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Tragédia em Santa Catarina

Sobe para 114 o número de mortos no estado

30/11/2008 08:56

Sérgio Vignes

Subiu para 114 o número de mortos em Santa Catarina. A Defesa Civil do estado confirmou na noite deste domingo a morte de mais uma criança e uma mulher em um novo desmoronamento de terra que aconteceu às 18h na localidade de Braço do Joaquim, em Luiz Alves, no Vale do Itajaí. Ainda segundo a Defesa Civil, em boletim divulgado na tarde deste domingo, são 27.410 desabrigados e 51.297 desalojados. Pelo menos 19 permanecem desaparecidas. Ao todo, mais de 1,5 milhão de pessoas foram afetadas pelas chuvas. Também neste domingo, o governador Luiz Henrique afirmou que é preciso rezar para que as chuvas parem. Segundo ele, após quatro meses de chuva contínua, o solo não suporta mais água. Luiz Henrique fez questão de afirmar que o turismo em Florianópolis não pode ser afetado pela tragédia. "O nosso litoral não foi afetado, nossas praias não foram afetadas. De modo que os turistas podem vir tranqüilos para Santa Catarina", argumentou. 

O governo agora planeja a reconstrução das cidades mais afetadas, entre elas Blumenau.  De acordo com uma equipe técnicos do Instituto Zoológico e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo que estiveram na cidade, 60% das áreas vistoriadas não poderão mais ser mais ocupadas. O prefeito João Paulo Kleinubing diz que uma das primeiras providências será a desocupação definitiva de muitas áreas. Nesta semana, segundo ele, chega um grupo de geólogos da Alemanha para fornecer à prefeitura novos dados sobre os terrenos ocupados e a situação geral da cidade."Nós vamos ter que trabalhar de um ano e meio a dois anos para conseguir recuperar minimamente a infra-estrutura que se perdeu", calcula.

Voluntários
- O psicólogo Neomar Cezar tem passado os últimos dias conversando com vítimas da enchente que estão em abrigos de Blumenau e cidades próximas. Sem se identificar, ele se aproxima das pessoas e inicia uma conversa. Seu método é fazer com que seus interlocutores valorizem aquilo que não foi perdido - familiares ou bens materiais. “Se a pessoa só olha para trás, para o que se foi, dificilmente conseguirá reconstruir a vida”, explica.

No início de cada conversa, Cezar geralmente escuta histórias de muita dor, com uma longas listas de coisas destruídas e de pessoas desaparecidas. Quando é informado de que algo sobreviveu à tragédia, ele começa a fazer perguntas. Ficou uma geladeira? Dá para voltar a usar? De que cor é? Cabe bastante coisa? A mesma estratégia vale para pessoas. O irmão que sobreviveu trabalha com o quê? Vai encontrá-lo nos próximos dias? Do que ele gosta? Nesse momento o tom da conversa muda e a pessoa começa a perceber que ainda há pelo que viver, pelo que lutar, um ponto para o recomeço de sua vida. “Muitos ainda não se deram conta de que sobreviveram. Não perceberam que há coisas que permaneceram e continuarão no futuro”, diz Cezar.

Sérgio VignesNa opinião do psicólogo, o trabalho é mais bem-sucedido com as pessoas que estão acostumadas com enchentes – caso da maioria dos moradores de Blumenau. Mais complicada é a situação dos que nunca vivenciaram uma tragédia. “Moradores de Luiz Alves relataram que ouviram um estrondo e correram para o morro. Quando chegaram lá, viram as árvores caindo na direção deles. Estavam completamente perdidos. Nunca passaram por algo assim, não sabiam o que fazer”, diz. Cezar e duas colegas de profissão fundaram o grupo “Do Luto há vida”. Os três trabalham atualmente como voluntários em Blumenau.

(Com informações de Duda Teixeira, de Santa Catarina)
 

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