Brasil
São Paulo, 455 anos
Região já foi nobre e agora tem pólo cultural
Com o crescimento das cidades, a fuga das regiões centrais tornou-se quase uma regra nos grandes centros urbanos do mundo. São Paulo não poderia ser diferente. O atual retrato do bairro da Luz, na região central da capital, ainda é de ruas sujas, prédios antigos abandonados, com grande movimento de pessoas durante o dia e ruas desertas à noite, servindo de abrigo para traficantes e viciados em drogas. Mas nem sempre esse cenário foi assim.
Em uma época em que os carros ainda nem circulavam pelas ruas da cidade e que as mulheres usavam espartilhos e vestidos longos cobrindo todas as partes do corpo, o bairro da Luz era uma referência de glamour, com sua arquitetura neoclássica, seus casarios e jardins. A Avenida Tiradentes não passava de um arborizado boulevar. O Jardim da Luz era frequentado pelos paulistanos nos finais de semana. A elite do café elegeu o bairro vizinho do Campos Elízeos para construir seus palacetes.
É nessa mesma época, no final do século 19, que o arquiteto Ramos de Azevedo idealiza e executa algumas obras na região como a sede do Liceu de Artes e Ofícios (que hoje abriga a Pinacoteca do Estado), o Teatro Municipal, o Palácio da Justiça, o Mercado Municipal, e o conjunto de prédios da Escola Politécnica (que atualmente pertencem ao Centro Educacional Paula Souza, à Faculdade de Tecnologia do Estado (FATEC) e ao Departamento Histórico da Prefeitura), entre outros.
Antes de tudo isso, o bairro era um grande pântano ocupado por muito tempo por fazendas. Seu nome surgiu como homenagem à Nossa Senhora da Luz. Aos poucos, a área pantaneira foi aterrada e algumas edificações começaram a surgir, como o Seminário Episcopal, na Avenida Tiradentes, o Jardim da Luz e as estações de trem Luz e Sorocabana, estimulando o surgimento de moradias e comércio. Atualmente, a recuperação de alguns edifícios públicos antigos deram lugar a um pólo cultural formado pela Pinacoteca do Estado, Estação Pinacoteca, Sala São Paulo de concertos e o Museu de Língua Portuguesa.
(Por Luiz de França)








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