Misterioso episódio de peça íntima encontrada na Câmara foi até acanhado diante de outros picantes fatos que marcaram trajetória de alguns políticos
Laryssa Borges e Valmar Hupsel Filho
Na última quarta-feira, a sessão da CPI do Cachoeira dividiu as atenções de parlamentares, visitantes e servidores do Congresso Nacional com um fato no mínimo inusitado: uma calcinha foi encontrada no plenário da Câmara. Até agora, os congressistas não chegaram a um consenso se a peça íntima era uma calçola ou apenas uma tanguinha tamanho G. Deputados mais assanhados trabalham com quatro suspeitos, todos da base aliada e com idade acima de 50 anos.
A calcinha vermelha e branca – sem rendinha ou babados, os que viram fazem questão de frisar – estava usada e caiu do bolso de um parlamentar na hora da votação. Dizem que a 1ª vice-presidente da Câmara, Rose de Freitas (PMDB-ES), até proibiu que se falasse sobre a tal tanguinha no plenário. Com ou sem pito da capixaba, houve quem fotografasse, tocasse e até cheirasse a peça. "O suspeito não ia andar com uma calcinha fedorenta no bolso", justifica um deles.
Até o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), segundo na sucessão presidencial, lamentou o fato de a famosa calcinha não ser um sexy fio dental, mas sim uma básica tanga de algodão. "Parece que é uma calcinha maior, mais expansiva".
Queima de arquivo - A Polícia Legislativa, que encontrou a lingerie de algodão, ameaçou de imediato queimar a prova do crime, mas foi impedida e aconselhada a guardar o achado em um envelope pardo, que passou a fazer parte agora do imaginário masculino nos corredores do Congresso. Mas os seguranças do plenário acabaram com as esperanças do novo "Wando do Congresso" e incineraram a calcinha.
Pode-se dizer que o misterioso caso da calcinha encontrada no Congresso foi até acanhado diante de outros picantes fatos que marcaram a trajetória de alguns políticos.
Relembre alguns episódios:
Política, poder e sexo
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Itamar e a modelo sem calcinha
A modelo, bem à vontade, e o então presidente no Sambódromo do Rio, em 1994
No Carnaval de 1994, o então presidente da República, Itamar Franco, acompanhava o desfile das escolas de samba na Marques de Sapucaí, no Rio de Janeiro, quando foi fotografado ao lado da modelo cearense Lílian Ramos, de 27 anos, que estava, digamos, bem à vontade. Após desfilar e retirar a fantasia, resolveu vestir apenas uma camiseta de um camarote. E mais nada. O fato teve repercussão internacional e a imagem do presidente ao lado da modelo sem calcinha é sempre lembrada quando se fala em Itamar Franco. O ex-presidente morreu em julho de 2011.
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Itamar e a modelo sem calcinha
A modelo, bem à vontade, e o então presidente no Sambódromo do Rio, em 1994
No Carnaval de 1994, o então presidente da República, Itamar Franco, acompanhava o desfile das escolas de samba na Marques de Sapucaí, no Rio de Janeiro, quando foi fotografado ao lado da modelo cearense Lílian Ramos, de 27 anos, que estava, digamos, bem à vontade. Após desfilar e retirar a fantasia, resolveu vestir apenas uma camiseta de um camarote. E mais nada. O fato teve repercussão internacional e a imagem do presidente ao lado da modelo sem calcinha é sempre lembrada quando se fala em Itamar Franco. O ex-presidente morreu em julho de 2011.
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O caseiro, o ministro e a mansão
Antonio Palocci era chamado de chefe em mansão frequentada por prostitutas em Brasília
Antônio Palocci, então ministro da Fazenda, era o homem mais importante do governo Lula quando foi derrubado pelo depoimento dado por um simples caseiro. Francenildo dos Santos Costa tomava conta da famosa mansão do Lago Sul, alugada por Vladimir Poleto para a realização de festas com prostitutas de luxo – além de partilhas de volumosas quantias de dinheiro em espécie e tráfico de influência. Em depoimento à CPI dos Bingos, em 26 de janeiro de 2006, Palocci foi questionado pelo senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) se alguma vez já havia estado na tal mansão do Lago Sul. "Não, não estive nenhuma vez", respondeu Palocci. Em depoimento à CPI e declarações na imprensa, Francenildo confirmou que Palocci era frequentador assíduo da mansão, onde todos o chamavam de “chefe”.
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A bombástica agenda de Jeany Mary Córner
Jeany operava uma espécie de rede nacional de mulheres que prestavam serviços sexuais a políticos
Jeany Mary Córner transformou-se em uma das mais conhecidas personagens de histórias de alcova de Brasília. Investigação da Polícia Civil revelou que ela operava uma espécie de rede nacional de mulheres usadas na prestação de serviços sexuais a políticos, convocando profissionais de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Goiás para programas cujos valores variavam entre 300 reais e 2 000 reais. Jeany virou personagem nos registros da CPI dos Correios porque pelo menos uma das festas organizadas por ela teria ocorrido na suíte presidencial do hotel Gran Bittar – o mesmo usado para a distribuição de dinheiro a parlamentares. A agenda da “promotora de eventos”, apreendida pela PF, foi considerada uma das peças mais bombásticas da investigação do mensalão – o maior escândalo do governo Lula.
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Renan, a amante e o lobista
A bela Mônica Veloso: despesas da amante do então presidente do Senado eram pagas por lobista
Em maio de 2007, VEJA revelou que parte das despesas da amante do senador alagoano Renan Calheiros (PMDB), então presidente do Senado, eram pagas por um lobista da empreiteira Mendes Júnior, Cláudio Gontijo. Segundo as denúncias, o lobista pagava 12 000 reais mensais de pensão para uma filha que Renan tem com a jornalista Mônica Veloso, e colocava à disposição do senador um flat num dos melhores hotéis de Brasília, o Blue Tree. No dia em que Renan se defendeu no plenário da Casa, sua mulher, Verônica Calheiros, acompanhou o pronunciamento. Sobre o assunto, ela afirmou à imprensa: “Não sei como meu marido se meteu nessa. Homem é mesmo muito besta”.
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O bunker de Agaciel
Agaciel Maia: indícios de que bunker de 130 metros quadrados era usado para encontros íntimos
Agaciel Maia trabalhou por 14 anos na diretoria-geral do Senado, de onde saiu em 2009, em meio a uma série de denúncias dos chamados atos secretos. Uma delas se refere a uma escada – também secreta, não prevista na reforma do prédio e nem no projeto do arquiteto Oscar Niemeyer – que ele mandou construir. A passagem ligava seu gabinete a um pavimento inferior, onde mantinha uma espécie de bunker. No espaço de 130 metros quadrados, Agaciel mantinha banheiro privativo, sofás e tapetes vermelhos, spots com luz especial, frigobar, equipamentos de som e de vídeo, além de um telão. Também foram encontrados indícios de que o bunker era utilizado para encontros íntimos – manchas nos sofás, revistas e vídeos eróticos e uma bisnaga pela metade de lubrificante íntimo.
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Turismo no motel
Pedro Novais apresentou nota fiscal de motel na prestação de contas de verba indenizatória em 2010
Ministro do Turismo no governo de Dilma Rousseff, o deputado Pedro Novais (PMDB-MA) pediu à Câmara dos Deputados o ressarcimento de despesas pagas em um motel de São Luís (MA). Ele apresentou uma nota fiscal de 2 156 reais do Motel Caribe na prestação de contas da verba indenizatória de junho de 2010. Novais admitiu que o dinheiro da Câmara foi mesmo usado para pagar um motel e considerou o episódio “um erro". Em meio a denúncias de irregularidades ao utilizar dinheiro público, Novais pediu demissão do cargo de ministro e retornou à Câmara.