24/07/2009 - 22:40
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Acervo Digital VEJA

PMDB: da oposição aos militares ao fisiologismo dos tempos atuais

Com a extinção do multipartidarismo pelos militares, em 1965, situação e oposição se viram confinadas, cada uma, a um único partido. De um lado, a Aliança Renovadora Nacional (Arena) representava o governo. De outro, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) congregava, sob uma mesma sigla, os diversos espectros contrários ao regime. A convivência dessas diferentes facções dentro do partido, como se pode imaginar, não era sinfônica. Somada a isso, a difícil missão de fazer frente a um governo de linha dura deixava o MDB numa espécie de crise existencial, em que buscava se definir como sigla e mesmo como oposição - procurando determinar até onde poderia chegar em suas contestações.

Matéria de VEJA de 1968 mostra como as eleições municipais daquele ano revelaram que, por trás dos emblemas do MDB e da Arena, seguiam coexistindo os partidos extintos pelo regime militar. "Inimigos tradicionais são obrigados a se tolerarem dentro do mesmo partido porque não dispõem de muitas opções", diz o texto. "As velhas forças, concentradas principalmente no partido situacionista, continuarão mandando."

Apesar da complexa situação política em que se encontrava e das sucessivas derrotas para o governo, o MDB vai aos poucos ganhando força junto ao eleitorado - há eleições para o poder legislativo. Em 1978, o ex-primeiro-ministro de João Goulart, Tancredo Neves, conquista a liderança do MDB na Câmara dos Deputados e se consolida como líder dentro do partido.

A partir de 1979, com o início da reabertura política, o MDB deixa de ser o filho único da oposição. Em São Paulo, o sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva está no centro do núcleo de uma nova sigla, o PT, Partido dos Trabalhadores. No exílio desde 1964, Leonel Brizola anuncia seu retorno ao país e o plano de remontar o PTB, mas encontra alguma dificuldade quando membros do PMDB - como o MDB passa a se chamar em 1979, incorporando o P de partido - resistem a migrar para o PTB.

Também a Arena sofre mudanças em 1979, passando a se chamar PDS (Partido ReproduçãoDemocrático Social), numa estratégia dos militares para tentar deter o avanço do PMDB. Capa de VEJA de 28 de novembro de 1979 analisa o cenário político nacional, avaliando quem mais saiu fortalecido do enterro da Arena e do MDB. A capa é estampada por Tancredo Neves (imagem ao lado).

Na década de 1980, o PMDB entra na briga pelas diretas, realizando comícios importantes pelo país. Em 1983, Tancredo, que havia deixado o MDB para fundar o PP, falecido no final da década de 1970, retorna ao antigo partido, agora chamado PMDB. E por ele se elege primeiro governador de Minas Gerais (1983-1984) e, depois, presidente do Brasil, em 15 de janeiro de 1985, por meio do extinto Colégio Eleitoral. O mineiro, porém, morre antes de tomar posse, dando lugar ao vice, o senador maranhense José Sarney, que trocara o PDS pelo PMDB para disputar as eleições com Tancredo.

Perto do fim dos anos 1980, as disputas internas no PMDB enfraquecem o partido. Em 1988, um grupo dissidente capitaneado por Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas e Franco Montoro deixa o PMDB, fundando o Partido Social Democrata Brasileiro (PSDB). A sigla surge como a terceira maior bancada do Congresso, e com autoridade e força em São Paulo.

Já nesta época, o PMDB se dedica àquela que talvez seja a sua principal atividade hoje: disputar cargos na imensa máquina do governo. Em entrevista que causou polêmica em fevereiro deste ano, o senador pernambucano Jarbas Vasconcelos afirmou: "O PMDB é corrupto". Meses depois, o escândalo no Senado, envolvendo o ex-presidente José Sarney, veio confirmar as palavras de Vasconcelos.

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