Demografia

População brasileira deve encolher a partir de 2030

Segundo o IPEA, nas próximas duas décadas os únicos grupos populacionais que deverão crescer serão os com idades acima dos 45 anos

Rafael Lemos, do Rio de Janeiro

"Para o futuro, podemos pensar numa redução da força de trabalho e também numa força de trabalho mais envelhecida"

As sucessivas quedas na taxa de fecundidade apontam para uma redução da população brasileira a partir de 2030. A constatação dos pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar (PNAD) de 2009, é de que a taxa de crescimento se aproxime de zero nos próximos 20 anos até tornar-se negativa. A partir de 2030, os únicos grupos populacionais que deverão crescer serão os com idade acima de 45 anos.

Os dados são, para os gestores públicos, um sinal de alerta para a necessidade de se repensar políticas educacionais, previdenciárias e de trabalho. Os idosos de hoje - ou seja, a geração que está entrando na faixa dos 60 anos - são os baby boomers do período pós-Segunda Guerra Mundial. “É uma geração que nasceu muito e sobreviveu muito. Eles se beneficiaram da redução da mortalidade infantil e da mortalidade adulta, e agora são os grandes beneficiados dos avanços médicos e da maior cobertura do serviço de saúde”, afirma Ana Amélia Camarano, coordenadora de População e Cidadania do IPEA.

A queda da fecundidade, aliada a uma maior expectativa de vida, levará nas próximas décadas a uma mudança do perfil do trabalhador brasileiro, que tende a ser cada vez mais velho. “O Censo 2010, com certeza, vai mostrar uma diminuição em termos absolutos da população menor de 20 anos. Para o futuro, podemos pensar numa redução da força de trabalho e também numa população economicamente ativa mais envelhecida”, atesta a pesquisadora do IPEA. “A taxa de crescimento da população, que era de cerca de 3% ao ano nas décadas de 1950 e 1960, não deve passar de 1% no Censo 2010”, acrescenta.

Trata-se de um fenômeno generalizado no país, atingindo todos os estados e praticamente todas as camadas sociais. Entre 1992 e 2009, o Nordeste foi a região que teve a maior queda no número médio de filhos por mulher (de 3,6 para 2,0), perdendo o primeiro lugar no ranking de fecundidade para o Norte. Já nas regiões Sul e Sudeste, em 2009, esse número era de 1,7, um patamar considerado extremamente baixo, comparável ao de países como Itália, Espanha e Japão.

Uma das principais preocupações, quando se fala em envelhecimento da população, é o déficit da Previdência Social. Para a pesquisadora Ana Amélia Camarano, a solução passa pela revisão da idade mínima para a aposentadoria. Segundo ela, a permanência do idoso no mercado de trabalho deve ser encarada como um fator positivo.

“Principalmente para o homem, a saída do mercado de trabalho significa uma importante desintegração social. Com isso, aumentam os índices de alcoolismo, de depressão e até de suicídios”, argumenta a pesquisadora, que defende ainda o fim da aposentadoria compulsória: “Isso é fruto de preconceito”.

As projeções indicam que a população não atinjirá patamares muito superiores aos atuais e, dentro de 20 anos, comecerá a diminuir. “A nossa projeção mostra que, entre 2030 e 2035, passaremos a ter uma redução de crescimento populacional. O primeiro efeito é na oferta da força de trabalho, porque a população em idade ativa também começa a diminuir”, explica. “Quando fazíamos projeções com base nos dados de 1970, estimávamos que a população brasileira ultrapassaria a marca de 200 milhões de habitantes no ano 2000. Hoje, as nossas projeções são de que isso aconteça em 2020. Para 2010, estamos apostando em 190 milhões”, compara Ana Amélia.

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