Lei da Copa

Serra: acordo sobre Lei da Copa é ‘toma que o filho é teu’

Tucano não disse se é contra ou a favor da venda de álcool nos estádios

Carolina Freitas
O ex-governador de São Paulo José Serra em 17 de fevereiro, em São Paulo

O ex-governador de São Paulo José Serra (Fábio Guinalz/Fotoarena/AE)

O pré-candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo José Serra criticou nesta quarta-feira o acordo fechado pelo governo com a base aliada na Câmara para delegar aos estados a decisão sobre a venda de bebidas alcoólicas dentro de estádios durante os jogos da Copa do Mundo de 2014. “É ‘toma que o filho é teu’”, disse Serra. “O que estão fazendo é simplesmente se desfazer do problema e o problema continua existindo”.
 
No âmbito federal, o Estatuto do Torcedor proíbe a venda de bebidas, mas os estados têm legislações específicas sobre o assunto. O acordo a respeito da Lei Geral da Copa que está em discussão na Câmara pode fazer com que a Fifa tenha de negociar diretamente com os estados a questão. “Acho que a legislação nacional deve valer”, afirmou Serra.
 
Questionado com insistência por jornalistas se era contra ou a favor da venda de bebidas em estádios, o tucano respondeu: “Eu já disse. Já tá explicado. Aliás, não precisa explicar. Vocês escrevem o que vocês acharem”.
 
O pré-candidato visitou na tarde desta quarta-feira um hospital municipal na Zona Sul de São Paulo. No próximo domingo, ele disputa a indicação do PSDB para concorrer à prefeitura da cidade e competirá nas prévias com o deputado federal Ricardo Trípoli e com o secretário estadual de Energia, José Aníbal.
 
Votação - Com a supressão do artigo 29 da Lei Geral da Copa, o governo espera vencer a resistência de deputados contrários à venda de bebidas nos estádios. A questão desagrada especialmente a bancada evangélica. Para o Planalto, em meio a uma crise com a base aliada, quanto menos riscos, melhor. Depois do encontro com líderes aliados nesta terça, o ministro Aldo Rebelo seguiu para uma reunião com os parlamentares peemedebistas. O objetivo era evitar defecções na votação da Lei da Copa.
 
O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse ao site de VEJA que a mudança deve facilitar a aprovação do texto na Casa. Ainda de acordo com ele, os governos estaduais estão cientes das regras para a realização da Copa porque assinaram um termo de responsabilidade. Nos locais onde a bebida é proibida em estádios, o petista afirma que será preciso fazer uma adequação: "Imagino que eles vão submeter esse tema às assembleias legislativas", afirmou.
 
Último capítulo - Nesta quarta-feira, a votação sobre as regras da Copa de 2014 foi adiada mais uma vez. Depois das discussões sobre o tema já terem sido iniciadas no plenário da Câmara, os deputados do PSDB entraram com um requerimento para retirar o assunto de pauta. O placar foi de 135 votos contra oito para manter a votação. Doze parlamentares se abstiveram. O número mais impressionante, porém, foi o de parlamentares que já haviam anunciado a obstrução dos trabalhos: 138. Foram eles que inviabilizaram a votação.

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