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PT determina "sacrifício total" para ganhar SP
Medida foi uma ordem direta do ex-presidente Lula. Para petistas, vitória na capital paulista é essencial para conquistar o governo do estado, em 2014
Haddad: PT fará de tudo para elegê-lo prefeito de São Paulo (Daniel Marenco/Folhapress)
Enquadrada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a cúpula do PT chegou à conclusão de que todo o sacrifício deve ser feito para eleger o ex-ministro da Educação Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo. Mesmo que para isso seja necessário abrir mão de cargos no governo e ceder cabeças de chapa a partidos da base aliada, como o PMDB.
A análise será exposta nesta quinta-feira, em Brasília, na reunião do Diretório Nacional do partido. O encontro produzirá uma resolução política de exaltação ao governo Dilma Rousseff e ao PT, que vai comemorar 32 anos nesta sexta-feira. O ato contará com a participação de Dilma, mas Lula não deve comparecer por causa do tratamento para combater um câncer na laringe.
"Em 2012, faremos tudo para desmanchar o ninho tucano em São Paulo e é isso o que importa para Lula", resumiu o deputado federal José Guimarães, aquele flagrado com 100 mil dólares na cueca em 2005, que desistiu de disputar a liderança da bancada do PT na Câmara, a pedido do ex-presidente, para apoiar Jilmar Tatto. Não sem motivo: com influência em bairros das zonas Sul e Leste da capital, Tatto é visto como fundamental para a campanha de Haddad.
"Se ganharmos as eleições em várias capitais e perdermos São Paulo, o PT será derrotado", insistiu Guimarães. "Aliança eleitoral não é aliança ideológica e o apoio do Kassab ao Haddad é muito bem-vindo", comentou Geraldo Magela, secretário de Assuntos Institucionais do PT. “O que está em jogo é a disputa com o PSDB, nosso principal adversário no projeto nacional."
Na prática, a conveniência da aliança de Haddad com o PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, divide os petistas, mas a direção do partido não vai fazer disso um cabo de guerra e está convencida de que será aprovado o que Lula quiser. Ele argumenta que a vitória na capital paulista é essencial para conquistar o governo do estado em 2014.
Com o mapa eleitoral sobre a mesa de trabalho, Lula se movimenta em duas direções: em primeiro lugar, quer convencer o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP) a não se lançar à sucessão de Kassab. Caso não seja possível, pretende atrair o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles (PSD), para vice de Haddad e é isso o que negocia com Kassab.
Plano nacional - Levantamento do PT mostra que em 74 das 118 cidades do país com mais de 150 mil habitantes – consideradas estratégicas para o partido – não deve haver prévia para a escolha de candidatos próprios às prefeituras. Em outros 27 municípios a decisão foi adiada para encontros partidários, previstos para março.
Na maioria dessas cidades, porém, a tendência é apoiar nomes do PMDB, do PDT e do PSB, como no caso de Belo Horizonte (MG), onde Lula quer que o PT renuncie à candidatura própria e avalize a chapa pró-reeleição do prefeito Márcio Lacerda (PSB). O postulante do PT é o atual vice-prefeito, Roberto de Carvalho, em pé de guerra com Lacerda, afilhado do senador Aécio Neves (PSDB).
"Eu vou até o fim", anunciou Carvalho. "Será um suicídio aprovarmos candidatura própria em Belo Horizonte", insistiu o deputado Reginaldo Lopes (MG), presidente do PT mineiro.
Há também impasses para a definição de candidaturas em Recife, Curitiba, Fortaleza, João Pessoa, Manaus e Macapá. Na capital do Paraná é provável que o PT apoie Gustavo Fruet (PDT). "Para mim, isso é um erro. A coligação tem de ser com o PT na cabeça", disse o deputado Doutor Rosinha (PR), um dos pré-candidatos do PT à prefeitura de Curitiba.
A montagem dos palanques e as divergências sobre as alianças estarão em debate no Encontro Nacional de Prefeitos e Deputados do PT, também marcado para esta sexta, em Brasília. "Vamos expor nossas inquietações e dar a largada da campanha eleitoral", afirmou o presidente do PT, Rui Falcão.
Programa de governo - Haddad pretende contar com um time de notáveis de fora do PT para montar o programa de governo que vai apresentar aos eleitores paulistanos. Segundo um interlocutor do pré-candidato, já manifestaram disposição nesse sentido o neurocientista Miguel Nicolelis, o ex-ministro da Saúde Adib Jatene e o economista Marcelo Néri. Embora não revele nome, Haddad disse publicamente que, além das contribuições dos núcleos setoriais petistas, pretende contar com colaboradores externos.
(Com Agência Estado)





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