nas origens e motivações deles", lembra a atriz, em cartaz no Rio com uma versão de bolso da peça Toda Nudez Será Castigada, na Casa França-Brasil, na qual intepreta Geni, a famosa prostituta de Nelson Rodriguez.

Longe dos palcos há seis anos, a atriz volta a investir em teatro, sem se distanciar de seu propósito de enfrentar projetos de risco. "Agora quero fazer a peça Lá Fora Vai Estar Chovendo Sempre, escrita pelo (ator e dramaturgo Camilo) Gero. Pretendemos estrear no início de 2012. Vou produzir e atuar. Quero me arriscar mais, me desenvolver como artista. Mas está me dando um puta frio na barriga!", admite a bela atriz.


 

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