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Vandalismo marca atos contra aumento da tarifa em São Paulo e no Rio

Mascarados rapidamente transformaram as ruas do centro da capital paulista em palco para cenas de selvageria. Ônibus, carro e orelhão foram destruídos

Por: João Pedroso de Campos - Atualizado em

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Terminou em selvageria nesta sexta-feira um protesto convocado pelo movimento Passe Livre contra o aumento da tarifa do transporte público na capital paulista. Vândalos mascarados rapidamente transformaram em uma praça de guerra o centro de São Paulo: cerca de 30 minutos depois do início da manifestação, black blocs começaram a depredar ônibus e entraram em confronto com a Polícia Militar. Pelo menos dois coletivos foram destruídos. Um carro da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) teve os vidros quebrados ao lado da Biblioteca Mário de Andrade. Houve depredação também no Rio de Janeiro.

A caminhada saiu da Praça Ramos, ao lado do Teatro Municipal, por volta das 18 horas. Quando o grupo se dirigia pela Avenida Nove de Julho, a PM formou um cordão de isolamento para impedir que os manifestantes atravessassem para o outro lado da via. Mascarados então forçaram a passagem e teve início o tumulto: black blocs atacaram os agentes com pedras e paus e a polícia respondeu com bombas de efeito moral e balas de borracha. Manifestantes também atearam fogo a latas de lixo e as espalharam pelas ruas do centro.

Os mascarados eram inicialmente escoltados pela chamada tropa do braço da PM. A Polícia Militar levou três ônibus cheios de policiais para o Viaduto do Chá, no Vale do Anhangabaú. Ao menos um policial militar e um manifestante ficaram feridos. O PM tinha o rosto ensaguentado, enquanto o manifestante foi aparado por colegas aparentemente com um ferimento na barriga.

A confusão se espalhou pela Ladeira da Memória e nas entradas no Metrô Anhangabaú e do Terminal Bandeira. Várias pessoas se protegeram na entrada dos terminais. Policias militares usaram bombas de efeito moral e bombas de gás lacrimogêneo, enquanto manifestantes mascarados responderam com garrafas e pedras. Um orelhão em frente ao Terminal Bandeira foi depredado. Vândalos seguiram, então, para a Consolação, onde vandalizaram um ônibus e espalharam barricadas em chamas. Na esquina entre a rua Martins Fontes e a Praça Roosevelt, também na região da Consolação, outro coletivo foi invadido e depredado por mascarados.

Rio - No Rio de Janeiro, o protesto contra o aumento na tarifa também terminou em confusão: um grupo de mascarados jogou pedras nos PMs que faziam a escolta dos manifestantes. Os agentes responderam com bombas de efeito moral e usaram cavalos para dispersar a manifestação. A confusão se deu atrás do prédio da Central do Brasil. Vândalos também atearam fogo em latas de lixo. Passageiros foram obrigados a descer do ônibus pelos mascarados.

O protesto começou pacífico, com cerca de 700 pessoas, às 18 horas, na Cinelândia. Os manifestantes seguiram em caminhada até a Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) e depois partiram para a Central do Brasil, onde duas pistas da Avenida Presidente Vargas foram interditadas, complicando o trânsito no centro.

A confusão começou por volta das 20 horas. Centenas de pessoas que chegavam à estação para pegar os trens correram em desespero. Parte delas fugiu para a vizinha Avenida Presidente Vargas. Outras correram para dentro da estação na tentativa de se proteger. Assustados, comerciantes fecharam as portas dos estabelecimentos. O cheiro de gás de pimenta tomou conta do saguão da Central.

Apesar de o protesto ter o transporte público como tema, as reivindicações de cada grupo participante eram múltiplas, com críticas aos governos municipal, estadual e federal e aos políticos. O prefeito Eduardo Paes (PMDB) foi criticado em vários discursos. O governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), embora menos citado, também recebeu críticas. Nos discursos não houve menção à presidente Dilma Rousseff (PT) nem ao deputado federal Eduardo Cunha (PMDB), alvos de muitos cartazes indignados.

(Com informações do Estadão Conteúdo)