Pesquisa

País avançou em emprego e escolaridade

Nível de ocupação é maior entre os que conseguem concluir um dos três níveis de ensino - fundamental, médio ou superior - segundo a Pnad 2011

Pollyane Lima e Silva, do Rio de Janeiro
Funcionárias trabalhando na fábrica da Foxconn do Brasil, em Jundiaí, São Paulo

Funcionárias trabalhando na fábrica da Foxconn do Brasil, em Jundiaí, São Paulo (Fabiano Accorsi)

A relação entre maior escolaridade e oportunidades no mercado de trabalho é conhecida. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2011 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta sexta-feira, indica duas tendências desejáveis nesse sentido. O período analisado é o de menor nível de desocupação desde 2004. E, desde 2009, mais brasileiros a partir dos 15 anos de idade completaram os níveis de ensino. A conclusão é de que não só o maior tempo de escolaridade amplia as chances de emprego, mas também de que, mesmo nos segmentos mais baixos de especialização, concluir o ciclo de estudos pode ser recompensador.

Entre 2009 e 2011, 1 milhão de pessoas de 15 anos de idade ou mais entraram no mercado de trabalho do Brasil, totalizando 92,5 milhões de trabalhadores. Entre os grupos etários, houve uma pequena queda (de 0,1 a 0,5 ponto porcentual) nos grupos de até 29 anos. E foi registrado crescimento na proporção de trabalhadores com mais de 30, que passou de 67,6% em 2009 para 68,8% em 2011.

“Os mais jovens podem estar retardando sua entrada no mercado de trabalho, para se dedicar mais aos estudos, por exemplo”, observa Maria Lucia Vieira, gerente da Pnad. O maior tempo dedicado à escola está refletido no nível de escolaridade da população ocupada: cresceu a participação dos trabalhadores com ensinos fundamental, médio ou superior completos, que hoje somam 52,4% do total de pessoas ocupadas no país.

IBGE - instrução da população

 

O Nordeste foi a única região em que o contingente de trabalhadores diminuiu de 2009 para 2011, uma diferença de menos 209.000 pessoas (-0,9%). “Grande parte dessa redução se refere à saída de 189.000 pessoas de 14 a 17 anos de idade do mercado de trabalho na região”, explica Cimar Azeredo, gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Desocupação - Quase dois terços da população ocupada são formados por empregados. Eles somam 56,7 milhões de pessoas, ou 61,3% do total, o que configura um crescimento de 2,3 pontos porcentuais entre as duas últimas pesquisas. A Pnad também apontou, entre 2009 e 2011, um decréscimo na taxa de pessoas desocupadas (sem emprego). Em 2011, foi registrada a queda mais acentuada dos últimos sete anos (6,7%), comprovando mais uma vez a recuperação do mercado depois da crise econômica de 2008.

IBGE - população desocupada

 

Para alguns grupos específicos, porém, a dificuldade de entrada no mercado de trabalho é maior: mulheres (59%), pretos ou pardos (57,6%), aqueles que não concluíram o ensino médio (53,6%), jovens de 18 a 24 anos (33,9%) e os que não têm experiência profissional (35,1%). As mulheres ainda mantêm a diferença de salários se comparadas aos homens: elas ganham o equivalente a 70,4% do rendimento dos empregados do sexo masculino. Ainda assim, houve melhoria: uma elevação ante 2009, quando o índice era de 67,1%. No geral, o rendimento médio mensal de todos os trabalhadores cresceu 8,3%, passando de 1.242 reais para 1.345 reais. Mas os 10% da população ocupada que recebem os salários mais elevados concentram 41,5% do total de rendimentos de trabalho do país.

Educação – Apesar de ganharem menos, as mulheres são mais escolarizadas do que os homens. A Pnad 2011 mostrou elas têm em média 7,5 anos de estudo, ante 7,1 anos dos brasileiros do sexo masculino – a média nacional fica em 7,3 anos.

Os níveis de instrução da população brasileira aumentaram no período da última Pnad. Na comparação com 2009, houve uma queda importante do porcentual de pessoas com ensino fundamental incompleto, de 36,9% para 31,5%. As proporções nos níveis completos – fundamental, médio e superior – cresceram 3,6 pontos porcentuais e representam hoje 46% do total de pessoas com 25 anos de idade ou mais consultadas. Nos ensinos fundamental e médio, a rede pública é responsável pelo atendimento da maioria dos estudantes: 87% e 87,2%, respectivamente. Já no nível superior, é a rede privada que abrange o maior contingente: 73,2%.

IBGE - nível de escolaridade

 

O país ainda tem 12,9 milhões de analfabetos, o que corresponde a 8,6% da população de 15 anos de idade ou mais. Esse número, contudo, caiu em relação a 2009, quando a proporção nacional era de 9,7%. A taxa de analfabetismo é mais elevada nos grupos de idades mais avançadas: a maioria está situada entre as pessoas com 25 anos de idade ou mais, ou 96,1% do total, sendo que mais da metade delas tem 50 anos ou mais (8,2 milhões de pessoas).

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