Rio de Janeiro

Confrontos entre traficantes e polícia deixam 12 mortos

O secretário da Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, disse que "dez marginais" foram mortos em confronto com a polícia do Rio de Janeiro neste sábado. Outros dois policiais também morreram, na explosão de um helicóptero atingido por disparos de traficantes. Durante todo o dia, a cidade teve diversos confrontos entre polícia e tráfico. Em entrevista coletiva, Beltrame acrescentou que foram apreendidos dez fuzis e uma carabina e que houve um preso.

Durante uma operação policial no morro dos Macacos, em Vila Isabel, na zona norte do Rio, traficantes atingiram um helicóptero, que tentou um pouso forçado e explodiu, causando a morte de dois policiais. Um capitão da PM foi baleado na perna e outros dois policiais tiveram queimaduras sem gravidade. A aeronave, parcialmente blindada, dava apoio a uma operação com 120 homens da PM para acabar com o confronto entre traficantes na guerra por pontos de vendas de drogas no Morro dos Macacos.

Confronto - De acordo com relatos de moradores, o confronto entre traficantes começou por volta da 1h30 e se estendeu durante a manhã de sábado. Segundo informações da polícia, houve uma tentativa por parte da facção criminosa Comando Vermelho de invadir o Morro dos Macacos, dominado pela facção Amigo dos Amigos (ADA). Criminosos do Complexo do Alemão, Manguinhos e do Jacarezinho teriam invadido a favela em um caminhão-baú, que ficou abandonado em um dos acessos à comunidade.

Alguns moradores da favela atearam fogo em pneus na Rua Visconde de Santa Isabel para impedir a entrada da polícia. Em seguida, manifestantes tentaram, sem sucesso, invadir a carceragem da Polinter para linchar presos da facção que invadiu a favela.

Até o início da tarde, cinco ônibus, um carro, um depósito de gás e duas salas de uma escola municipal haviam sido incendiados nas imediações da Favela do Jacaré. Mesmo após a chegada de 120 policiais militares, o tiroteio entre os traficantes continuou. Um policial do 6º Batalhão da Polícia Militar ficou encurralado no alto do morro dos Macacos. Um helicóptero Fênix da Polícia Militar foi resgatá-lo. De acordo com testemunhas, a aeronave foi alvo de intensos disparos. Atingida, começou a pegar fogo e o piloto perdeu o controle. O pouso forçado aconteceu em um campo de futebol na Vila Olímpica do Sampaio, nas imediações do Morro da Matriz, na zona norte da cidade, a cinco quilômetros do morros dos Macacos.

"Ouvimos um barulho do helicóptero, depois o som do impacto no chão, seguido por uma explosão", relatou uma moradora. Os três policiais que sobreviveram à queda saltaram da aeronave antes de ela tocar no chão. Os dois que ficaram morreram carbonizados. "Um PM saiu com o corpo em chamas e ficou apenas de cuecas", contou um morador. No momento do resgate dos feridos, os traficantes voltaram a atirar na direção dos policiais.

Depois da tragédia, a polícia acionou o Corpo de Bombeiros, que informou que não prestaria socorro, por se tratar de "área de risco". Uma ambulância e três viaturas chegaram apenas 50 minutos depois. Dois outros helicópteros, um da PM e outro blindado da Polícia Civil, foram acionados e também foram alvo de disparos, mas não foram abatidos. O confronto se estendeu para favelas vizinhas ao morro dos Macacos e do complexo do São João.

Folgas foram suspensas em vários batalhões da região metropolitana e nas delegacias especializadas. No início da tarde de sábado, os confrontos haviam arrefecido, mas não havia ainda um número oficial de mortos. Atingido por um bala "traçante", o almoxarifado de uma escola municipal pegou fogo. No Jacaré e na avenida suburbana, por volta das 12h20, traficantes incendiaram dois ônibus.

(Com Agência Estado)

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