04/11/2009 - 19:37
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Exclusivo VEJA.com

Cadeirantes que deram a volta por cima

Leia mais: o cotidiano dos deficientes físicos e entrevista com Alinne Moraes

O acidente

Imagem: Divulgação   Marcelo Yuka, 43, músico – lesão: paraplegia
"Eu ia a um show no Rio de Janeiro. Perto de casa, havia um carro atravessado na ponta de uma rua, tentando parar a tiros os carros que passavam. Freei e dei ré. Mas não sabia que havia outro carro, atrás do meu, assaltando uma menina. Os caras desse carro começaram a disparar. Recebi nove tiros e passei por 12 cirurgias."
Imagem: Arthur Calasans/Divulgação   Fabiano Puhlmann, 43, psicólogo e autor do livro A Revolução Sexual sobre Rodas- lesão: tetraplegia
"Quebrei o pescoço duas vezes. No primeiro acidente, tinha 17 anos. Corri para mergulhar na piscina e escorreguei antes de saltar. Bati a cabeça no fundo e perdi os movimentos. Via o sangue saindo da cabeça e tentava me mexer, mas não conseguia. O segundo ocorreu em 2006. Lesei a medula no mesmo lugar ao cair da bicicleta."
Imagem: Divulgação   Mara Gabrilli, 42, vereadora de São Paulo - lesão: tetraplegia
"Sofri um acidente de carro em 1994, aos 26 anos. Numa curva da serra de Taubaté, o meu então namorado perdeu o controle do carro, que rolou 15 metros barranco abaixo. Quebrei o pescoço - uma dor inesquecível. Eu não conseguia respirar direito e não mexia os braços. Fraturei a quarta e a quinta vértebras cervicais."
Imagem: Divulgação   Fernando Fernandes, 28, modelo e ex-Big Brother Brasil - lesão: paraplegia
"Dormi no volante e, quando acordei, estava na cama errada. Tinha um monte de gente de branco em volta de mim. Eu pensei: 'Pronto, acordei no céu'. Colocaram oito pinos de titânio nas minhas costas. Fiquei bastante tempo grogue pelos remédios, e só depois percebi que não sentia as pernas. O apoio dos amigos, no hospital, foi fundamental."
Imagem: Amilcar Packer   Marcelo Rubens Paiva, 50, jornalista e escritor - lesão: tetraplegia
“14 de dezembro de 1979, 17 horas (...)
Pulei com a pose do Tio Patinhas, bati a cabeça no chão e foi aí que ouvi a melodia: biiiiiiin. Estava debaixo d’água, não mexia os braços nem as pernas, somente via a água barrenta e ouvia: biiiiiiin. Acabara toda a loucura, baixou o santo e me deu um estado total de lucidez: ‘Estou morrendo afogado.’”
(abertura do livro Feliz Ano Velho, em que Paiva lembra o acidente que o deixou tetraplégico)

A recuperação

Imagem: Divulgação   Marcelo Yuka, 43, músico – lesão: paraplegia
"Fiquei muitos anos em depressão, entre seis e sete. Quis desistir de viver várias vezes. A mudança no seu corpo é mais rápida do que na sua cabeça. Dia após dia, você vai descobrindo o que perdeu. Há uns dois anos, descobri a meditação e as coisas foram clareando. Fazer terapia também me ajudou."
Imagem: Arthur Calasans/Divulgação   Fabiano Puhlmann, 43, psicólogo e autor do livro A Revolução Sexual sobre Rodas - lesão: tetraplegia
"Depois do trauma, vem a negação. A realidade é insuportável. Tão insuportável que você quer mudá-la. A esperança [de voltar a andar] é uma forma de negação. Guardei minha prancha por dois anos após o primeiro acidente, achando que voltaria a surfar. Para mim, o trauma não atingiu o corpo. Atingiu a alma."
Imagem: Divulgação   Mara Gabrilli, 42, vereadora de São Paulo - lesão: tetraplegia
"É claro que tive momentos de tristeza. Lembro de cenas fortes: eu, nos EUA, onde fiz minha reabilitação, olhando para o nada e pensando: 'E agora, como é que vai ser?'. Mas em nenhum momento pensei em morrer. Percebi que não dava para ficar contabilizando o que havia perdido. Me concentrei no que tinha de ganhar para melhorar."
Imagem: Divulgação   Fernando Fernandes, 28, modelo e ex-Big Brother Brasil - lesão: paraplegia
"No momento, estou sem movimento nas pernas. Os médicos não sabem quando e se ele volta. Então, a palavra 'reabilitação' tem sentido aberto. É óbvio que eu quero voltar a andar, mas tenho que ser realista e inteligente o bastante para saber que há a possibilidade de isso não acontecer. Graças a Deus, tenho lidado naturalmente com isso.."
Imagem: Amilcar Packer   Marcelo Rubens Paiva, 50, jornalista e escritor - lesão: tetraplegia
“Todos sofriam comigo, me davam força, me ajudavam, mas era eu que estava ali deitado, e era eu que estava desejando minha própria morte. (...) Foi o que prometi a mim mesmo. ‘Se eu não voltar a andar, darei um jeito qualquer de me matar’. Era bom pensar assim. Eu não tinha medo de morrer. ” (trecho de Feliz Ano Velho, de Marcelo Rubens Paiva)

A volta por cima

Imagem: Divulgação   Marcelo Yuka, 43, músico – lesão: paraplegia
"Assim que melhorei da depressão, tentei resgatar um pouco do homem que eu era. Faço trabalhos sociais e estou gravando um disco, que deve sair depois do Carnaval. Nunca tive problema de relacionamento [pela minha condição física]."
Imagem: Arthur Calasans/Divulgação   Fabiano Puhlmann, 43, psicólogo e autor do livro A Revolução Sexual sobre Rodas- lesão: tetraplegia
"É possível manter um relacionamento após a lesão. Sou casado há 12 anos. A primeira coisa que eu quis fazer depois do segundo acidente foi transar. Minha mulher achou que eu estivesse doente e disse que era louco. Falei: 'Não estou doente, não, vamos transar e é já!' (risos). Eu queria me sentir íntimo dela de novo. Sexo é intimidade."
Imagem: Divulgação   Mara Gabrilli, 42, vereadora de São Paulo - lesão: tetraplegia
"Quando vi a facilidade emocional e financeira que tinha diante do problema, percebi que era privilegiada. Resolvi fundar uma organização para melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência. Criei a ONG Projeto Próximo Passo (PPP), focada em esportes. Tenho também o Instituto Mara Gabrilli na luta pela causa dos deficientes."
Imagem: Divulgação   Fernando Fernandes, 28, modelo e ex-Big Brother Brasil - lesão: paraplegia
"O plano A, é lógico, é voltar a andar e a trabalhar como modelo. Mas a gente tem de lidar com a realidade. Meu plano B seria voltar a praticar um esporte competitivo e disputar uma Paraolimpíada. O remo me interessa muito. O atletismo, também."
Imagem: Amilcar Packer   Marcelo Rubens Paiva, 50, jornalista e escritor - lesão: tetraplegia
"Acho que vivi uma depressão, e fiz terapia para superar. Mas tudo isso é distante para mim... Eu vivi 20 anos sem estar numa cadeira de rodas e 30 anos como cadeirante. Isso já é mais parte do meu físico do que andar. Eu nem me lembro de voltar a andar, nem sei o que é isso. Para mim, já faz parte da rotina pegar a minha cadeirinha e sair pela cidade."

Comentários


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patricia

Eu talvez, possa te entendido um pouco ou bem pouco o que um cadeirante pensa num primeiro momento, tenho um irmão que a dois meses foi assaltado no centro do Rio e levou um tiro tento uma lesão completa na medula, e não sente as pernas. Eu não sei como posso ajuda-lo, oquê falo. Meu Deus eu me sinto totalmente perdida assi(..)

10.04.2012

| Ler Mais

raimundo

sou paraplegico a quase oito anos e nunca me senti triste por ter a certeza de não foi um acidente, mas sim uma passagem na minha vida que eu tinha que passar, que eu estou sendo guiado por forças divinas, em que tive de passar por isso. estou sempre tranquilo e com a maior certeza de que um dia estarei de pé novamente.

16.01.2012

andreza

eu sou uma cadeirante deus de quando eu nasci nunca soube o que é andar mais mesmo ñ sabendo andar eu sou mt feliz

03.09.2011

sandra

a um ano sofri um assidente de trabalho o qual lesionou minha coluna estou sem andar mas eu creio que em breve vou voltar a andar agradeço a DEUS todos os dias pela força dos amigos e familiares que nunca me abandonarão principalmente meu noivo que esta até hoje do meu lado...

18.08.2011

Paulo Vitor

09 do fevereiro de 2000, eu ao andar de esqueite escorreguei em uma possa d'água, e bater de frente com um carro vi as minhas costas dando um estalo q gerou uma dor tremenda, depois eu fui parar no hospital em estado grave. Logo depois veio a noticia de que eu estava paraplergico, foi um momento que eu nunca esqueço, mas e a(..)

05.07.2011

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Romero F Barbosa

Estou Paraplegico a 8 meses me emocionei muito lendo essa materia.por nao me aceitar.estou perdendo tudo .familia amigos e alto-estima estou atravessando um fase ruim de minha vida /mais sei que tenho que me superar

05.07.2011

Fernanda

Ola, q legal ver historias de gente assim, pois meu marido é paraplegico a 10 anos

21.11.2010

Cácia

Eu adorei esta matéria, e gostaria de saber mais!!! Como por exemplo: UM paraplégico, quando ele não aceita ajudas, isso aconteçe, por que seu emocional foi abalado, por que neste momento, ele sente-se necessidade de mostrar ao outro, que apesar de ser um cadeirante, ele não totalmente dependente. Gostaria de saber se as per(..)

18.11.2010

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JOSE AUGUSTO .NUNES DE SOUZA

ADORI

18.08.2010

Juvência

Olá pessoal!!! Estamos fazendo nosso TCC e escolhemos como tema o cadeirante. Não estamos encontrando uma certa dificuldade em achar livros ou rrevistas científicas, se puderam nos ajudar ficaremos muito agradecidas. Bjs.

13.08.2010

 

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