10/02/2012 - 20:08
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Festival de Berlim

Aos 82 anos, Max von Sidow diz que não foi um bom pai

Ator é candidato ao Oscar por 'Tão Forte e tão Perto', onde interpreta um velho que ajuda um menino a fazer as pazes com a memória de seu pai, morto no atentado às Torres Gêmeas

Carlos Helí de Almeida, de Berlim

Aos 82 anos de idade e mais de 140 filmes na bagagem, Max von Sydow confessa que não foi o pai que desejou ser para os filhos. “Tentei ser a figura paterna perfeita, mas é uma tarefa impossível quando se é um ator profissional”, disse o veterano ator sueco durante a coletiva de imprensa de Tão Forte e tão Perto, que fez sua estreia na tarde desta sexta-feira (10) na programação da 62ª edição do Festival de Berlim.

No filme dirigido por Stephen Daldry (Billy Elliot), Sydow interpreta um octogenário misterioso, que ajuda um menino de 9 anos de Nova York a fazer as pazes com a memória de seu pai, morto no atentado contra as Torres Gêmeas, em 2001. “Graças a Deus, meus quatro filhos não têm muitas queixas contra mim, como pai”, brincou o ator, indicado pela segunda vez ao Oscar, como coadjuvante, pelo papel – a primeira foi por Pelle, o conquistador, em 1987.
Sydow começou a carreira no teatro e atuou em diversos programas de TV antes de começar a fazer filmes com Ingmar Bergman (1918-2007), como O Sétimo Selo (1957) e Através de um Espelho (1961), parceria que o lançou internacionalmente. Mas foram sucessos de bilheteria americanos como O Exorcista (1973), de William Friedkin, e 007 – Nunca Mais Outra Vez (1973), de Irvin Kershner, que lhe garantiram status de celebridade.

Em Tão Forte e tão Perto, Sydow encarna um imigrante alemão que aluga um quarto no apartamento de um viúva, que, aparentemente, conhecera num passado remoto. O velho, conhecido apenas como “o inquilino” perdeu os pais durante a Segunda Guerra e desde então recusa-se a falar. O personagem se comunica com o pequeno Oskar (Thomas Horn), o protagonista, por meio de bilhetes rabiscados em bloquinhos ou as palavras “sim” e “não” escritas nas palmas das mãos.

“Seres humanos são seres humanos em qualquer lugar do mundo, não importa se falam ou são mudos. O que me atraiu nesse personagem não foi o fato de não falar, ou se recusar a falar, mas a ideia de que ele representava algo novo para mim. É bom fazer papéis diferentes de vez em quando, é muito chato ficar se repetindo”, observou Sydow, que ainda este ano poderá ser visto na pele de outro alemão, no drama de guerra Truth & treason, de Matt Whitaker.

“Sou um imigrante profissional, nos filmes e na vida real”, debochou o ator, que recentemente se tornou cidadão francês. “Depois de anos vivendo em Paris, resolvi requerer cidadania francesa. O problema é que o governo sueco não reconhece a dupla cidadania. Então, já que não moro na Suécia há muito tempo, decidi abdicar da minha cidadania sueca”, explicou o Sydow, que não tem planos de voltar a trabalhar em seu país natal: “Tenho me sentido muito preguiçoso ultimamente”.

 

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