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Arcebispo defende excomunhão de responsáveis por aborto
AE
O arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, defendeu nesta sexta-feira a excomunhão dos responsáveis pelo aborto da menina de 9 anos estuprada pelo padrasto em Alagoinha (a 230 km de Recife). A menina deixou o hospital nesta sexta-feira e seria encaminhada a um abrigo, em local não divulgado.
O arcebispo alegou que "a lei de Deus está acima de qualquer lei humana". Com a excomunhão, eles não podem mais receber a eucaristia ou outros sacramentos, entre eles o casamento; mas não estão banidos de participar de celebrações da Igreja, como missas.
Em relação ao padrasto, que assumiu o crime, Dom José Cardoso Sobrinho disse que ele não é passível de excomunhão. "Esse padrasto cometeu um pecado gravíssimo. Agora, mais grave do que isso, sabe o que é? O aborto, eliminar uma vida inocente."
O chefe do Conselho Pontifício para a Família do Vaticano, Gianfranco Grieco, apoiou a decisão da excomunhão. Em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, Grieco admitiu que a situação é delicada. "A Igreja nunca pode trair o seu anúncio, que é defender a vida desde a concepção até a morte natural, mesmo em face de um drama humano tão forte como o da violência contra uma criança", disse Grieco. Ele afirmou que o aborto não é uma solução.
A gravidez da menina foi descoberta na semana passada. Após exames, os médicos constataram que a gravidez era de gêmeos e representava alto risco. Na quarta-feira, a garota passou por um procedimento de aborto - previsto pela lei brasileira em caso de estupro. Todos que participaram do procedimento, inclusive a mãe da menina, foram excomungados pelo arcebispo de Olinda e Recife.
Ainda nesta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoiou a decisão dos médicos. "Estou dizendo que a medicina está mais correta que a Igreja, e a medicina fez o que tinha que ser feito, salvar a vida de uma menina de 9 anos", afirmou Lula. "Como cristão e como católico, lamento profundamente que um bispo da Igreja Católica tenha um comportamento, eu diria, conservador como esse."
Quando o arcebispo excomungou as vítimas de uma tragédia, a mensagem dele para o mundo é "não me importo com essa menina. Não me importa se ela corre risco de vida. Não me importa se minha atitude pode deixá-la traumatizada. Só o que importa é que minha instituição tem regras e estou seguindo essas regras. Só o que me importa é que minha instituição tem interesses e estou defendendo esses interesses." Podemos fingir que é só o infeliz arcebispo que pensa assim, mas não é. Esse pensamento está entranhado na nossa sociedade.
Leia no blog do Reinaldo Azevedo:
A decisão do arcebispo de Olinda e Recife, que fique claro, tem alcance apenas religioso. Para um fiel comum, não pertencente à hierarquia católica, seu peso é simbólico, sem conseqüências na vida, digamos, civil. (...) O que me parece é que faltou ao bispo, zeloso dos princípios, pesar as circunstâncias para que sua decisão não restasse contraproducente: em vez de chamar a atenção para a defesa da vida, apenas reforçou, ao olhos do público, uma espécie de rigidez que parece ignorar as fragilidades humanas. Acertou no princípio; errou no tom.








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