07/02/2012 - 19:47
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Fronteira

Sem-terra paraguaios avançam sobre terra de brasileiro

Carperos pressionam governo a usar fazenda de Favero para reforma agrária

Carolina Freitas
Acampamento de sem-terra paraguaios, conhecidos com carperos, em Alto Paraná, no Paraguai

Acampamento de sem-terra paraguaios, conhecidos com carperos, em Alto Paraná, no Paraguai (Manoel Marques)

Um grupo de sem-terra paraguaios avançou nesta terça-feira sobre as terras do brasileiro Tranquilo Favero, em Alto Paraná, no Paraguai, a 95 quilômetros da fronteira com o Brasil. Eles agora ocupam a beira do Rio Ñacunday, onde há uma balsa que leva para a sede da propriedade. Eles pararam antes da balsa, após avançarem cerca de 20 quilômetros do ponto onde antes estavam acampados e lá montaram novas barracas. Dezenas de família chegam de todas as partes do Paraguai todos os dias para integrar o grupo.
 
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De acordo com Rosalino Casco, um dos líderes do movimento, a marcha é uma forma de pressionar o governo a destinar as terras de Favero à reforma agrária. Os carperos, como são chamados os sem-terra, dizem que o terreno é área pública. O empresário nega e diz que está tudo regularizado. 
 
“Ou o governo resolve a situação ou o povo dará uma resposta e invadirá toda a propriedade, até a sede da fazenda”, afirmou Casco, por telefone, ao site de VEJA. "Só vamos esperar até sexta-feira." Os sem-terra têm espalhado medo pela região do Alto Paraná, onde vivem há 40 anos milhares de brasileiros, que se tornaram produtores agrícolas e ajudaram a desenvolver o Paraguai. 
 
No caminho por onde passaram os carperos funciona o Silo Santa Catalina, de propriedade de Tranquilo Favero. A reportagem enteve no local domingo e encontrou apenas um segurança, armado com uma espingarda calibre 12. Os sem-terra estão acampados na beira de uma estrada de terra que vai até a sede da fazenda, ao longo de uma linha de transmissão de energia elétrica. De acordo com Casco, a ocupação foi pacífica. A polícia paraguaia acompanhou o movimento de longe.
 
Na segunda-feira, o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, emitiu um comunicado dizendo que não permitiria que fosse feita “justiça com as próprias mãos” para resolver a situação no Alto Paraná. Disse, no entanto, algo entendido como um estímulo aos sem-terra: “Não poucas vezes se concedeu terras a pessoas favorecidas por poder político e econômico, violando a lei. A zona de conflito de Ñacunday  padece desta complexa situação.”
 
Entenda o caso - Os carperos reivindicam para reforma agrária terras ocupadas há mais de 40 anos por brasileiros que foram para o Paraguai, na região próxima à fronteira. Os brasiguaios, como são chamados, ajudaram a desenvolver aquele país, com produtivas plantações de soja e milho. Agora, eles consideram essa conquista ameaçada por grupos de sem-terra.
 
O embate tomou contornos críticos nos últimos quinze dias, depois que o Instituto Nacional de Desenvolvimento Rural e da Terra do Paraguai determinou a demarcação de terras paraguaias na fronteira com o Brasil. O argumento do governo paraguaio é checar se há brasileiros em terras que originalmente eram públicas. Foi a deixa para os sem-terra convocarem militantes a irem para os acampamentos do Alto Paraná pressionar pela expulsão dos brasiguaios.
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