29/08/2011 - 08:00
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Comportamento

Um ritual fúnebre animal

As complicações começaram em novembro de 2010, quando Argos desmaiou depois de subir a escadaria do prédio onde morava

Branca Nunes
Argos morreu de insuficiência respiratória às 2 horas da madrugada do dia 10 de agosto deste ano

Argos morreu de insuficiência respiratória às 2 horas da madrugada do dia 10 de agosto deste ano (Branca Nunes)

Argos, como era chamado pela família, viveu pouco, mas intensamente. Ia ao clube exercitar-se no mínimo três vezes por semana, corria bastante, brincava o tempo todo, comia do bom e do melhor e dormia quase sempre no meio dos pais. As complicações começaram em novembro de 2010, quando, depois de subir a escadaria do prédio onde morava, desmaiou repentinamente. Descoberto o problema no coração, foi atendido pelos melhores médicos, tomou todos os medicamentos disponíveis – inclusive os importados – e passou por mais de uma cirurgia. Não adiantou. Argos morreu de insuficiência respiratória às 2 horas da madrugada do dia 10 de agosto deste ano. O velório aconteceu no dia 12 e, a cremação, na manhã da segunda-feira, 15.

Até aqui, nada de estranho. Ocorre que Argos é um cão.

Depois de um ritual fúnebre completo, as cinzas de Argos foram depositadas numa urna de bronze que agora adorna a prateleira do apartamento onde Rodrigo Valente, o “pai”, mora com a mulher e as duas filhas pequenas – essas, sim, seres humanos. “Além da minha avó, que morreu há poucos meses, acho que nunca havia sentido tanto a perda de alguém”, confessou Valente. “Quando Argos morreu, a única coisa que sabia era que não queria que seu corpo fosse levado pela prefeitura”.

Rodrigo Valente (de camiseta branca), durante o velório de Argos

Rodrigo Valente (de camiseta branca), durante o velório de Argos

Outra possibilidade é levar o animal até uma clínica veterinária. “A clínica paga mensalmente pelo serviço de coleta, que inclui os materiais cirúrgicos e hospitalares”, explica Alexandre Prado, médico veterinário e proprietário da clínica CSA. Os clientes pagam cerca de 20 reais por isso.Quando um animal de estimação morre em São Paulo, os donos têm algumas opções. A primeira é “acondicionar o animal em saco plástico branco leitoso, devidamente identificado e levá-lo até à Estação de Transbordo Ponte Pequena, localizada na Avenida do Estado, 300 no Bairro Bom Retiro”, explica a Loga, empresa que, assim como a Ecourbis, é responsável por retirar e dar aos corpos um destino adequado. Essa alternativa é gratuita. Quem tem casa costuma enterrar os bichinhos no jardim – embora a prática não seja recomendada, por comprometer os lençóis freáticos.

Classificados como “Resíduos de Serviços de Saúde do Grupo A2”, os animais coletados nas clínicas são transportados até a Estação de Transbordo Ponte Pequena e transferidos do veículo para um contêiner refrigerado a 4°C. A cada dois dias, são levados até a Plataforma de Tratamento de Resíduos, em São Bernardo do Campo, e incinerados.

Crematório de animais, Pet Memorial

Cinerário

Mas, numa cidade onde óculos de sol para cachorros são vendidos por 114 reais, um chocolate importado canino sai por quase 15 reais e existem restaurantes, confeitarias, salões de beleza, estúdios fotográficos, ofurôs e centros holísticos exclusivos para cães, um animal de estimação não poderia ser tratado, depois de morto, simplesmente como um “Resíduo de Serviço de Saúde do Grupo A2”. É por isso que há lugares como o Cemitério dos Animais Reviver, em Minas Gerais, o Pet´s Garden, no Rio de Janeiro, e o Jardim do Amigo e o Pet Memorial, em São Paulo.

Um dos poucos crematórios de animais do Brasil, o Pet Memorial foi inaugurado em junho de 2000. Lá foi cremado, em 31 de julho deste ano, o Leão Ariel – o leão tetraplégico que ficou famoso depois que seus criadores começaram uma corrente na internet para arrecadar recursos para que ele voltasse a se movimentar. Argos também esteve ali. No Memorial Pet já foram cremados gatos, porcos, tartarugas, periquitos, hamsters e até cobras.

Além dos fornos para cremação individual ou coletiva, com no máximo três animais por vez, o Memorial Pet têm três salas para velório – uma com uma reprodução de São Francisco de Assis em tamanho real e outras sem figuras de santos. “Essas são para animais de religiões que não aceitam imagens”, esclarece Manuel Garrote, gerente comercial do Pet. Os 12 mil metros quadrados de áreas verdes também abrigam um cinerário, onde as urnas podem ser depositadas, uma pequena cachoeira artificial e um centro de adestramento de animas (vivos, claro).

Crematório de animas, Pet Memorial

Ecournas

Os modelos de urnas disponíveis são de madeira, de mármore, de bronze e duas ecológicas – uma hidrossolúvel, que se desintegra na água, e outra biodegradável. “Essa urna pode ser plantada junto com a muda de uma árvore”, explica Garrote. Sobre a urna é possível colocar uma estátua de bronze da mesma raça do animal falecido.

No Memorial Pet são realizadas entre 320 e 360 cremações por mês. “O número cresce a cada ano”, informa Garrote. Em média, quem quer cremar um animal gasta em torno de 800 reais. Dependendo do modelo da urna, o serviço completo, com enterro individual, pode chegar a mais de 2 mil reais.

Foi essa a opção de Valente. Por ser um cachorro especial – “o melhor do mundo”, garante o dono – Argos teve, depois de morto, o mesmo tratamento que lhe foi dispensado durante os quatro anos de vida: o de um pequeno príncipe. 

Velório de Argos, no Pet Memorial

Velório de Argos

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Comentários


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Cleide

Amo cachorro, tenho 4.. mas isso nao significa que tenho de enterrar eles num caixao.. isso é soberba.. Ja que o rodrigo Valente é um dos donos da empresa Bell computer.. e simplesmente virou as costas e deixou inumeros funcionarios sem receber nada nem se quer uma satistação . isso sim deveria ser a prioridade dele .

14.09.2011

Jose Duarte Soares

Aos contras e aos a favor do ato do Rodrigo,Trabalhei 2 anos falida empresa dele a Bell Computer e comos os outros funcionarios e amigos vomos encanados e NÃO RECEBEMOS nossos direitos trabalhistas.Pelo visto ele tem com muita grana né.OBS> tenho 4 cachoras uma delas com 17 anos, quando uma delas morrer vou optar pelo mais b(..)

13.09.2011

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samela

meu cachorro faleceu a tres dias sinto muitas saudade dele esse ano tive tres cachorro o nome do meu primeiro cachorro era brux ele que morreu roubaram ele depois encontrei ele de novo e depois de 1 mês ele morreu de infecção viral o meu segundo cachorro pegou essa doença do brux e ta morrendo o meu terceiro cachorro roubar(..)

03.09.2011

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Sandra

Amar e sofrer pela perda do animal é normal, independente das crianças famintas e dos indigentes, mas isto é um pouco exagerado, apego demasiado,já é um pouco maluquice, até mesmo entre os humanos.

29.08.2011

MARYNNA MARANHÃO

TENHO CERTEZA ABSOLUTA QUE ELE TRATA OS SEUS FILHOS MELHOR QUE MUITA GENTE QUE O CRÍTICA!!!HÁ É PESSOAS ASSIM,QUE TEMOS QUE ELEGER PARA GOVERNAR O BRASIL HUMANA!ADMIRO AS PESSOAS QUE GOSTAM E CUIDAM DOS ANIMAIS!!!GUÉM TIRA O FUTURA E DESRESPEITAM AS NOSSAS CRIANÇAS SÃO OS POLÍTICOS CORRUPTOS

29.08.2011

MARIA TEREZA

Este ano(2011) perdi 3 cachorros,os três envenenados.Eu os enterrei no meu quintal que é amplo.Não creio que os meus inocente cães,enterrados,vão causar problemas, aos lençõis freáticos.Se assim for, o que dizem dos cemitérios humanos? Os meus cachorros,foram enterrados,onde sempre viveram! No quintal da minha casa.Quem estr(..)

29.08.2011

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Antonio Lima

Com todo meu respeito as diversas opiniões que desaprovam a conduta do dono do animalzinho, digo que as pessoas abandonadas são problema das suas respectivas FAMÍLIAS e as crianças abandonadas são um problema serio do GOVERNO...o entêrro foi pago com dinheiro do próprio bolso..então cada " um que fique na sua..." ou exija do(..)

29.08.2011

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Lindinha

Que fofo!!!!!! cuti cuti ....

29.08.2011

Vanessa

Se crianças passam fome, o problema não é meu. Eu não as fiz e é responsabilidade de quem faz. Já basta os bolsa-família e para isso contribuímos bastante. Os animais não são invejosos, interesseiros e mesquinhos, ao contrário de nossa espécie... Merecem sim, todo o nosso amor e nossa considração.

29.08.2011

Vinny

Amo muito todos os animais, inclusive os irracionais. Contudo, tudo isso é muito ridículo. Leões, gatos, cachorros e afins sendo velados e recebendo tratamento fúnebre sofisticados. A bestialização e a degeneração dos valores humanos estão em baixa, não que os bichinhos não mereçam dignidade para viver ou respeito pelo féret(..)

29.08.2011

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Luis Carlos Zardo

É lamentável que crianças morram de fome ou pessos sejam enterradas como indigentes, mas, de forma alguma pessoas como o dono de Argos sejam as responsáveis por esta situação. Mais respeito pelos animais tornaria o mundo melhor para os seres humanos, somos NÓS que estamos tornando este mundo em um inferno, não eles.

29.08.2011

Carolina

"Quando Argos morreu, a única coisa que sabia era que não queria que seu corpo fosse levado pela prefeitura" Foi exatamente assim que eu me senti quando meu Gordo morreu... Acabamos levando pra enterrar na casa da minha mãe.

29.08.2011

carlos josé

Sem comentários...

29.08.2011

Kaos

Os animais mereçem respeito, mas tudo tem limite.

29.08.2011

sonia

Absurdo ! enquanto criancas morrem de fome, animal tem enterro de luxo...ate quando as pessoas serao tao limitadas ?

29.08.2011

Claudio

Enquanto isso, pessoas são enterradas como indigentes em cemitérios das grandes cidades...

29.08.2011

J.R.Pereira

É no mínimo pesaroso que seres humanos dêem mais valor a seres que não são de sua espécie. Nada contra os cães mas quando os elevamos a uma categoria acima do nosso próprio, é sinal que estamos a beira da auto-destruição... E com nossas próprias bençãos.

29.08.2011

 

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