25/08/2009 - 12:11
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Exclusivo VEJA.com | Cinema

Brasileiros disputam posto de primeiro filme em 3D

Luiz De França
Stress e Relax, personagens de <i>Brasil Animado</i>

Stress e Relax, personagens de Brasil Animado (Divulgação)

Os recordes de bilheteria registrados pelos filmes com exibição em 3D no Brasil e no mundo têm despertado o interesse da indústria cinematográfica, que promete uma enxurrada de novas produções em três dimensões: pelo menos 21 lançamentos estão previstos até o final de 2011. Claro, a maioria é americana. Mas as produções brasileiras não ficarão de fora. Pelo menos cinco projetos estão na busca do título de primeiro longa-metragem brasileiro exibido em 3D, segundo Marcelo Siqueira, diretor técnico e supervisor de efeitos da TeleImage, a maior finalizadora brasileira de filmes.

"Hoje, a produção mais próxima de conseguir esse título é Brasil Animado, que já está 50% realizado", conta Siqueira. A obra, da Mariana Caltabiano Criações, vai mesclar animação com cenários reais e está prevista para ser lançada comercialmente em 2010. O cineasta Roberto Moreira, da produtora Coração da Selva, também está na fila. Ele pretende iniciar no segundo semestre do próximo ano as filmagens de Terapia do Medo, do gênero terror. Inclua-se nessa lista Tainá 3, ainda em fase de captação de recursos, a animação A Oitava Princesa, da Moonshot, e um último projeto capitaneado por Siqueira para um produto no estilo de Monstro S/A, da Disney.

Blockbuster - Segundo a publicação americana Hollywood Reporter, a bilheteria dos filmes em 3D deverá exceder facilmente a marca de 1 bilhão de dólares neste ano. No Brasil, pelo menos 42 milhões de dólares (cerca de 79 milhões de reais) foram para a animação da 20th Century Fox A Era do Gelo 3 (2009), que desbancou o filme Titanic (1997), até então a maior bilheteria no país. O efeito tridimensional no cinema está tão em alta que o Festival de Veneza deste ano - que acontece em setembro, na Itália - criou uma nova categoria para premiar a melhor animação do gênero.

Para Cesar Pereira da Silva, diretor-geral da Paramount Pictures Brasil, o país ainda está em fase embrionária. "Agora temos de partir para uma outra etapa, que é ter uma segunda sala para exibição 3D em um mesmo espaço multiplex", adianta. "Do contrário, não teremos locais suficientes para exibir os filmes e vai acontecer o que ocorreu com A Era do Gelo 3, que teve de sair de cartaz para dar espaço a outro título", reclama. Atualmente, o país conta com 63 salas equipadas para exibição digital em 3D. Em julho de 2008, eram 12.

Apesar da dificuldade inicial, Silva vê com entusiasmo os investimentos dos estúdios em produções com a nova tecnologia. "Trata-se de uma nova experiência de ir ao cinema, o que tem feito com que as pessoas se disponham a pagar a mais para ver algo que só terão no cinema", diz, referindo-se aos recordes de lotação das salas e ao preço dos ingressos, que chega a ser 80% mais caro. "O 3D digital já é considerado a terceira revolução cinematográfica, depois do som e da cor."

Pirataria - O entusiasmo da indústria de cinema com a tecnologia tem também outra explicação. Segundo Silva, o setor acredita ter encontrado a solução para combater a pirataria, que tem dado prejuízo aos estúdios com a venda e distribuição dos filmes via DVDs ou on-line antes mesmo das obras entrarem em cartaz. "Para assistir a um filme 3D, é preciso um equipamento especial, que é caro", explica. Cada projetor custa em média 45.000 dólares.

Aliado a isso, o DCI, organização formada pelos estúdios Disney, Fox, Paramount, Sony Pictures, Universal e Warner Bros., estabeleceu que os filmes digitais em 3D sejam encriptografados com códigos que são traduzidos para liberar a projeção momentos antes das sessões. "E mesmo que alguém entre na sala de exibição e grave com uma câmera só vai captar uma imagem desfocada."

A tecnologia, no entanto, não deverá ficar restrita às salas escuras dos cinemas por muito tempo. Sua popularidade atraiu o interesse da indústria de eletrônicos, que já comercializa alguns modelos de monitores em 3D, e de grupos de comunicação, como a BSkyB, que anunciou recentemente o lançamento em 2010 do primeiro canal de TV da Europa com programação integral em 3D.

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