23/06/2010 - 19:19
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Tragédia em Alagoas

Tsunami causado por barragens pode ser verdadeira causa da enchente em Alagoas

Jones Rossi
Em Branquinha (AL), os trilhos da antiga estação de trem foram retorcidos pela força das águas

Em Branquinha (AL), os trilhos da antiga estação de trem foram retorcidos pela força das águas (Leo Caldas/Titular)

Choveu muito em Pernambuco e Alagoas na sexta-feira, dia 18, mas a verdadeira causa da tragédia que arrasou a zona da mata alagoana, matou 44 pessoas e tirou mais de 40.000 pessoas de suas casas pode ter sido uma espécie de 'tsunami' causado pelo rompimento de barragens privadas situadas na bacia dos rios Canhoto (PE) e Mundaú (PE e AL). "É a única explicação possível", afirma Ricardo Sarmento Tenório, professor de meteorologia da Universidade Federal de Alagoas e coordenador do Sistema de Radar Metereológico de Alagoas (Sirmal).

A hipótese de Tenório é que algumas das várias barragens particulares espalhadas pela bacia do rio Mundaú, que ocupa uma área de 4.102 Km², ficaram saturadas e se romperam. "Não foi uma tromba d'água em determinada região. A característica foi de uma onda grande que veio em alta velocidade", afirma. Como o rio Mundaú não é caudaloso e as chuvas não ficaram muito acima do esperado para a época, o meteorologista não vê outra explicação para a tragédia. "Só não aconteceu antes porque não choveu tanto nas cabeceiras nos últimos anos."

Segundo Tenório, as chuvas que se concentraram nas cabeceiras dos rios Mundaú, Paraíba (AL), Camarajibe (AL), Una (PE) e Sirinhaém (PE) foram fortes, mas não o suficiente para que os rios transbordassem com a violência observada em cidades como Branquinha. Esta cidade está longe da área em que mais choveu e mesmo assim foi completamente destruída. "Houve muita chuva na cabeceira desses rios, mas em Garanhuns, onde choveu 121,8 mm em 24 horas, não aconteceu grandes estragos", diz Tenório. "Essa quantidade não seria capaz de provocar uma vazão tão grande."

Junho e julho são, de fato, os meses em que mais chove na região. A vazão do rio Mundaú, que atravessa as cidades mais atingidas em Alagoas, dobra em junho e quase triplica durante o mês de julho. A chuva de mais de 100 mm registrada na sexta-feira não seria, então, segundo Tenório, nada fora do normal: forte para o período, mas não justificaria a violência com que a água atingiu as cidades ribeirinhas. "Metereologicamente não foi tão anormal", diz Priscila Farias, técnica do INPE.

Água sobre água - Para Alex Gama, secretário de Recursos Hídricos do Estado de Alagoas, não dá para atribuir os estragos às barragens. "Existem algumas barragens que seguraram 15 milhões de metros cúbicos. Se fizermos as contas, isso não significa nada comparado à quantidade de água que desceu. Foi muita chuva e muita gente morando na beira do rio, por isso o estrago."

As informações oficiais da Secretaria dão conta que entre os dias 16 e 19 deste mês choveu 400 mm, quantidade esperada para um mês e meio de chuva. No dia 18 ocorreu o maior pico: 180 mm. "Houve chuvas antecedentes que fizeram o solo ficar encharcado. A água desceu em grande velocidade e em grande volume. Foi água sobre água", afirma o secretário.

Almir Cirilo, secretário-executivo de Recursos Hídricos de Pernambuco, também descarta as barragens como causa. "A única barragem que temos registro de rompimento tem capacidade de 600.000 metros cúbicos. Eu fiz uma estimativa que se não tivéssemos outras barragens operando, a água chegaria em Alagoas com volume 20% maior", diz Cirilo. Segundo estimativas da Secretaria de Recursos Hídricos, existem 100.000 pequenas barragens em todo o Nordeste; a maior parte de 10.000 ou 15.000 metros cúbicos.
 

 

 

(Com reportagem de Marco Túlio Pires)

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Claudete Firens

E aí seu Sarney, cuida dâ casa da sua família. O senhor não é dono deste estado?????

23.10.2011

PAULO

ANO POLÍTICO ESCONDE-SE A VERDADE, COM CERTEZA FOI BARRAGEM

20.07.2010

OYV

Não houve sabotagem na Barragem de Branquinha? Prevendo essa possibilidade, todas as barragens do Norteste têm que ser monitoradas por câmeras. Sabotadores existem em todas as partes do mundo. O Brasil não está livre deles.

02.07.2010

marines alberti

só pra quem quiser acreditar que foi apenas as chuvas a razão de tanto estrago.Quando não explicam as causas pode ter certeza que nem tudo pode ser divulgado.Pergunta : quantas barragens romperam? de quem eram astas barragens?

29.06.2010

junior

fatos tao rapidos como essas tragedias nao sao comum,nessa regiao nunca houve outras enchentes devastadoras ,esseto a de 1969 em sao jose da lage-al.mas a populaçao acredita em estouro de barragens,na verdade ,a populaçao mereçia uma resposta clara e respeitosa dando um resultado do que causou todo esse desastre.

29.06.2010

JÚNIOR

Na verdade, qualquer tragédia pode acontecer em qualquer lugar. Até algum tempo atrás, furacões era algo impossível no Brasil, mas já aconteceu no sul do país. Quando uma tragédia nunca aconteceu antes, pelo menos não do jeito que aconteceu, ninguém está preparado. Foi isso que aconteceu em Nova Orleans, ou o vazamento de (..)

27.06.2010

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Emanuel

Por favor, autoridades competentes, ou até mesmo a imprensa, façam uma busca rio a cima para identificar de há alguma barragem estourada... Realmente é difícil que somente as chuvas tenham provocado essa tragédia. Se a popupação diz que foi muito rápido. Mesmo com muita chuva não dá pra acontecer isso de uma hora pra outra.

26.06.2010

Rodrigo

olha essa materia

26.06.2010

simone

Veja só o que a falta de ação de cada órgão competente (ou incompetente)resultou em perdas humanas e ambientais nos dois estados. Como diz o ditado "todo mal vem para um bem" agora, depois do acontecido, que a vinda de especialistas em tragédias para Alagoas, oriente autoridades responsáveis.

26.06.2010

 

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